Comentário: Nigéria, Revolta Europeia e o Papa em Israel

Destruição da Frota Turca na Baía de Chesma - Jacob Philipp Hackert

Esta semana, irei comentar três recentes acontecimentos que captaram a minha atenção. Serei breve.

Nigéria & Boko Haram
"Oficiais americanos têm sido inusualmente francos - e inusualmente públicos - no seu exame à competência e eficácia das forças militares nigerianas. Os oficiais apresentaram a sua análise, na passada quinta-feira, quando legisladores lhes perguntaram se as forças nigerianas seriam capazes de salvar - ou mesmo localizar - as mais de 260 jovens raptadas pelo Boko Haram no mês passado. Oficiais militares e da secreta americanos disseram que mesmo com a ajuda internacional, as forças armadas nigerianas eram demasiado corruptas e incompetentes para desempenhar um papel significativo no salvamento das raparigas. 'Estamos a olhar para umas forças militares que, para dizer a verdade, têm medo de agir,' [disse] Alice Friend, directora-chefe do Departamento Africano no Pentágono" (Fonte: Aqui. Tradução - Max Coutinho)

Provavelmente em resposta a este comentário, na semana passada, as forças militares nigerianas anunciaram que neste momento sabem a localização das jovens raptadas. Contudo, o Chefe do Estado Maior da Defesa, Marechal da Força Aérea Alex Badeh, disse que apesar disso não iriam tentar salvá-las porque "Nós não podemos matar as nossas jovens só para tentar recuperá-las" - Pergunto-me quais serão as verdadeiras motivações para o Marechal Badeh fazer tal declaração pública; e se, de certa forma, esta não representa uma confirmação das declarações feitas pelos americanos acerca da competência das forças nigerianas.

Foi reportado que "nove generais no activo, do exército nigeriano, e outros oficiais séniores estão a ser investigados pelo seu envolvimento na venda de armas a membros da seita Boko Haram" - que embaraço; não só para o exército mas principalmente para o presidente Goodluck Jonathan que deseja ser re-eleito para o ano que vem. Como político, ele vê-se perante um dilema porque se ele usar os tais generais como exemplo de combate rápido à corrupção, arrisca-se a sofrer um golpe de estado; mas se não fizer coisa alguma terá que aceitar a sentença popular nas eleições de 2015.

A Revolta Europeia
Os resultados das eleições europeias foram uma mensagem clara de que os cidadãos da União Europeia querem menos Europa nas suas vidas. O PM David Cameron (GB) disse que a UE se tornou "demasiado grande, demasiado mandona, demasiado interveniente" e o presidente François Hollande disse que a "Europa tem de ser simples, mais eficaz onde precisa de sê-lo e tem de se escusar donde não é necessária". Estarão eles correctos? Se olharmos para o facto de que somente cerca de 43% se deu ao trabalho de ir votar; se (por exemplo) pensarmos que as pessoas não sabem distinguir entre o Conselho Europeu e o Conselho da União Europeia; se recordarmos que durante a campanha para as eleições europeias os políticos dos estados membros falaram mais de assuntos nacionais do que europeus (dando a impressão de que a Europa é um mero entretenimento); se pensarmos que as pessoas sentem que a soberania dos seus países está sob ameaça e que a UE lhes impõe "estrangeiros"...eu diria que o PM Cameron e o Presidente Hollande têm a razão do seu lado (ainda que estejam meramente a tomar medidas de precaução já que um pode perder território para o UKIP nas eleições do próximo ano e, o outro pode ver o Front National - de Le Pen - a empurrar o partido socialista para terceiro lugar em 2017).

O povo falou. Mas estará a sua voz a ser ouvida?
O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse o seguinte:

"Precisamos de uma União Económica e Monetária mais desenvolvida e que funcione bem, ao mesmo tempo que preservamos a unidade da União como tal. Também temos de ter uma forte resposta para o problema da mudança do clima, temos de pressionar para haver uma união no campo da energia e também pressionar para que haja menos dependência energética. Consolidar a área de liberdade, segurança e justiça é imperativo, basearmo-nos no progresso já alcançado. Temos de preservar e desenvolver liberdades chave ao mesmo tempo que preservamos a segurança e combatemos a migração irregular, o crime e a fraude" (tradução: Max Coutinho)

O texto na íntegra (disponível Aqui) aparenta apontar na direcção da reforma (gostei particularmente da sugestão para reduzir a dependência energética - os EUA e a UE estão a começar a ficar alinhados neste assunto; espero que se alinhem também noutros afim de se, finalmente, poder formar aquele Bloco vital); mesmo assim, será interessante ver como é que as vozes anti-establishment irão reagir.

A Oração do Papa na Barreira de Segurança
Durante a sua visita à Terra Santa, o Papa Francisco orou na barreira de segurança (que divide Belém e Jerusalém). A media esquerdista saudou esta oração como sendo "histórica" (a nova palavra favorita dos esquerdistas) e deu a entender que o Santo Papa estivesse a tomar partidos (a favor dos árabes da Palestina).
Questão: e se o Papa Francisco, na verdade, estivesse a rezar a Deus para que o muro, tal qual como aquele de Berlim em 1989, caísse e Israel fosse finalmente reunificada?


Comentários

  1. Caros Leitores,

    A Max continuará ausente esta semana, pelo que só responderá a qualquer comentário quando regressar.

    Um abraço

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    1. Obrigada pela notificação, Cristina. Agradeço imenso!

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    2. Obrigada, Cristina, por avisares os leitores. :D

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  2. Max, se o Santo Papa não rezou por isso pelo menos deveria tê-lo feito! Eu certamente rezo por essa reunificação. Oremos ao Senhor e Viva Jerusalém, a capital de Israel!

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    1. Olá Maria Jô :D!

      Concordo. Amén, minha cara, Amén!

      Maria Jô, muito obrigada pelo seu comentário :D.

      Um abraço

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  3. Coitada da UE, está à beira da destruição. Ontem soube que o tal UKIP em inglaterra teve quase a ganhar uma freguesia lá, os tipos são uma verdadeira ameaça. E quando vemos a Le Pen a ganhar terreno, meu Deus!
    Quanto ao Papa, não gosto dele, acho-o um comunista!

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    1. Olá Carla :D!

      Também não chega a tanto; digamos antes que está a passar por uma crise.
      O Papa é um comunista? Acha?

      Obrigada pelo seu comentário, minha cara :D.

      Um abraço

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