Guerra Multidimensional & Organização Terrorista Híbrida

Velho Tronco de Antal Ligeti

Uma guerra multidimensional é uma guerra em que os "Terroristas e os seus colaboradores/apoiantes identificaram as fraquezas da democracia e aprenderam a distorcer expressões, slogans e aparatos democráticos para ganhar poder e legitimidade".
Este tipo de conflicto é perfeito para uma Organização Terrorista Híbrida.

Mas o que é, afinal, esta entidade que tanto tem aparecido nos nossos artigos? Uma Organização Terrorista Híbrida é uma entidade que foi criada para legitimizar o terrorismo (ao mesmo tempo que questiona a legitimidade do empenho, do estado convencional, na luta contra o terrorismo) e, divide-se em dois ramos (de um mesmo tronco): o ramo militar/paramilitar (que comete actos terroristas) e o ramo político (que participa em processos legítimos e democráticos). Este tipo de organização adquire o apoio incondicional do povo através de serviços sociais gratuitos: serviços religiosos e educacionais; doutrinação ideológica e assistência social (i.e. Da'wa [= o chamamento]).

Assim que a organização se vê munida de armas para lutar; partidos políticos para participar nas arenas políticas internacionais e o apoio dos seus pretendidos eleitores; terá ainda necessidade de um apoio mais legítimo para o ajudar a atingir os seus objectivos, vindos ou de um estado-patrono, de um estado-patrocinador ou/e de estados que inadvertidamente apoiem o processo através do qual atingem os seus objectivos estratégicos.
Estado-patrono: um em que dentro do qual a organização terrorista é activa; um que opta por ignorar as actividades terroristas levadas a cabo dentro das suas fronteiras ou que permite que a organização participe oficialmente na arena política legítima (ex: Líbano como patrono do Hezbollah).
Estado-patrocinador: um estado envolvido no processo como fonte de financiamento e apoio; já que uma organização terrorista necessita de muito de dinheiro para financiar todas as suas actividades (ex: Irão e Qatar financiam a Jihad Islâmica, o Hamas, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa; a Frente Liberal Palestiniana [FLP]; a Frente Popular para a Libertação da Palestina [FPLP], etc etc).
Estado que inadvertidamente apoia terrorismo: um estado ocidental que não se apercebe (?) estar envolvido no processo (ex: Europa e União Europeia).

A guerra multidimensional é travada em três campos de batalha: militar; media; tribunais internacionais e opinião pública (estando esta última intimamente relacionada com o campo de batalha da media). O Hamas e a Fatah (dois ramos do mesmo tronco: OLP) são exímios neste tipo de guerra: o Hamas comete actos terroristas (em Yesha, mas também em países ocidentais) e compra o apoio dos Palestinianos (tanto em casa como no estrangeiro - nos campos de refugiados) através de serviços de assistência social gratuitos; a Fatah está subtilmente envolvida em actividades terroristas (através do seu braço armado, tanto em Yosh como no estrangeiro) mas assume o principal papel de entidade política pacífica com acesso à arena e instituições políticas internacionais.
A principal função da Fatah é, literalmente, enganar o mundo e levá-lo a apoiar a causa Palestiniana (i.e. "Não há outra nação para nós senão a Palestina, e não há outra terra para nós senão a Palestina. Não aceitaremos uma nação alternativa, nem sequer uma terra alternativa" Mahmoud Abbas perante a Assembleia Geral da ONU em Setembro de 2012; "A Palestina é nossa do rio ao mar e do sul ao norte. Não haverá concessão de um milimetro que seja de terra" Khaled Meshal dirigindo-se aos habitantes de Gaza, no dia 8 de Dezembro de 2012) - e para atingir este objectivo, a media e as redes sociais são amplamente utilizadas. A sua rede está soberbamente bem tecida e, posso afirmar que já tive o prazer de observar os membros do Bureau Político Palestiniano em acção nas redes sociais (que são de uma eficiência gritante junto dos mais desinformados).

A OLP, na prática, é uma Organização Terrorista Híbrida.
Mas, será que eles enganaram o mundo ou o mundo é que os enganou? A ver vamos.


[N.B: este artigo foi inspirado no trabalho do Dr Boaz Ganor intitulado "The Hybrid Terrorist Organisation & Incitement - The changing forms of incitement to terror and violence: the need for a new international response]

Comentários

  1. Max
    Infelizmente a violência se disfarça para enganar aqueles que nao refletem.

    Ótimo artigo!

    Max, acidentalmente exclui o teu comentário no meu blog, a idade já esta me pesando nas costas LoL

    Você e sempre muito bem-vinda!
    Beijos

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    Respostas
    1. Oi Dri :D!

      Disseste uma grande verdade: "a violência se disfarça para enganar aqueles que não refletem".
      Obrigada, querida *vénia*.

      Não te preocupes com isso: acontece :D.
      Eu sei bem, minha linda; eu sei bem.

      Dri, obrigada pelo teu comentário: adorei :D.

      Beijos

      Eliminar

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