A Divina Comédia da Paternidade



Não há nada mais lindo que a paternidade.

Olho para os pais de todo o mundo e sinto um enorme respeito por eles – educar uma criança, ou crianças, é uma enorme responsabilidade; e exige um alto nível de sabedoria, paciência, dedicação e (salvo algumas excepções) é a maior demonstração de amor que já alguma vez vi. Contudo, há situações (que involvem os pais) que me matam a rir...e por, isso decidi que iria partilhar com vocês aquilo que acho divertido acerca da paternidade, em três culturas diferentes (Latino-Europeia, Urbano-Africana, Anglo-Saxónica Europeia). Divirtam-se!

Um adolescente decide que já é hora da sua voz ser ouvida dentro da família. Por isso, começa a dar a sua opinião em assuntos que não lhe dizem respeito. Qual a reacção dos pais?
Pais Latino-Europeus: o pai vira-se para o miúdo e diz (aos berros) “Cala-te! Alguém te perguntou alguma coisa? Nesta casa quando um burro fala o outro baixa as orelhas!”
Pais Urbano-Africanos: a mãe olha para o miúdo e diz “Um dia quando tiveres a tua casa e, os teus próprios filhos poderás falar. Até lá, cala-te e, deixa estes assuntos para os adultos, ok? Agora, vai para a cozinha ajudar a Jacinta a limpá-la!”
Pais Anglo-saxónicos Europeus: a mãe (ou o pai) concordam com a criaturinha “Tem razão. Já está na hora de respeitarmos a sua opinião, porque afinal, tudo o que se decide aqui também o afecta. Prometemos que doravante sempre que precisarmos de ajuda, pedi-la-emos.”

Os pais tomam qualquer sorte de decisão (seja, o destino de férias, visitar a tia A ou B etc) e transmitem-na ao filhos, que discordam e propõem que a família vá a votos. Os pais respondem que a decisão está tomada, ao que os miúdos respondem “Eu pensava que isto era uma democracia!”. Qual a reacção normal a isto?
Pais Latino-Europeus: olham um para o outro (transparecendo, assim, um certo orgulho no seu progénito), riem, e o pai diz “Tás parvo, ou quê? Qual democracia? Isto é uma família...não um estado democrático!”.
Pais Urbano-Africanos: olham um para o outro (transparecendo, deste modo, o seu desapontamento) e, dizem “Democracia? É isso que se chama a falta de respeito, hoje em dia? Numa família, os adultos decidem e os miúdos obedecem. Porquê ir contra o sistema?”
Pais Anglo-saxónicos Europeus: olham um para o outro (tentanto esconder um sorriso de orgulho, sob pena que a criança se sinta desrespeitada) e dizem “Bem, nesta família impera a ditatura benigna!”

Durante uma discussão de família, o adolescente decide ser audacioso, e independente, o suficiente para erguer a voz aos pais, e dizer-lhe coisas horriveis e desrespeitosas. What a reacção deles?
Pais Latino-Europeus: o pai diz “Oh, Oh, Oh” aos berros; a mãe choraminga “Ai, nunca falei assim aos meus pais..nunca, nunca!” e, olha para o marido como que a ordenar-lhe que faça algo. O pai dá uma chapada no miúdo e diz “Se repetires a graçola mais uma vez; dou-te uma porrada tão grande que vais a Espanha e voltas e, mesmo assim, não saberás donde vieste, estás a ouvir? Agora pede desculpa à tua mãe, vá!!” [dando-lhe um carolo].
Pais Urbano-Africanos: a mãe levanta-se da cadeira e começa a dar uma porrada sério no filho, e pergunta “Quem é que pensas que és para me falar assim?” e, depois convoca a família inteira para uma reunião, afim de decidir que castigo aplicar na criança.
Pais Anglo-Saxónicos Europeus: ambos parecem magoados; mas mesmo assim vão ter tentar apelar à razão do jovem, compreender a raiz dos seus problemas e, (se necessário) marcar um consulta no pedo-psicólogo.

O adolescente começa a namorar. A reacção dos pais irá variar de acordo com o género da criança:
Pais Latino-Europeus: Menino “Filho, agora és um homem e, podes ter todas a miúdas que quiseres...mas já sabes: cuidado com essas doenças venéreas, esse tal AIDS/SIDA...e não engravides ninguém antes de acabares a escola!”. Menina “O QUÊ?! Só tens 17 anos, e já queres ser uma vadia...foi isto que a tua mãe te ensinou? Se engravidares, já sabes, ponho-te na rua ao pontapé! Ah, nos bons velhos tempos as mulheres acabavam a escola e depois ficavam à espera que os pais lhes arranjassem um bom homem de família!”
Pais Urbano-Africanos: Menino “Se a engravidares, certifica-te de que a família dela entende que, lá na terra, só temos 10 vacas para dar como contribuição!” Menina “Se engravidares, certifica-te de que a família dela entende que não aceitamos menos de 20 vacas e 7 bois!”
Pais Anglo-Saxónicos Europeus: Menino “Tenha em atenção as doenças modernas; não engravide a menina; e lembre-se de respeitá-la sempre!” Menina “Querida, não quero parecer um bota de elástico, mas procure respeitar-se, tome as decisões certas e lembre-se que uma mulher que não acabe os seus estudos está condenada a ser tratada abaixo de cão!”

E na tua cultura: como seriam as reacções a este tipo de situações?


Imagem: St Francis em êxtase (detalhe) de Caravaggio

Comentários

  1. Poxa vida, Max, esse assunto mexe comigo. Gostaria de ser pai, mas fico em dúvida sobre qual a melhor forma: inseminação artificial (barriga de aluguel) ou natural. Mesmo hoje em dia ainda é complicado fazer a escolha certa. :-)

    Bom, quanto ao texto propriamente, é um assunto ainda muito complexo. Infelizmente, não chegamos a um bom-senso, nem por parte dos pais e muito menos por parte dos filhos. Os primeiros ainda se ressentem do modo como foram tratados e os segundos querem cada vez mais liberdade. :-)

    Será que ainda chegaremos a um equilíbrio?

    Tenha um belíssimo final de semana! :-)
    Beijos!
    Juca

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  2. OI max

    Muito bom, realmente é cômico,LOL

    Me diverti muito

    beijos

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  3. Oi Adriana,

    LOL Ainda bem, minha linda!! Fico feliz por te teres divertido :D!

    Obrigada pela visita :D!

    Beijos

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  4. Oi Juca :D!

    "Poxa vida, Max, esse assunto mexe comigo. Gostaria de ser pai, mas fico em dúvida sobre qual a melhor forma: inseminação artificial (barriga de aluguel) ou natural. Mesmo hoje em dia ainda é complicado fazer a escolha certa. :-)"

    Gostarias :D? Que lindo!! Ai, gostaria de te poder ajudar a decidir, mas há tanta coisa a tomar em consideração...que fico sem saber o que dizer! Mas acho que deves ser pai se é mesmo isso que queres :D!

    "Bom, quanto ao texto propriamente, é um assunto ainda muito complexo. Infelizmente, não chegamos a um bom-senso, nem por parte dos pais e muito menos por parte dos filhos. Os primeiros ainda se ressentem do modo como foram tratados e os segundos querem cada vez mais liberdade. :-)"

    É verdade. Mas não acho que os miúdos devam ter tanta liberdade assim...acho que limites (dentro do bom senso) são necessários, e a disciplina é crucial). Nos últimos 20 anos revolucionou-se a maneira de educar as crianças e o mundo piorou em termos de respeito pelo próximo.
    Por isso, sou a favor de um equilibrio, de disciplina equilibrada!

    "Será que ainda chegaremos a um equilíbrio?"

    [lol ainda não tinha lido esta parte] acho que sim, que chegaremos, lindo!

    "Tenha um belíssimo final de semana! :-)"

    Obrigada, Juquinha!

    Boa semana para ti
    Beijos

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  5. Juca...

    Desculpa...esqueci-me de agradecer pelo teu comentário sincero e querido!


    Obrigadão!

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  6. Texto muito divertido! Reconheci o discursos de meus pais em algumas situações - nunca nas dos pais Anglo-Saxónicos-Europeus. Porque será? risos

    Pena que para repassar para meus amigos eu teria que traduzir para o Português Brasileiro. ;-)

    Beijos

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  7. Oi Carla :D!

    LOL Os Anglo-saxónicos têm os seus próprios métodos, mas para dizer a verdade nem sempre resultam.

    Se quiseres podes traduzir para o Português do Brazil, não tem problema :D!

    Obrigada pela visita, linda; e fico feliz por teres gostado!

    Beijos

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  8. Max, eu invejo aqueles que são pais. Eu nem penso nessa possibilidade. A responsabilidade é muito grande, e a sua doação deve ser imensa. Qualquer um pode ser pai, mas ser o PAI é que é difícil.
    Beijos!!!

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  9. Oi Cidão,

    Agora falaste tudo: qualquer um pode fazer um filho, mas ser Pai já é outra história!

    É por isso que digo sempre, que antes de fazer filhos há que pensar muito bem no quanto se está disposto a abdicar!

    Obrigada pelo teu pensamento, lindo!

    Beijos

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