A Lusofonia: Moçambique



Moçambique possui uma rica história pré-colonial, que podes ler Aqui se tiveres curiosidade.
Mas como o propósito desta série é promover os Descobrimentos Portugueses, iremos de imediato abordar a história colonial do país que me viu nascer.

1497: Vasco da Gama chega a Moçambique (mais especificamente à Província de Inhambane, a qual baptiza de "Terra da Boa Gente" visto ter sido tão bem recebido pelos nativos).

1530-1544: São construídos os primeiros colonatos Portugueses em Sena, Tete e Quelimane (na costa do Oceano Índico), controlando, assim, a rota entre as minas e o oceano.

1600-1607: Portugal começa a enviar, para Moçambique, colonos que começaram a casar com as filhas dos chefes, afim de criar linhagens poderosas (devido às ligações comerciais e agrícolas).



Controlar Moçambique, não foi uma tarefa fácil porque a região era composta por 3 principais Impérios:

O Império dos Mwenemutapas (localizado a Sul do Rio Zambeze - entre o planalto do Zimbabwe e o Oceano Índico - que controlava a maioria das minas e a metalurgia de ouro e ferro).
O Império Marave (localizado a Norte do Rio Zambeze; conhecido por ser uma sociedade matriarcal; pela sua agricultura e exército organizado).
O Império de Gaza (que cobria toda a zona costeira da área entre os Rios Zambeze e Maputo; tendo como capital Manjacaze [no que hoje é Gaza]. Este Império controlava o comércio do marfim e, ao contrário de outros impérios, não transaccionava escravos).

Entretanto (durante o século XIX), várias companhias Europeias estabelecem-se em Quelimane para comprar amendoins, gergelim e copra (demandados pelas recém-criadas indústrias de óleos e sabão, entre outras). Durante o terceiro quarto do século, a escravatura é abolida (por decreto real) e, assim, Moçambique é transformado num país produtor de bens (de consumo local e exportação - para a metrópole). Os Ingleses e os Holandeses expressam o desejo de possuir o território (na Conferência de Berlim - Partilha de África).

Portugal só toma total controle da nação, no seu todo, em 1900 (após combater Gugunhana - o último Imperador de Gaza - durante 6 anos; uma vez que ele não simpatizava com os Portugueses e, ainda por cima, concedeu os direitos de exploração das suas minas à Companhia Britânica, sediada na África do Sul).




Durante os primeiros 3/4 do século XX, Moçambique testemunha o desrespeito pelos seus nativos (ex: cada trabalhador recrutado, pelas minas da África do Sul, tinha de dar metade do seu salário [em ouro] à colónia; não podiam professar as "religiões" tradicionais [a Igreja Católica tinha como função educar os nativos, i.e. assimilá-los]; os nativos sofriam repressões enquanto que os pobres da metrópole eram encorajados a emigrar para Moçambique); assiste a uma leve industrialização da nação; trava a guerra da libertação (1964-1974); e obtém a independência no dia 25 de Junho de 1975 (sob a liderança do comunista, Samora Machel, que nacionalizou tudo e mais alguma coisa). A maioria dos Portuguese (e aqueles que não se identificavam com o novo regime) migraram para Portugal, África do Sul, Brasil e Inglaterra.

1976-1990: Guerra Civil.


(Caminhos de Ferro de Maputo)

População
Moçambique tem, aproximadamente, 19,286,000 cidadãos (dados de 1999) - e a taxa de crescimento populacional continua a aumentar apesar da guerra, catástrofes naturais, endemias e epidemias.
É uma nação multiracial onde se professam várias religiões (sendo as mais comuns: o Catolicismo, o Anglicanismo, o Evangelismo, o Islamismo, o Hinduismo e o Animismo), não obstante, é muito comum fazer recurso à feitiçaria (não há uma família Moçambicana que não tenha pelo menos um feiticeiro - quer seja por linhagem ou através da "compra do dom").

Língua
A língua oficial do país é o Português.
Contudo são falados outros dialectos: xiRonga (Província do Maputo); xiChangana (Província de Gaza); xiChope & biTonga (Província de Ihambane); xiSena (Província da Beira); eChuwabo (Província de Quelimane); eMacua (Província de Nampula: Nhakala, ilha de Mozambique); kiSwahili (Províncias de Cabo Delgado e Niassa).

Música
A identidade musical nacional é a Marrabenta. A palavra deriva do Português "rebentar" e, refere-se às cordas da guitarra que se quebravam facilmente (visto que os instrumentos eram feitos de lata e madeira).
A Marrabenta é, originalmente, cantada em xiRonga, contudo hoje em dia os cantores (mais modernos) já misturam o xiChangana. O seu tema é a crítica social e o amor. Os cantores, deste género musical, mais famosos são o Fany Pfumo e o Wazimbu (os puristas; i.e. cantam somente em xiRonga) [Um comentador, Anónimo, recomendou também Dylone Nginge]
Contudo, Moçambique também produz outros géneros tradicionais: Xigubu (dança/música guerreira), Makwaela e a Marimba (dos Marimbeiros de Zavala - da Província de Inhambane).
Hoje em dia, a nação também aprecia (e produz) Zouk, R&B, Jazz, Passada (prima da Kizomba), Kwaito (da África do Sul), Kwassa-Kwassa (soukous) e o Dzukuta.

Esta semana começaremos por ouvir o Wazimbu a cantar "Nwahulwana" (Ave da Noite). Pedi à minha mãe que me traduzisse a esta música para que vos pudesse oferecer a sinopse da história contada pelo cantor:
“Maria é uma bela jovem, que tem um homem diferente todas as noites. Então, o Wazimbu pergunta-lhe 'minha irmã, até quando vais contar homens nas ruas? Se continuas assim, minha querida, quem irá querer casar contigo?' e assim continua ele a expressar a sua tristeza (perante o estilo de vida da moça) e a afirmar o quanto ela desperdiça a sua vida”
Apreciem!



Próximo Porto: Brasil

Comentários

  1. Max
    É muito legal conhecer outras culturas, muito boa a sua descrição de Moçambique.
    O que mais me chamou a atenção é o fato de em cada família ter pelo menos um feiticeiro e o que me deixou curiosa é o fato deles comprarem o dom...
    Muito legal a foto e o vídeo, a música é calma e o cantor é bem expressivo.

    Quer dizer que o próximo é o Brasil???
    Legal!!!Estou curiosa.

    :)

    beijos

    ResponderEliminar
  2. Oi Dri :D!

    "É muito legal conhecer outras culturas, muito boa a sua descrição de Moçambique."

    Obrigada, minha linda!

    "O que mais me chamou a atenção é o fato de em cada família ter pelo menos um feiticeiro e o que me deixou curiosa é o fato deles comprarem o dom..."

    LOL é verdade, alguns compram o dom (o que não é nada bonito, porque isto implica o uso de magia negra para adquirir poderes, o que é um horror - a energia dessas pessoas é extremamente pesada).
    Já os que receberam o dom de Deus (linhagem, porque passa sempre para algum membro da família ao longo de gerações) têm uma energia muito boa.

    "Muito legal a foto e o vídeo, a música é calma e o cantor é bem expressivo."

    Eu adoro esta música. Sabias que o Sean Penn é que a trouxe para este lado do mundo? Ele incluiu-a num filme seu, intitulado "The Pledge" com o Jack Nicholson.

    "Quer dizer que o próximo é o Brasil??? Legal!!!Estou curiosa. :)"

    É sim! :D Vamos lá ver se farei justiça ao vosso maravilhoso país :D!

    Dri, obrigadão pelo teu comentário e apoio :D!

    Beijos

    ResponderEliminar
  3. Que mundo maravilhoso o da África e da lusofonia. Apesar da história de dores, tanto aí como cá, nós dançamos e cantamos. Isso nos reanima, nos dá novas energias e nos ajuda na caminhada.
    Maravilha de postagem, Max.

    Abraço fraterno.

    ResponderEliminar
  4. Oi Lula :D!

    "Que mundo maravilhoso o da África e da lusofonia. Apesar da história de dores, tanto aí como cá, nós dançamos e cantamos. Isso nos reanima, nos dá novas energias e nos ajuda na caminhada."

    Absolutamente: agora disseste tudo :)!
    Sem dança não há vida.

    "Maravilha de postagem, Max."

    Obrigada, Lula...e obrigada pela tua generosidade :D!

    Abraço

    ResponderEliminar
  5. Oi max....estou fazendo um trabalho de praticas educativas na minha faculdade de letras sobre a lusofonia eo meu país é moçambique...achei muito legal o seu blog e espero encontrar aqui muitas coisas legais sobre os países lusófonos....
    um abraço, Nathalia

    ResponderEliminar
  6. Oi Dédé :D!

    Bem-vinda ao Etnias :D!!

    Que bom que gostaste do meu blog :D! Tentarei sempre postar assuntos Lusófonos.

    Espero que voltes, a tua presença é imprescindível! :D

    Um abraço

    ResponderEliminar
  7. nao sei porquê, mas eu tenho uma relacao muito muito forte com mocambique..:Se vc me pergutnar que pais, depois do Brasil, eu amo mais, sem dúvida, será Mocambique..Amo cada centimetro daquele pais, Max...Amo tanto que choro quando embarco e ao chegar...Uma alegrai toma minha alma, meu ser flutua e eu sou sincera: UM DOS MOTIVOS DO MESTRADO É A MINHA VONTADE EM COMANDAR O ACNUR EM MOCAMBIQUE. NAO SEI COMO E PORQUË, MAS AINDA EI DE VOLTAR POR LÁ...

    EU TENHO ANCESTRAIS EM MOCAMBIQUE..E PORTUGAL...ALÉM DO PAIS AFRICANO QUE NAO CONHECO:NIGÉRIA.

    ResponderEliminar
  8. Oi Grace :D!

    Tens antepassados em Moçambique, Portugal e Nigéria? Isso é que é um passado rico! :D

    Se Deus quiser hás-de voltar a Moçambique - worry not!

    Beijos e obrigada pela partilha

    ResponderEliminar
  9. Na musica deveria aparecer Dylone Nginge que ate Fany Fumo reconheceu como um dos reis da Marabenta porque quando se fala da marrabenta lembra-se mais de Fany Fumo e Dylone, Wazimbo nem tanto.

    ResponderEliminar
  10. Olá Anónimo :D!

    Só conheço Fany Pfumo mas não pude mencioná-lo na época (em que fiz este post) porque não encontrei nenhum video das suas músicas. O outro artista não conheço, mas poderei acrescentar à micro-lista: obrigada pela sugestão.

    Anónimo muito obrigada pelo seu comentário :D.

    Um abraço

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

O Etnias aprecia toda a sorte de comentários, já que aqui se defende a liberdade de expressão; contudo, reservamo-nos o direito de apagar Comentos de Trolls; comentários difamatórios e ofensivos (e.g. racistas e anti-Semitas) mais aqueles que contenham asneiras em excesso. Este blog não considera que a vulgaridade esteja protegida pelo direito à liberdade de expressão. Um abraço