Maxiavelli: Os Abastados

Falésias de Giz sobre o Rügen de Caspar David Friedrich

Alguns ricos estão à beira do precipício...

Não estou contra os ricos e (nem sempre) belos; sê-lo seria uma hipocrisia da minha parte e, para além disso, o meu nome é Max não Marx. Contudo, surpreende-me a forma como alguns indivíduos fazem um uso pouco apropriado da sua riqueza, como perdem a concentração por causa dela e como outros chegam a sentir-se culpados por serem abastados.

Ser abastado é uma benção: ou uma pessoa trabalhou imenso para viver confortavelmente ou alguém na sua família o fez (querendo isto dizer que as gerações futuras deveriam sempre honrar a empreitada e herança dos seus antepassados).
Ser rico não significa não fazer coisa alguma, pelo contrário, significa que se deve trabalhar ainda mais para manter a riqueza da família ou aumentar o poder e a influência desta ou ainda para se criar uma fundação sólida para ajudar os mais desfavorecidos.

O Trabalho enaltece!

É um desperdício quando os herdeiros crescem para se tornarem nuns playboys e, emprisionarem o seu espírito ao levarem uma vida superficial. Quando um herdeiro não sabe bem o que quer da vida deveria trabalhar no sentido de melhorar a sua comunidade. Este indivíduo poderia viajar para o estrangeiro e ajudar a desenvolver as comunidades à volta do globo. Por Deus, há tanta coisa a ser feita por este mundo a fora (mas pronto, talvez as industrias do alcoól, das drogas e dos contraceptivos se ressentissem com tal metamorfose ética)!

Depois temos aqueles abastados que chegam a sentir-se culpados pelo seu estatuto social. De repente, começam a distribuir o fruto do suor da sua família, sem se aperceberem de que possam estar a promover a preguiça e outras maleitas sociais. Aderem a partidos políticos de Esquerda e tornam-se a voz anti-ricos mais radical da nação, mantendo o estilo de vida no qual cresceram, bien sûre. Zangam-se com o establishment e depois referem-se aos ricos como "eles". São de tal modo consumidos pela culpa que num estado de depressão chegam a escrever algo como o "Das Kapital"...

Ser abastado é um privilégio: quando uma pessoa não tem de se concentrar em prover as necessidades mais básicas ela terá mais latitude para se focar no desenvolvimento espiritual, no seu sentido de ética, na decência e no bem comum. Essa pessoa terá mais espaço para se transcender e ver para lá da matéria. Mas também terá mais tempo para ponderar em estratégias pessoais e políticas.
Claro que há aqueles que sendo mais desfavorecidos conseguem atingir as metas acima mencionadas (o que é extremamente louvável) mas, sem dúvida alguma, o processo torna-se muito mais facilitado se uma pessoa não tiver que se preocupar com as necessidades básicas da vida.

A riqueza não é uma carte blanche para oprimir o próximo. A riqueza não permite a intolerância. A riqueza não equivale ao desperdício. A riqueza requer polimento. A riqueza requer principalmente sabedoria, entendimento e conhecimento.
Quando certas pessoas não entendem estas regras simples, perigosamente baloiçam à beira do precipício...

Comentários

  1. A incompreensão existe tanto do lado do rico, como do lado do pobre. Do pobre, acho que é pior, porque ele sempre o culpa o rico por suas mazelas e no entanto, seu maior ideal é ser como o rico. Ambos tendem a procurar por sua turma e não se misturar. Nesse sentido, o dinheiro é a pior moeda existente no mundo.
    Bom Domingo! Beijus,

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  2. OI Max

    Aqui tem um dito popular que diz assim:
    "Dinheiro não traz felicidade. Então me dê o teu e seja feliz"

    LOL, É claro que trabalhamos, para ter uma vida confortável.

    "É um desperdício quando os herdeiros crescem para se tornarem nuns playboys e, emprisionarem o seu espírito ao levarem uma vida superficial"

    Isso é o fim!
    Como tudo na vida devemos buscar o equilibrio, sem arrogância, sem desmerecer o próximo, e claro, sem esquecer a vida espiritual.

    "A riqueza requer principalmente sabedoria, entendimento e conhecimento."

    Concordo plenamente... tanto é que se não for desta forma ou a riqueza acaba em futilidades, ou a pessoa sucumbi em seu próprio devaneio.

    Maravilhoso o artigo.
    bjs

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  3. Oi Luma,

    Bem dito! Muito obrigada pelo teu super comentário (é sempre um prazer) :D.

    Beijoss

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  4. Oi Dri :D!

    LOL LOL realmente...

    "Como tudo na vida devemos buscar o equilibrio, sem arrogância, sem desmerecer o próximo, e claro, sem esquecer a vida espiritual."

    Concordo em número, género e grau!

    Adorei o teu comentário, querida e, fico feliz por teres gostado do artigo :D.

    Obrigada pela tua sabedoria!

    Beijoss

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