Blind Trusts: Legais mas potenciais riscos para a Segurança Nacional

Salomé com a cabeça do Baptista de Caravaggio

Blind Trust: “Um fundo em que os executores têm total controle sobre os activos e, os beneficiários do mesmo não possuem qualquer conhecimento acerca dos investimentos realizados. Os blind trusts são, geralmente, utilizados quando o fundador do fundo deseja manter o beneficiário na obscuridade no que toca a certos activos, afim de evitar conflitos de interesse entre o beneficiário e os investimentos feitos.” (Fonte: investopedia/Tradução de Max Coutinho)

Quais as implicações deste tipo de Fundo e, deveria um político e, acima de tudo, um candidato às presidenciais investir num blind trust?
Um blind trust pode ter duas implicações:
  1. Os executores do fundo pegam no dinheiro do beneficiário e investem-no num pool de investimento usado para lavar dinheiro proveniente do Hezbollah, Hamas, Al-Qaeda e até do Irão. Basicamente, isto significaria que um político/candidato presidencial poderia estar a patrocinar actividades terroristas contra a nação que serve e protege/se propõe a servir e proteger.
  2. Já que o beneficiário de um blind trust não pode ser responsabilizado pela maneira como a carteira dos seus investimentos cresce (e.g. se um dia as autoridades descobrirem que o investimento do beneficiário serviu o propósito de lavar dinheiro de cartéis de droga ou de grupos terroristas, ele não será responsável por isso e poderá até evitar ser acusado de pôr em perigo a Segurança Nacional do seu país), qual o sentido de ética de um indivíduo que procura evitar ser responsabilizado pelos seus próprios investimentos?
O candidato às presidenciais, Mitt Romney, tem andado na linha de fogo por causa das suas contas offshore e pela relutância em partilhar a sua declaração de IRS (apesar de, no caso Americano, não ser obrigatório fazê-lo). Já tudo foi dito acerca das contas offshore e, se eu fosse a equipa de Mitt Romney trataria de resolver o assunto da declaração de impostos porque, politicamente falando, a situação transmite uma certa falta de transparência. Mesmo assim, Mitt Romney pode ter cometido suicídio político ao afirmar que os seus activos estãos cativos num blind trust e, que ele “nem sabe onde eles estão”...

Porque é que ele pode ter cometido suicídio político? Porque a sua afirmação pode indicar um padrão comportamental: comporta-te na Política como te comportas nos Negócios – se o Mitt Romney for eleito e, um dos membros da sua administração fizer uma asneira grave; Romney, como comandante-chefe, não assumirá total responsabilidade defendendo-se com “Eu nem sequer sabia o que ele/ela fazia”...

Para além disso, o candidato Romney poderá ter servido a sua cabeça numa bandeja de prata ao seu oponente: imaginem que alguém segue o rasto dos seus investimentos e descobre que o seu dinheiro foi injectado num pool de investimento usado para contornar as sanções financeiras contra o Irão (por exemplo)?

O blind trust de Mitt Romney pode muito bem passar de uma aposta contra o dólar para uma aposta contra a América...

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