Quando o Crescimento Económico Não Se Reflecte na Vida do Povo



“A saída do Reino Unido abre oportunidade para que os estados possam aumentar as suas contribuições, nesta boa forma diplomática do comissário Oettinger, de 1% mais X” do Rendimento Nacional Bruto (i.e. PIB) e que “pela parte de Portugal, estamos disponíveis para o mais X” (fonte).

Analisando uma palavra contida na verborreia e - segundo o dicionário da língua portuguesa - oportunidade é 'um conjunto de circunstâncias propícias a algo num determinado momento ou qualidade de oportuno'. Então, naquela construção frásica a palavra “oportunidade” é um oxímoro pois, devido ao Brexit, Portugal terá de abrir os cordões à bolsa e isto representa inconveniência de todo o tamanho. Afirma-se ainda o seguinte “estamos disponíveis para o mais X” - outra miragem.

Bem sei que em Portugal, diariamente, a corneta faz constar que vivemos no oásis do deficit que está abaixo de... pouco me importa; a UE veio a terreiro dizer a mesma asneirada, a quase acusada de corrupção Christine Lagarde do FMI veio propalar o mesmo, o INE papagueia a mesma treta; e o PR repete a ladaínha como ninguém.   

Ó António Costa, vossemecê está mesmo convencido de que os números que assobiam a subida da economia para 2,7% no papel representam alguma coisa? Guterres teve um crescimento económico de 4% e saiu do governo com os cofres da nação vazios. Não me entusiasmo com falsidades de números para entreter pacóvios; veja o António que Moçambique teve um crescimento de 8%...sabe o que isto quer dizer? Que el pueblo está muerto...

Eu não acredito em nada que venha do mentiroso do seu Ministro das Finanças Centeno, nem sequer no marketing lançado pela Internacional Socialista acerca de Portugal, até que vossemecê resolva as seguintes necessidades básicas:

  • Tem cidadãos a receber de pensão mensal €169 
  • Tem cidadãos velhinhos com pensões miseráveis a pagar taxas de água, electricidade e gás superiores ao consumo real de cada um dos serviços; e até os que beneficiam da tarifa social ficam engasgados devido à taxação.
  • Tem cidadãos que devido à miséria da pensão requereram o complemento solidário para idosos (que no site da Segurança Social lê-se “um valor que pode ser no máximo de 423,60€ por mês, durante 12 meses”) e, surpresa das surpresas, fomos informados de que tal valor nunca foi atribuído a viva alma em Portugal – já que quase sempre se atribuiu entre noventa e cento e tal euros por requerente - anda o Centeno a fazer cativações com a restante soma de trezentos euros?
  • Tem cidadãos que em conjunto recebem dois salários mínimos, têm dois filhos, uma renda nos subúrbios de seiscentos euros, e não têm direito a qualquer subsídio para complementar o seu rendimento mensal porque os seus salários ultrapassam em €1 o montante estabelecido por lei para se candidatarem.
  • Tem escolas e instituições a cair de podre
  • Tem cidadãos frustrados porque vossemecê não foi capaz de lutar por uma medida perfeitamente exequível que seria o salário mínimo de €1.000.

Por isso, António Costa, apague da sua face esse risinho ridículo - do qual faz uso quando se sente encurralado pela realidade - porque parece que está a fazer troça do Povo. Quer ajudar a Europa a extorquir mais dinheiro às empresas de transacções financeiras, de economia digital e de empresas com actividades poluentes (com a criação de três novos impostos e taxas)? Vossemecê e a UE perderam a vergonha, porque não reduzem o número de tachos dessa gente que está a comer em Bruxelas; mas se não querem tomar medidas para salvar a UE, por favor, sejam felizes nessa vossa tentativa furada.

Tanta carneirada, já cansa.

Até para a semana.

(Imagem: António Costa na UE - Smooth FM)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence). © 2009-2018 Autor/a(es/as) TODOS OS DIREITOS RESERVADOS]

Comentários

  1. Olá Lenny,

    Quando todos repetem a mesma ladaínha de que tudo está bem (veja-se bem que até na Grécia agora está tudo uma maravilha, quase nas mesmas palavras): devemos desconfiar. Lembremo-nos do Brasil no tempo da Dilma, em que tudo ia bem, o crescimento económico era fabuloso, criou-se uma classe média fictícia, um paraíso...mas foi tudo cozinhado nos livros.

    Em Portugal temos idosos a viver com uma pensão tão parca que chega a envergonhar um cidadão decente. No entanto, os políticos da geringonça (e alguns à direita) parecem desfazados da realidade, não é? É natural, afinal a eles não vivem só com 400 euros por mês, ou menos (como em muitos casos).

    Há tanto para se discutir acerca da realidade do Povo...

    Bom trabalho, Lenny. Perdoa-me o comentário feito à pressa (se houver erros, já sabes...corrigi-los).

    Beijocas

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    1. Olá, Max!
      Um bom comentário, minha cara, obrigada!
      Em menos de um fósforo a Grécia estará novamente a ultrapassar Portugal, só que desta vez não será a Goldman Sachs a executar enhancement programs, swaps, hedge fund: serão as falsidades da UE.
      A realidade do povo é alimentar pançudos; ou duvidas?

      Beijocas

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  2. Precisamos que os portugueses se insurjam contra as injustiças sociais que acontecem no nosso país! E a solução não são os esquerdistas, nem as gajas do BE, somos nós o povo exigir uma verdadeira mudança!!!

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    1. Olá, Anónimo!
      No dia em que o povo decidir tomar medidas: marcharei na avenida enrolada na bandeira portuguesa.

      Cumprimentos

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  3. Xiii mana, nós somos pobres mas ao menos sabemos que somos pobres. Agora a tuga age como se fosse país do primeiro mundo e tem kokwanas a viver mal?!! Ewe, tá mal!

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    1. Olá, Carlitos!
      Yah, temos kokwanas, madalas e crianças a viver mal, sem necessidade, por que primeiro temos de encher os bolsos dos políticos corruptos e insensíveis ao sofrer do povo.
      Atenção a tuga é um país industrializado, só que os salários não acompanham a evolução da sociedade portuguesa e, tudo quanto basta é só um pequeno gesto: €1.000 salário mínimo, 15% de IRC e controlo das rendas de casa.

      Aquele abraço, resistente de Moza

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  4. E é com taxas e mais impostos camuflados de outras coisas que o nosso défice tá a ser mantido em baixo! Já para não falar nas cativações. Pá, só espero que no fim isto não seja como quando o Guterres saiu, ou como quando o Sócrates saiu! Beijinhos, lenny.

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    1. Olá, Cêcê!
      Em Portugal, o povo está a rezar para que esse déficit não seja fruto de uma engenharia financeira concocted pelo expert em Matemáticas: Centeno himself.

      Beijocas

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  5. Querida lenny, queria ver a cara dos nossos parceiros sociais ao lerem este artigo: salário mínimo de 1.000 euros? Mas quem é esta mulherzinha e como vamos abatê-la? Hehehehehehe a menina tenha cuidado que esta gente não tá para brincadeiras! Um abraço, JP

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    1. Olá, João Pedro!
      Confio nos meus cojones, meu caro. Havia uma cantilena comunista que dizia "camaradas não tenham medo do patrão" eu não tenho medo de ninguém nem de nada: tenho as costas largas ;)

      Um abraço, meu amigo!

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