Contraterrorismo: Contra-Radicalização via Aulas de Secularismo?


Contra-radicalização é uma Medida Holística posta em prática com antecedência afim de evitar que a ideologia violenta se enraíze. Esta medida é apreciada por algumas pessoas ligadas à religião, assistentes sociais e alguns políticos. Mas quão eficaz será? Comecemos o debate e vejamos.

Um artigo intitulado “Taking Jihad to School – French Programs Emphasize Secularism”, da autoria de Abigail R. Esman, explica como a França – desde os recentes ataques terroristas em Paris – se tem concentrado na luta contra a radicalização da juventude muçulmana através do ensino do secularismo:

'Deste 2012, por exemplo, a Universidade Católica de Lyon tem oferecido aulas de secularismo para imames e outros muçulmanos que trabalham no universo cívico. Após o ataques de Janeiro, segundo relatórios recentes de Elisabeth Bryant, a França planeia decretar que tal instrução seja obrigatória em todo o país, inscrevendo “centenas de imames” e “capelães que operam nas cadeias ou nas forças militares”. As prisões são conhecidas por serem ninhos do Islão radical e da recruta para a Jihad; Coulibaly converteu-se ao Islão radical enquanto cumpria pena na Prisão Fleury-Mérogis, tal como Cherif Kouachi, um dos irmãos que perpetrou o ataque de 7 de Janeiro ao Charlie Hebdo.

Mais importante ainda, a França está neste momento a levar a sua guerra contra o Islão radical e contra o racismo para as escolas, onde os professores estão a receber formação e acrescentam-se ao currículo escolar cursos de secularismo e ética. É uma iniciativa que o resto da Europa – e os Estados Unidos – deveriam pensar em seguir também.'

Esta empreitada francesa apresenta um sério problema: pode estar a desrespeitar o Islão. Esta fé afirma que o secularismo é Kufr (descrença):

“O secularismo é baseado na separação entre a religião e todos os outros aspectos desta vida e, logo, rege-se por leis e regulamentos diferentes das leis de Alá. Deste modo, o secularismo rejeita as regras de Alá sem excepção e prefere regulamentos que recaem fora da lei de Alá e do Seu Mensageiro. Na verdade, muitos seculares defendem que as leis de Alá podem ter sido úteis no tempo em que foram reveladas mas que agora estão ultrapassadas. Como resultado, a maioria das leis que governam a vida diária nos países regidos por sistemas seculares contradizem o Islão.” (fonte, em inglês)

O que é que a Universidade Católica, em Lyon, estava/está a tentar fazer: encorajar os imames franceses a revolucionar o Islão por fora (i.e. na diáspora)? Neste caso, a contra-radicalização pode ser comparada a um espécie de coacção: se vocês quiserem viver em paz no nosso seio, terão de mudar o Islão ou mudar a maneira como o Islão é praticado no Ocidente. A priori, parece um bom plano; mas um que coloca um problema severo, especialmente quando os muçulmanos rezam virados para Meca, na Arábia Saudita – o Supremo Minarete – um país que professa a forma mais “pura” do Islão. Mas ainda que os imames franceses estejam dispostos a participar nas aulas de secularismo, que garantias teremos de que eles têm a autoridade para praticar uma forma de Islão diferente? Que mensagem estão a enviar à Arábia Saudita? E mais, que tipo de precedentes é que esta medida holística abrirá?

França, com esta medida, poderá estar a mexer num vespeiro – a Universidade Católica tem vindo a dar aulas de secularismo e ética aos imames, e líderes comunitários, desde 2012 (ignorando, assim, a diferença gritante entre o cristianismo e o Islão [o secularismo não desrespeita o primeiro] e sugerindo que a ausência de ética Islâmica); mas quantos ataques terroristas islâmicos tem o país vindo a sofrer desde esse ano? 14 (6 em 2012; 2 em 2013; 2 em 2014; 4 em 2015) mais 5 ataques frustrados desde as tragédias do Charlie Hebdo e do Supermercado Cacher. À luz destes factos, poder-se-á dizer que a empreitada católica falhou (especialmente quando as provas revelam o aumento da letalidade do terrorismo islâmico, na Europa). Logo, quais serão as repercussões de obrigar os alunos muçulmanos a terem aulas de secularismo e ética nas escolas do estado? Os países europeus e os EUA deveriam pensar duas vezes antes de seguir o exemplo francês.
O tempo urge, as ameaças estão a aumentar e as medidas holísticas não parecem estar a melhorar a situação. Porquê? Porque são criadas sob a perspectiva ocidental; são construídas sobre os pilares dos nossos valores democráticos e os nossos modelos morais; porque evitam encarar o problema de frente (chamando-o pelo seu nome) e, por isso, jamais poderão produzir frutos saudáveis.

Antes de pedirmos ás forças militares para abrandarem as suas operações, deveríamos ter aulas acerca do Islão e do Médio Oriente (a fonte da mentalidade). Precisamos de aprender conceitos como identidade colectiva religiosa (algo de que o Ocidente secular nada sabe), precisamos compreender que a comunidade islâmica tem tentado mudar e adaptar-se a nós há séculos sem sucesso, já que a tradição islâmica vem sempre em primeiro lugar. Tentar ignorar isso tudo, tentar impôr a nossa perspectiva de vida ao Islão, torna qualquer projecto, por mais bem intencionado que seja, nulo; já que se deparará sempre com resistência e ressentimento.

Então, a contra-radicalização funciona? Não nos presentes moldes, não enquanto continuarmos a olhar para o problema sob a nossa perspectiva arrogante, condescendente e delusora. E certamente, jamais funcionará enquanto o outro lado se recusar a ouvir, a fazer concessões e a querer mudar por si, para si.

(Imagem: Demónio - Mihály Zichy)

Comentários

  1. Olá, Max!
    Todas essas porras são uma farsa. Lá está o ocidente a querer revelar-se superior aos outros e ao mesmo tempo permitindo a prolefiração do terror no ocidente e morte de pessoas.
    A única maneira de não ter a guilhotina islamica sobre o pescoço: és bem vindo ao ocidente, no qual a maioria do povo é cristão, se trazes algo de novo para enriquecer a cultura dos respectivos povos.
    Podes praticar a tua religião, não podes construir minaretes nas tuas mesquitas, a tua vestimenta deve obedecer as regras deste lado: podes usar lenço na cabeça mas estás interdito de usar burkas, chador, niqabs os homens podem usar chapéus mas é-lhes interdito o uso do thobe
    se fores apanhado a cometer actos de terror contra outras religiões e propriedade alheia serás preso e deportado e perdes direito ao solo se por acaso o tivers.

    Como se pode ver são simples regras e fáceis de seguir. Quanto ao secularismo é bom para o Estado; mas cada indivíduo pode guiar-se pela sua ética religiosa desde que não interfira com os direitos e garantias dos outros cidadãos.
    O Estado é que deve ser neutro e garantor da lei e ordem. E se houver um ataque perpetrado por muçulmanos, as autoridades embore tenham as ruas vigiadas para evitar banhos de sangue, devem sem paninhos quentes, dizer que foi um ataque islâmico; assim essa rapaziada saberá que não pode perder a noção do perigo, quando incompreensivelmente e injustificadamente atacam outros cidadãos baseados nas suas crenças.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Lenny :D!

      Na minha opinião, estas medidas holísticas só servem para proliferar ainda mais as loucuras desses islamistas doidos. Como dizer a pessoas que desejam regressar à "forma pura" do Islão que o secularismo é o melhor caminho ou que eles podem integrar-se nele? É uma loucura. E depois, querem tomar estas medidas ao mesmo tempo que se permite que vistam burqas e thobes e etc? Ok, no caso francês não direi, já que proibiram o uso desses trajes; mas e no resto da Europa e nos EUA?
      Devemos pensar bem antes de fazer sugestões parvas.

      São regras sensatas a meu ver; particularmente quando nós nos temos de vergar às regras deles quando visitamos os seus países. Digam-me quantas igrejas, sinagogas ou templos hindús existem na Arábia Saudita? Nenhum. Já na Europa diz-se haver 10,000 mesquitas - mas o que é isto?
      Uns e outros gostam de falar de justiça e de igualdade, mas é só para alguns e só para algumas situações. São esses que nos arrastarão para a próxima guerra europeia.


      "se houver um ataque perpetrado por muçulmanos, as autoridades embore tenham as ruas vigiadas para evitar banhos de sangue, devem sem paninhos quentes, dizer que foi um ataque islâmico"

      Absolutamente.

      Lenny para PM, agora! :)

      Minha linda, obrigada pelo teu super comentário :D.

      Beijocas

      Eliminar

Enviar um comentário

O Etnias aprecia toda a sorte de comentários, já que aqui se defende a liberdade de expressão; contudo, reservamo-nos o direito de apagar Comentos de Trolls; comentários difamatórios e ofensivos (e.g. racistas e anti-Semitas) mais aqueles que contenham asneiras em excesso. Este blog não considera que a vulgaridade esteja protegida pelo direito à liberdade de expressão. Um abraço