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Retrato de Tommaso Inghirami de Raffaello Sanzio |
Bem
no finalzinho do ano recebi uma notícia agradabilíssima: o Brasil vai adiar por três anos a implementação do Acordo Ortográfico.
Isto
é fenomenal e talvez seja um sinal de que o Acordo, como dizem os nossos irmãos
brasileiros, deva ir para o brejo.
Ora,
este Acordo não agrada à maioria dos Portugueses, nem aos cidadãos do Reino do Kongo e muito menos aos do Reino de Monomotapa - estes dois reinos estão absolutamente
determinados a não aceitarem ser ganged
up pelo Brasil e por Portugal.
Portugal,
peço-te que faças como a Inglaterra e a França - mantém a tua pureza línguistica.
Se queres incrementar o conhecimento dos portugueses faz dicionários
explicativos (i.e. no português do Brasil é X, no dos palop é Y), ókapa?
Angola
e Moçambique não querem um português delicodoce, com influências alemãs, italianas,
espanholas e até anglófonas, como é o do Brasil; querem um português altivo, austero
e fechado como é o de Camões; e mais, os Africanos não querem esbanjar os
parcos fundos dos respectivos Tesouros para enriquecer os grupos de pressão das
Editoras Luso-Brasileiras - era o que mais faltava!
Portugal,
meu caro, mais uma vez, rogo-te que não nos lixes com este Acordo que de tão
inconveniente se transformou numa pantomima de mau gosto.
Já
que Angola e Moçambique são os únicos interessados em defender o Património
línguistico Português, sugiro que mudemos a Capital da República Portuguesa
para o Alto-Maé, uma vez que o Senhor Presidente prof. Cavaco e Silva est vécu em Moçambique; e assim,
talvez, juntamente com o Senhor
Presidente Guebusa e o seu povo, possamos fazer um chimoco contra este Acordo.
Meus
senhores e minhas senhoras, da comunidade línguística, vós sois os
guardiães da língua portuguesa, ela é o vosso primeiro amor; e, a vossa
política deveria ser a defesa do nosso legado de comunicação; logo, porque raio
estão as ex-colónias a darem mais luta do que nós? Cruzes canhoto até ouvi o actual
ministro da educação, no princípio do seu mandato, a dizer que o Acordo era
irreversível; mas ao que tudo indica os governos Africanos e a comunidade
cientifica do Brasil concordam em discordar dele.
Eu
estou, francamente, perplexa com o complexo de nhónhónhó dos portugueses – nem sequer
é de inferioridade, porque este implica ter algo na mente – são tão simplórios
que foram logo eliminando os “p e os c mudos” e o diabo a quatro. Pois bem meus senhores,
eu não concebo a minha vida sem palavras como “facto; percepção; baptismo;
recepção” e, por isso espero que os Angolanos, os Moçambicanos e eu possamos
contar com a vossa preciosa ajuda para convencer o Governo Português a adiar a
implementação do Acordo Ortográfico por um período de mil anos. Findo tal
período poder-se-á abrir as portas do inferno, e pôr a malta a falar
Luso-Brasileirês-Africanês-Lorosainês-cantonês-hindês, e seja o que os Povos
referendarem.
Espero
deferimento,
Lenny
Hannah
Lisboa,
4 de Janeiro de 2013
Lenny, Portugal não tem orgulho nenhum: então deixam-me as colónias fazer melhor figura que a metrópole? What kind of a country is that?
ResponderEliminarO novo acordo ortográfico é uma afronta e fico feliz pelos linguistas Brasileiros chegarem a essa conclusão e não engolirem esta imposição política.
Uma coisa é a língua evoluir naturalmente (como a introdução do "bué" e do "maningue" na língua portuguesa, em Portugal o que levou à introdução destas palavras nos nossos dicionários) outra coisa é o estado impôr-nos uma evolução por decreto de lei: escandaloso!!
Junto-me a ti, a Moçambique e a Angola neste combate à erradicação deste acordo!
Olá, Ana!
EliminarQuando se fala de um país e seu povo, este é o melhor país do mundo para se estar e viver. Quando se trata de intelectualidade sem amarras, este é o país com gente científica mais promíscua, pois em vez de defenderem a sua dama, estão enterrados na cama da classe política, e estão tão comprometidos que, seja lá o que for que um político decida, cada classe cientifíca junta a sua voz aos respectivos partidos.
Não existe o senso de lealdade ao seu dom; faz-me lembrar aquele período negro da Frelimo em 1977, quando decretou morte a vocação e vida as necessidades do país; capisce?
Bom já que Moçambique faz parte da Commonwelth, se Portugal não quiser repensar nesta futilidade ortográfica, atrevo-me a sugerir-lhes o seguinte: go for english, at least, one knows what to stand for!
Bjcas, darling!
Viva a língua portuguesa, abaixo o AO!
ResponderEliminarOlá, Anónimo!
EliminarViva Portugal, o seu povo e a língua portuguesa que é a nossa herança colectiva!
Um abraço
Olá Lenny,
ResponderEliminarAcabo de saber que a Sociedade de Autores Portuguesa rejeita o Acordo Ortográfico. Ainda estou à procura da notícia oficial (porque só encontrei artigos de blogues) mas ao que tudo indica os escritores Portugueses colocam-se ao lado de Angola e Moçambique na rejeição de tal acordo - diz-se que 2/3 de Portugal não aceita o acordo apesar da imposição governamental e da media.
Os Portuguese precisam de se unir contra este acordo vergonhoso. Cada país que fale a sua versão de Português mas que deixe Portugal in pax.
Beijocas