Sexy - O Fim do Conto

Retrato de uma Senhora - Jacopo Amigoni

MARIA JOSÉ : O senhor é casado?
JORGE: Não, porquê? Deveria?
[VOZINHA: Pica-o, não tenhas medo.]
MARIA JOSÉ: Só acho esquisito que, um rapaz da sua idade esteja aqui fechado num casa paroquial, com tantos outros intereses lá fora. Os senhores são mesmo irmãos?

O padre percebeu a picadela, mas preferiu fazer-se de desentendido. No entanto, esclareceu que eles eram irmãos da mesma mãe e do mesmo pai; que o Jorge era o mais novo de uma ninhada de doze filhos, sendo ele [padre] mais velho que o seu maninho vinte anos.
Enquanto padre relatava a história da sua família e, igualmente, preferindo ignorar a provocação lançada pela senhorita Maria; Jorge deu consigo a pensar que, era um indivíduo afortunado, por ter nascido no seio de uma família fabulosa.
No seu núcleo, ele aprendera os valores, a convivência com outros seres, o auto-domínio, a gestão e o controle de certas situações que, mais tarde na sua vida, o ajudaram a vencer obstáculos sem grandes constrangimentos. Ternamente, recordara que numa família grande, o amor tem vários rostos e sendo o mais novo fora amado diferentemente por cada elemento do seu clã e isso marcara-o para todo o sempre.
O seu falecido pai incutira-lhe a paixão pela leitura e, apesar de ter sido um homem de poucas falas, indicava-lhe sempre o melhor caminho para solucionar os seus pequenos problemas. A sua mãe, uma senhora apaixonadíssima pela vida, fazia tudo com uma pitada de com amor; até quando estava desapontada o seu tom de voz nunca denunciou ira ou angústia.
Embora Jorge pensasse que, se ela tivesse tido menos filhos ou se tivesse permanecido solteira, talvez ela tivesse sido uma artista de craveira internacional.
Dos seus onze irmãos, uns consideram-no subalterno, outros seus melhores amigos, outros ainda os seus guardiãs.
Porém os favoritos de Jorge são o Padre Jesualdo e o par de gémeos, porque são os menos severos, nunca tiveram necessidade de o sufocar nem com amor nem tão pouco com excesso de zelo: eles concederam-lhe sempre espaço de manobra. Mas, está grato a cada um dos seus irmãos pelo primeiro empurrão em direcção ao mundo, pois dentro daquela família havia de tudo; desde o diplomata ao terrorista. Estava a agradecer a Deus por lhe ter proporcionado conhecer este grupo como família porque, através do seu amor e da sua união, conseguiram fazer com que as dificuldades, decepções e provações que a vida lhes ofereceu fossem encaradas com serenidade. A revisitação ao seu passado foi subitamente interrompida pelo seu irmão com uma estrondosa palmada em cima da mesa e:

PADRE JESUALDO: Um tostão pelos teus pensamentos!
JORGE: Desculpa, Waldo, disseste alguma coisa?
PADRE JESUALDO: Eu estava a dizer à menina Maria que na nossa casa sempre houve muito amor e que, mesmo perante o surgimento de  dificuldades tudo era mais ou menos ultrapassado sem grandes choques. Lembras-te da alegria que era quando nos sentávamos à mesa e a mãe e o pai a servirem-nos? E as regras coladas numa das paredes da cozinha? E quando cada um de nós tinha que relatar o seu dia?
JORGE: Acho que foi a melhor maneira que eles encontraram para prevenir que falássemos todos ao mesmo tempo. E no Verão, lembras-te dos banhos na quinta da avó Jacinta ?
PADRE JESUALDO: Eram às cinco da tarde, à mangueirada com a água do poço. Bons tempos aqueles!
[VOZINHA: Estes dois palermas esqueceram-se de ti! Vê tu que lata, a armarem-se em superiores, é tipico da burguesia! Só eles é que são felizes, só eles sabem, só eles e mais ninguém conta. Pisga-te, estou desde o princípio a dizer-to.]

Maria de Jesus, limpou a sua garganta umas três vezes, sem no entanto receber atenção de nenhum dos irmãos, que estavam completamente embrenhados a recordar a sua meninice. À quarta vez fê-lo acompanhando com uma tossidela, sem olhar para ela o Jorge disse :

JORGE: Senhorita, nós sabemos que está aí.
[VOZINHA: Que arrogância! Olha, avisei-te bem; deverias ter ficado em casa a comer umas Pringles, umas Oreos e aquelas pipocas com açúcar que só tu sabes fazer; mas fazes sempre ouvidos de mercador, até levares na cabeça, como é o caso agora. Poupa-me, não recomeces com as tuas choradeiras.]
MARIA JOSÉ: O senhor não gosta de mim, pois não? Que mal lhe fiz eu?  Que eu saiba não lhe devo nada!
PADRE JESUALDO: Ó menina Maria, queira desculpar a nossa falta de tacto, afinal de contas, deviamos estar mais concentrados em ajudá-la e encaminhá-la de modo a resolver o seu problema. Jorge, podes pedir a um dos teus colegas que indiquem um bom psicólogo a menina Maria.
MARIA JOSÉ: O senhor é médico?
JORGE: É um facto.
MARIA JOSÉ: Qual é a sua especialidade, ou acha que estou a querer saber demais?
PADRE JESUALDO: O meu maninho é neuro-cirurgião.
[VOZINHA: Olha onde vieste parar, nas mãos de um mutilador de crânios, que te quer entregar aos cuidados de um gajo que provavelmente é a reedição de um Freud mais marado que o original.]
MARIA JOSÉ: Senhor doutor, acha que eu preciso mesmo de um psiquiatra, acha que sou doida?
PADRE JESUALDO: Ninguém falou em psiquiatra, mas sim em psicólogo e estou certo que a menina compreende bem a diferença, depois há problemas que uma pessoa não consegue solucionar sozinha, senão com a intervenção de um especialista. Claro que a menina Maria não é doida.
JORGE: Claro que não! É só uma virgem à solta aos trinta e cinco anos e comple..

O padre admoestou o seu irmão com os seus olhos e rispidamente disse:
PADRE JESUALDO: Nesta sala, temos todos conhecimento desse facto, e vamos ajudá-la a procurar soluções, não é verdade?  Até pode ser algo no seu inconsciente que esteja a reprimi-la, sabe-se-lá.
JORGE: O amor é que está reprimido, conjuntamente com ela.
[VOZINHA: Mais um ataquezinho! Se não fosse o teu formato, dir-te-ia para te meteres debaixo do bom doutor, porque quem desdenha quer....]
MARIA JOSÉ: O que o repugna em mim, a minha obesidade? Ou  simplesmente quer implicar comigo?
JORGE: A sua camada adiposa nada significa para mim. Modéstia á parte, nas minhas mãos a menina emagreceria em menos de dez meses, mas você, voltaria a engordar porque não gosta de si própria e é incapaz de amar quem quer que seja. A Maria sabe que em certas culturas é uma estampa? Pois é! Quem diria, não é?
MARIA JOSÉ: Mas que merdas é que está para aí a dizer ? Desculpe padre mas o seu irmão está mesmo a irritar-me!

Jorge todo divertido disse :
JORGE: Sabe aqueles estrangeiros que você põe a bom correr de Portugal? Alguns deles acharam-na sensual e até mais sexy que a Buncher ou a Naomi, mas você por excesso de zelo não conseguiu enxergar. Na Índia, a sua gordura seria interpretada como sendo uma mais-valia, ou seja, supostamente você pertenceria a uma família rica e por conseguinte candidata a uma data de pretendentes para marido e tudo devido ao seu corpo. Nas Bahamas a senhorita teria maridos à escolha porque para eles gordura é sinal de formusura, a gordura é considerada um acessório imprescíndivel para as noites Invernosas.
MARIA JOSÉ: O Senhor doutor só pode estar a brincar comigo. Olhe mande para lá a sua mãezinha…….
PADRE JESUALDO: Menina Maria não saia fora da linha. Não teve graça nenhuma.
MARIA JOSÉ: Senhor padre peço perdão, não voltarei a repeti-lo.
JORGE: Eu até sei o que pensou acerca do meu discurso, “é típico das pessoas da sua laia”. Escute bem, ao contrário do meu mano, eu quase que tenho a certeza absoluta que a minha mãezinha teria tido essa clarividência, se algum dia se tivesse encontrado na sua pobre condição.
[VOZINHA: Tu não queres entrar neste tipo de desafio com o doutorzinho; ele é perigoso!]
MARIA JOSÉ: Agora também lê pensamentos, diga lá o que eu pensei.
JORGE: Quer mesmo que eu diga?
PADRE JESUALDO: Menino, toma tento na língua, já te avisei várias vezes hoje.
JORGE: Waldo ela quer saber, e em toda a honestidade, eu acho que devo dizer-lhe.
MARIA JOSÉ: Senhor padre, vamos ouvir o bruxo do seu irmão.
[VOZINHA: Sempre que me ignoraste saíste-te muito mal. Cuidado!]
JORGE: A menina pensou exactamente o seguinte “prefiro masturbar-me toda a minha vida do que deitar-me com um preto ou um indiano” – em cheio não?
PADRE JESUALDO: Jorge..! Hoje ainda corro contigo a ponta-pé; já reparaste que aqui é a casa do Senhor?
JORGE: Ele sabe disto tudo melhor que ninguém……por favor não faças de Deus um palhaço; além do mais a mulher estava mortinha que eu o dissesse, porque ela não fez outra coisa na vida senão masturbar-se física e mentalmente.
MARIA JOSÉ: Desculpe-lá! O senhor quer ir comigo para a cama?
JORGE: Não minha querida, eu faço parte daquele rol de homens estúpidos que ainda não aprenderam a tirar partido do corpo de uma mulher tão adiposamente avantajada. Infelizmente a cultura Ocidental atraiçoou-me nesse aspecto.
[VOZINHA: Ora toma, que já levaste! Eu bem te disse que não entrasses por esse campo.]
MARIA JOSÉ: Está a querer dizer-me que eu não tenho hipótese nenhuma no meu mundo?

O padre tinha as mãos sobre as sua orelhas, como indicação de pedido de silêncio. O seu irmão que sempre lhe quisera perguntar como é que ele fazia, pois o Waldo antes de ser padre teve as suas namoradas, porém decidiu abandonar tais pensamentos, porque pensou que se o fizesse invadiria grosseiramente a privacidade do seu amado irmão, este apesar de ser padre talvez nunca lhe perdoasse tamanha intromissão. Preferiu sorrir e dizer ao seu irmão que não estavam blasfemando e de seguida responder á menina Maria:

JORGE: Você não tem hipóteses nem neste nem noutro mundo qualquer, enquanto se recusar a perseguir o que quer. Mulherl se  deseja ardentemente um homem o meu conselho é que o procure onde quer que seja. Esqueça o preconceito do seu mundo, porque na verdade ele é igual ao de tantos outros. Sabe-se lá  quantas mulheres, algures em África, Ásia ou Caraíbas estão passando por outro tipo de tormentas?
MARIA JOSÉ: Acho que não sou capaz, nem de ir ao psicólogo contar a minha vida nem tão pouco fazer as baboseiras que está pra aí a sugerir.
JORGE: A masturbação perpétua não é a resposta ideal. Porra, mulher liberte-se; que diabo!
MARIA JOSÉ: A minha família matar-me-ia.
JORGE: Talvez! Mas você ainda pensa que é obrigada a casar com o magano que a “desflorar”? Caramba, cruzes canhoto! Você tem trinta e tantos anos, não a acho tão naïfe a esse ponto; ok?
MARIA JOSÉ: E se eu ficar a gostar dessa pessoa, já viu o problema ?
JORGE: Se ficar só a gostar tanto melhor para si.
MARIA JOSÉ: Não pode ser melhor, já lhe disse que a minha família nunca o permitiria e eu não saberia com enfrentar os meus amigos.
JORGE: Irónico e duro, não é ? Porque o seu tipo de gente, aquela que você diz que nutre pensamentos fétidos, exercitam a excitação contando anedotas porcas, com o único propósito de seguidamente correrem para os lavabos masturbarem-se desenfreadamente. Seria realmente rebaixante, arranjar um ser humano que a respeite e ame! Ó mulher, Deixe-se de merdas e lute pela sua vida, abra os olhos e as pernas e verá que nada disso tem significado.
MARIA JOSÉ: Então o seu conselho é ‘Mude de ares e cessará de se masturbar’.
JORGE: Mais ou menos. É que quanto a mim, a masturbação é um processo que sabe a pouco e, até uma forma de estar egocêntrica. Repare, uma pessoa masturba-se e sente um prazer momentâneo, mas depois acabou. Contrariamente, se uma pessoa fizer amor com uma outra, mesmo que seja uma só vez, se for bem feito, se os orgasmos se conjugarem, essa experiência fica nos poros e na Memória das pessoas para todo o sempre. Não me pergunte a razão porque não faço a mímina ideia, mas que é divinal, lá isso é !
PADRE JESUALDO: Ó Jorge, tu não tens que te ir embora? Já se faz tarde!
JORGE: Tens razão, embora hoje seja o meu dia de folga, ainda tenho que passar pela casa da mãmã para lhe dar um beijo e levar-lhe notícias tuas.
MARIA JOSÉ: Ó senhor doutor, quer dizer agora que estou a gostar da sua conversa quer abandonar-me ? Jante com o padre, e tenho a certeza que se telefonar à senhora dona sua mãe, dizendo que está num emergência, ela irá compreender. Por favor, padre, peça-lhe para ficar!

Claro que padre Jesualdo estava a lançar um S.O.S. ao seu irmão porque estava com medo que aquela conversa descambasse por caminhos perigosos, e seu irmão queria de facto respeitar esse receio mas, ele estava a deliciar-se com a sua capacidade de persuasão sobre a pessoa da sua colega, pois labutam para o mesmo patrão. Conhecendo o seu irmão, sabia que ele iria ceder ao pedido daquele quadro da função pública, daí a sua explosão de alegria – interiormente - perante a insistência da rapariga. O padre olhou para ela e indagou:

PADRE JESUALDO: Menina Maria, que deseja mais ? Nós já  prometemos que a ajudaríamos a resolver o seu problema, ficando inclusivé o meu irmão encarregue de lhe indicar um psicólogo para se consultar e depois seguir o seu caminho. Que deseja mais ?
MARIA JOSÉ : Calma Senhor padre, eu só quero que o seu irmão me inicie no amor.
PADRE JESUALDO : Ó menina, preste atenção! Olhe que a ponho a andar daqui para fora! Mais respeito por favor, acho que não tem necessidade de se exceder!
MARIA JOSÉ: Ó senhor padre, era um trocadilho, uma simples brincadeira; vejo que o seu humor anda um tanto ou quanto por baixo!
PADRE JESUALDO: Bom! Bom! Um trocadilho é, eu dou-lhe o trocadilho! Vá lá, despacha-te acaba com isto que amanhã tenho a missa das seis!
Fazendo-se de novas, e com ares de quem está enfadado, Jorge perguntou à rapariga o que é que ela queria saber. Ela arrastou a cadeira para frente encostou-se à mesa e, descansando a sua cabeça sobre a palma da sua mão, disse muito melada:
MARIA JOSÉ: Fale-me de Amor. Como é que eu o reconheço se ele me bater à porta?

O padre que já estava de marcação cerrada sobre estes dois, abandonou a sua panela de sopa no fogão, encetou uma nova técnica, para evitar algo que só ele estava a ver,  e disse:
PADRE JESUALDO: Menina Maria, escusa de melar a voz porque não conseguirá impressionar o meu irmão, e já que estamos em maré de confissões colectivas, deixe-me que lhe diga que o meu irmão é aquilo a que a Igreja chama de homem esquisito – e fez o sinal de aspas com os dedos médio e indicador semi dobrados – percebe o que eu quero dizer ? Atenção, isto que não saia daqui!
MARIA JOSÉ: Não se preocupe padre, a minha boca é um túmulo, e para dizer a verdade eu já desconfiava que ele fosse gay. É uma escolha pessoal, não lhe encontro mal nenhum, embora saiba que a Igreja condena amargamente esse tipo de orientação sexual; não me cabe a mim julgá-los. Essa tarefa cabe a Deus.

Os dois irmãos trocaram olhares de cumplicidade e quase que se desmancharam a rir.

JORGE: Eu acredito que todos nascemos com predisposição para todo o tipo de Amor, só que nem todos têm alguém que os ensine a despertar e a estimular a secção que superintende esse sentimento. Quantas vezes ouvimos as pessoas dizer que nunca tiveram amor, que não sabem dar amor, e outros ainda que bizarramente nascem e morrem sem nunca terem tido uma manifestação de Amor.
MARIA JOSÉ: Eu sou todos esses que acaba de mencionar, só não quero morrer sem o conhecer. Quero agarrá-lo e tentar nunca mais perdê-lo de vista.
JORGE: Para mim o Amor é a forma suprema do ser e da compreensão. Como já lhe explicámos, há várias formas de amor e basicamente quando se diz que se ama algo, pode até, ser um cão, simplesmente significa que entre o dono e o cão existe algo mágico, e que seria complicado tanto para o dono como para o cão se se perdessem por algum motivo. Eu por exemplo amo a humanidade, onde quer que ela se encontre, porque sem ela a minha existência seria uma piada de mau gosto. Outros amarão outras muitas coisas.
Eu penso que o seu bloqueio ao amor desaparecerá no dia em que se deixar possuir. Nesse dia desabrochará e sentir-se-á um Ser em toda a sua plenitude. Entregue-se e ame sem restrições. Então verá que a psicose das sucessivas tentativas de perca de peso, passarão á história porque o amor fá-la-á emagrecer naturalmente. Quem sabe se todos os labregos que a rejeitaram não a procurarão novamente?
MARIA JOSÉ: Será que vou conseguir ?
JORGE: Claro que vai! Pense somente que vai em busca daquilo que mais quer na vida, e, que o obterá se, se livrar de tensões emocionais estupidamente arquitectadas pela sua cultura preconceituosa. Por exemplo, em chegando e ao fim da tarde, vá a um barzinho simpático á beira mar, tome uma bebida. Atenção ao vestúario, nada dessas mini-saias reles, nem os tailleurs pied de poule tão démodè, nem saias travadas com rachas pouco sensuais...em suma seja discreta e mantenha a classe.
MARIA JOSÉ: E se eu me apaixonar por esse ser?
JORGE: Se se apaixonar passará momentos inesquecíveis! E se ficar a amar será maravilhoso. E tenha sempre em mente que, nesses lugares exóticos, também poderá encontrar alguém da sua etnia, ávido de companhia, que não se coibirá de lhe mentir, dizendo-lhe por exemplo que é a mais bela do mundo, que se sente o homem mais feliz e honrado por ser o primeiro na sua vida, etc etc…. Não tenha receio de entrar no jogo. Lembre-se somente que é uma pessoa  que quer desabrochar para a vida.
MARIA JOSÉ: Acho que levarei comigo uma amiga, em caso de insegurança.
JORGE : Não faça isso! Embora, seja hábito em pessoas como a senhorita ainda manter (sem ofensa) um amigo imaginário, esse é o único que deve levar.
MARIA JOSÉ: Às vezes penso que ele é contra mim; sabe que por causa dele, quase me suicidei ?
JORGE: Porque, nesse tempo, a senhorita deixou que ele assumisse o comando da sua vida, o que está fora de causa, por ser irracional. Só lhe vou dar mais dois conselhos – primeiro, continua a precisar de acompanhamento psicológico, segundo se, e, quando partir vá serena e sem expetactivas de grandes paixões.
MARIA JOSÉ: Digo-lhe com toda a sinceridade que gostaria tanto de viver (nem que fosse uma só vez) uma grande paixão; tal como nos filmes...
JORGE: Esqueça os filmes, as fotonovelas e os folhetins que já viu até hoje. Viva a sua própria experiência. Para terminar, esteja consciente de que ao engajar qualquer relação deparará com quatro etapas : um, Gostar cujo significado é-lhe familiar; dois, o estar Apaixonado é a mais louca de todas, é aquela que nos permite fazer quase tudo; três, a paixão que é a exarcebação da segunda  e se não for controlada pode ser extremamente perigosa e fatal; e finalmente temos o Amor que representa acima de tudo o Zen, ou seja, sendo bem estimulado, este pode proporcionar-lhe várias décadas de estabilidade emocional.
PADRE JESUALDO: Bom meninos, vamos jantar; estou esfaimado e preciso de ir preparar o meu dia de amanhã.
JORGE: Comerei só um prato de sopa porque em chegando a casa da mãmã, ela obrigar-me-á a jantar.
MARIA JOSÉ: Obrigada senhor padre, desta vez passo. Senhor doutor não se esqueça de dar ao padre a direcção do psicólogo. Muito obrigada por tudo e, senhor padre, até sempre.
PADRE JESUALDO: Juízo, é tudo quanto lhe posso recomendar.
JORGE: Vá, e tenha em mente que cada vez que fizer amor, sentir-se-á desentupida e invadida por uma sensação de leveza que lhe percorrerá o seu ser desde a moleirinha até a boca do seu orgão genital.
MARIA JOSÉ: Ai credo, o senhor diz cada coisa! Não fora o senhor gay, confesso que não me importaria nada de perder a minha "aberração" consigo.
PADRE JESUALDO: Shiuu, isso não é para  se repetir.
MARIA JOSÉ: Ó senhor padre esteja descansado, já prometi que não abriria a minha boca. Senhor Jorge deseje-me boa sorte!
JORGE: Liberte-se e seja feliz. A senhorita é linda, sensual e tem um sex appeal à espera que alguém com bom senso o faça sobressair.

Depois da partida da senhorita Maria, o irmão do padre perguntou-lhe porquê que ele tinha dito à rapariga que ele era um homossexual, o padre retorqui dizendo:
PADRE JESUALDO: Peço-te perdão, mas o facto é que, eu não estava a gostar do rumo que a vossa conversa estava tomando. Digo-te mais, aquele balseiro nunca será melhor que aquilo.
JORGE: Waldo, lembras-te quando a nossa sobrinha João dizia que detestava o seu corpo, e tu dizias-lhe que ela não deveria proferir tais heresias, porque o seu corpo era um dos esconderijos que Deus procurava quando necessitava de Paz ? Deus sabe o quão sábias essas palavras me soaram, porquanto as achei de uma grandiosidade divina e sobretudo de uma generosidade incrível.
PADRE JESUALDO: Foram palavras sentidas, e ditas a uma menina em desespero de causa.
JORGE: Bem sei que sim, até porque, hoje, a pequena está uma bela adolescente; é precisamente por isso, que acho que foste cruel, com alguém igualmente desesperado. Meu querido, estiveste irreconhecível.
PADRE JESUALDO  Não tem nada a ver com o ser ou não generoso. A mulher tem trinta e cinco anos, é preconceituosa, nazi, xenófoba,  e como se não bastasse é uma virgem portadora de maus presságios! Repara que com a idade dela ainda receia o que dirá à sua família do rumo que vier a dar à sua vida. Essa mulher não te merece nem que seja só para lhe limpares o sarro; por Deus, ela é um pardieiro de emoções. Claro, que esta é a minha humilde convicção.
JORGE: Waldo, para quem fala com Deus, pareceste-me bastante inseguro. Bem vemo-nos na próxima quarta. Um abraço, ciao.
O irmão do padre partiu, e este ficou entregue á sua rotina.                                                                                                    

FIM

Comentários

  1. Oi Max, pena que cheguei no final!
    Eu estou participando de um clube de leitura, se Chama Clube de Jane Austen, estamos no inicio ainda, mas seria um prazer se você fosse ler conosco, estamos organizando leituras compartilhadas, dá uma passada por lá e se te interessar... beijos e até

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oi Dri :D!

      Este conto é pândego, mas não fui eu quem o escreveu...foi a Lenny Hannah (a nossa autora das sextas).
      Darei uma passada por lá, sim senhora: obrigada pelo convite :D.

      Beijocas

      Eliminar

  2. Olá, Adriana!

    Sou a Lenny Hannah e adoro a Jane Austen.

    Beijocas e até sempre...

    ResponderEliminar
  3. Olá Lenny,

    ROFL opá...Deus me livre que nas próximas vidas eu venha gordita, virgem aos 35 e tua amiga. Hell noooo! Brutal, é simplesmente brutal.
    Fartei-me de rir, ainda estou a chorar.
    Rindo parto....

    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas

    1. Olá, Max!

      Góstástis...?

      Até para a semana e Shabbat Shalom, boss!

      Eliminar
  4. Olá Max e Lenny Hannah
    Ando com a cabeça nas nuvens, convido para o clube de leitura e não dou o link.
    Enfim, está tudo no inicio ainda, não sou eu a organizadora e temos só 10 membros, mas parece que vamos iniciar com a leitura de Orgulho e Preconceito alguns lendo pela primeira vez e outros relendo, não iremos sempre ler Jane Austen, mas este titulo está tendo mais votos. o link é: https://plus.google.com/u/0/communities/105916628432645903755 no Google+. beijos

    ResponderEliminar
    Respostas

    1. Olá, Adriana!

      Obrigada.......!

      Passaremos por lá; ok?

      Beijocas

      Eliminar
  5. Hahahaha ufa! Ainda bem que não casou aqueles dois, adoro o jorge e não lhe quereria mal algum!
    A jogada do padre em dizer que o irmão é gay foi engraçadícima e a filosofia da masturbação também, fartei-me de rir! Olhe, lenny parabéns pelo seu conto, espero que repita a façanha para o verão que vem, porque esta é uma maneira fantástica de terminar as férias! Obrigada!!!!!

    ResponderEliminar

  6. Olá, Carla!

    Carla, obrigada pela leitura :D

    Bom regresso, espero que esteja com as baterias recarregadas, pois esta semana estamos de volta á política nacional e de outras bandas.

    Bem-vinda, minha cara!

    Bjcas


    ResponderEliminar

Enviar um comentário

O Etnias aprecia toda a sorte de comentários, já que aqui se defende a liberdade de expressão; contudo, reservamo-nos o direito de apagar Comentos de Trolls; comentários difamatórios e ofensivos (e.g. racistas e anti-Semitas) mais aqueles que contenham asneiras em excesso. Este blog não considera que a vulgaridade esteja protegida pelo direito à liberdade de expressão. Um abraço