Presidente Obama e a Direita Judaica: Se eu conseguisse achar as Palavras...

Rio Rodeado de Montanhas (Versão Nocturna) de Caspas David Friedrich

A Direita Judaica (tanto em Israel como no estrangeiro) está extremamente desapontada com o Presidente Obama; que foi acusado de não "gostar de Israel" e de ser um "esquerdista-que-odeia-Israel". Como foi que tudo começou?

Discurso Novo Começo (Cairo, 4 de Junho de 2009)
“É inegável que os Palestinianos tenham sofrido na busca de possuir uma terra. (...) Eles sofrem as humilhações diárias - pequenas e grandes - resultantes da ocupação.”

Comentário: Ninguém nega o sofrimento do povo Palestiniano; contudo deve-se questionar o emprego da palavra "ocupação" (ainda que o seu uso tenha tido como intenção o agradar às Nações Árabes); uma vez que a expressão a ser empregada deveria ter sido "território disputado". As palavras de um Presidente dos EUA Têm peso no mundo diplomático e, quando esse líder aparenta não compreender a diferença entre "ocupação" e "território disputado" (não "territórios" porque Israel retirou-se unilateralmente de Gaza, em 2005, e os Montes Golan estão a ser disputados com a Síria e não a Palestina) então os EUA, perante todo o mundo, estão a incentivar a vitimização & inacção Palestiniana, ao mesmo tempo que enfraquecem um aliado, Israel.
Para além disso, não é só Israel que os faz "sofrer humilhações diárias", é principalmente o corpo de líderes Palestinianos que sujeitam o seu próprio povo à falta de dignidade e à morte (do corpo, da mente e da alma).

“Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade dos crescentes colonatos Israelitas. Esta construção viola acordos prévios e  minam todos os esforços feitos para a paz. Está na hora de parar com estes colonatos.”

Comentário: Os acordos prévios exigiam que os Palestinianos "reconhecessem o direito à existência do Estado de Israel e renunciassem ao terrorismo como também a qualquer outra forma de violência e ao seu desejo de destruir o Estado Israelita”. Os Palestinianos violaram todo e qualquer ponto deste artigo; logo, os colonatos têm como raíz uma preocupação profunda com a Segurança Nacional Israelita, fundamentada pelas violações de "acordos prévios" por parte dos Palestinianos. Está na hora de parar com essa violações.

Discurso Acerca do Médio Oriente (Washington D.C, 19 de Maio de 2011)
“Os Estados Unidos acreditam que as negociações devessem resultar em dois estados, com fronteiras Palestinianas permanentes com Israel, Jordânia e o Egipto e, fronteiras Israelitas permanentes com a Palestina.”

Comentário: Isto faz lembrar o colonialismo Britânico, que na sua suprema arrogância, pensou que tivesse a autoridade para "criar" nações no Médio Oriente para apaziguar os Árabes e manipular as políticas na região.

“As fronteiras de Israel e da Palestina dever-se-iam basear nas linhas de 1967 com trocas mútuas de terra, para que se estabeleçam fronteiras seguras e reconhecidas para os dois estados.”

Comentário: A Direita Judaica ficou enfurecida com esta passagem; teve razões para tal? Sim (porque é um facto histórico que a Cisjordânia é historicamente território Judaico que foi recapturado durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967) e Não (porque ao adicionar "trocas mútuas de terra" o Presidente Obama reconhece a impossibilidade das fronteiras de 1967, em termos de segurança. As "linhas de 1967" servem como base de negociação e não como uma concreta fronteira).
N.B: deveria ser do conhecimento geral, que antes da Guerra de 1967 não havia Palestina: havia Egipto e Jordânia. Logo, tecnicamente os Palestinianos não deveriam ter autoridade para reclarmar fronteiras de territórios por eles rejeitados e; tecnicamente o Presidente Obama deu um presente (i.e. matéria com que trabalhar) a Israel. 

Discurso na ONU (New York; 21 de Setembro de 2011)
 “Cabe somente aos Israelitas e ao Palestinianos - não a nós - chegar a um acordo sobre os assuntos que os dividem: fronteiras e segurança; a questão dos refugiados e Jerusalém.”

Comentário: Esta declaração é uma clara admissão de que um erro fora cometido pelo Presidente Obama, em Maio desse ano - os EUA podem, e devem, mediar as negociações mas não podem "criar" as futuras fronteiras entre Israel e a Palestina.

Nota Final
A Direita Judaica deveria sempre lembrar-se da imagem do Presidente Abbas a abanar a sua cabeça, em total derrota, na Assembleia Geral da ONU, em Setembro passado, quando Barack Obama, enquanto comandante-chefe dos EUA, ralhou com o Povo Palestiniano pela sua constante violência, por assassinar Israelitas, por serem anti-Semitas, por quererem deslegitimizar Israel e, lembrou-lhes que qualquer tentativa de isolar Israel junto da ONU não iria resultar num Estado Palestiniano Independente. Isto foi politicamente histórico: nenhum outro Presidente Americano (Republicano ou Democrata) o havia feito antes.
Por isso, se a Direita Judaica está contra o Presidente Obama não é por causa da sua falta de apoio e empenho para com a causa Israelita; deve ser por outra razão obscura...

Comentários

  1. Não nego o apoio do presidente Obama a Israel, mas também não nego que os EUA contribuam para a deslegitimização de Israel (para a qual a esquerda Judaica muito contribui também).

    E sim, nem todos parámos para fazer esta análise profunda dos discursos do presidente dos EUA.

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    Respostas
    1. Olá Anónimo :D!

      "Não nego o apoio do presidente Obama a Israel, mas também não nego que os EUA contribuam para a deslegitimização de Israel (para a qual a esquerda Judaica muito contribui também)."

      É verdade...

      Caro Anónimo, muito obrigada pelo seu comentário :D. Volte sempre.

      Um abraço

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