O Armagedão Formará Pares Muito Estranhos


Olhando para os presentes eventos à volta do mundo, restam poucas dúvidas de que dificilmente escaparemos a uma terceira guerra mundial. Deveríamos agora tentar antecipar os futuros actores desta guerra e fazer as jogadas necessárias para gerar resultados mais aceitáveis.

Uma vez que a adversidade forma pares estranhos (ex: o Paquistão e Israel participaram em exercicios militares, em Agosto passado, na América, devido à ameaça iraniana [o Paquistão jurou proteger a Arábia Saudita]), precisamos de rapidamente antecipar alguns cenários com diferentes actores para termos uma pequena ideia do que nos espera, e para nos prepararmos.

Cenário A: América, Israel e Grã-Bretanha Vs Irão, China e Rússia

O ISIS já está a aumentar a intensidade da sua guerra, em Dabiq, de modo a apressar a vinda do Mahdi; contudo, o Irão deve-se estar a rir do grupo porque acredita saber melhor como é que o processo será apressado. Os Ayatollahs acreditam que um derramamento de sangue sério provocará o retorno do Mahdi, e, já que o patrocínio de terrorismo não está a funcionar neste contexto, a única maneira de fazê-lo é através do seu programa nuclear. Este programa é patrocinado indirectamente pela China – um país que faz muito pouco para controlar a Coreia do Norte (o laboratório do Irão), o que nos faz pensar que tipo de lucro é que o Dragão Vermelho obterá disto tudo. Se a Coreia do Norte é o Laboratório do Irão, então este é o testador da China – os Persas recebem a má publicidade, a atenção do mundo, e a China testa a tecnologia nuclear que encomendou ao seu eixo favorito (Paquistão, Coreia do Norte e Irão) mantendo a sua imagem incólume.

Mas onde é que a Rússia entra? A Rússia poderá sentir-se compelida a ir de um cenário de neo-guerra fria para uma guerra quente contra o Ocidente. Nesse caso, seria natural que os russos apoiassem a empreitada iraniana, já que os EUA iriam naturalmente aliar-se a Israel e a Grã-Bretanha na defesa dos seus interesses no Médio Oriente.

Cenário B: América, Israel e Rússia Vs Irão, Alemanha e China

A Alemanha, ao que parece, tem estado a aproximar-se do Irão devido ao volume considerável de negócios que mantém com a República Islâmica. Foi reportado que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, encontrou-se com Mahmoud Ahmadinejad no Irão – naquilo que foi considerado uma promoção da imagem do regime iraniano; foi também reportado que a Alemanha se recusa a fechar o European-Iranian Trade Bank (EIH); que recentemente votou a favor de uma resolução contra Israel no Conselho de Segurança da ONU; e (diz-se) que a Angela Merkel disparatou com o PM Netanyahu. Logo, a priori, é justo tomar em consideração a possibilidade da Alemanha tomar o partido do Irão numa guerra futura, se fazê-lo servir os seus interesses num desejo renovado para dominar a Europa.
Como um dos poucos pontos de acesso ao sistema financeiro europeu, o EIH tem facilitado um volume incalculável de transacções para os bancos iranianos previamente [colocados na lista negra] por proliferação. - Departamento de Estado Americano
Se a Alemanha apoiasse o Irão (e no processo convencesse certos países europeus a juntar-se a ela), então a Rússia poderia reposicionar-se e colocar-se ao lado da América e Israel na Batalha das Batalhas – ainda que a Rússia e os EUA tivessem tendado trabalhar juntos na Síria, embora sem sucesso. A Rússia e Israel mantêm uma relação agradável e talvez o Estado Judaico pudesse mediar um meio ambiente de trabalho produtivo entre Washington e Moscovo, para que ambos servissem os seus interesses.

Cenário C: América, Israel e Turquia Vs Rússia, Irão e China

Por muito mau que seja o regime turco, e nós acreditamos que o seja, agora não é o momento para agirmos com base na emoção. Todas as decisões devem ser pragmáticas. Quando os relatórios dizem que a Rússia está a colocar sistemas de defesa de mísseis, S300 e S400, na Síria; o pensamento mais imediato é “esta é uma indicação de apoio pelo regime de Assad, logo um apoio aos interesses iranianos na região”. Ao amparar as ambições do Irão na região, a Rússia empurra a América para continuar a aturar a insolência da Turquia de modo a manter as suas armas nucleares em território turco como um factor de deterrência, no caso do ISIS se apoderar da Síria ou no caso do Irão se atrever a interferir com os seus interesses na região. A Turquia e Israel estão a meio do processo de re-aproximação, em parte graças a Barack Obama (que agiu para proteger os interesses americanos ao manter duas das suas mais importantes peças de xadrês em pé amigável de modo a garantir que nenhum deles venha a limitar os movimentos americanos no Médio Oriente, no futuro).

Os EUA e a Turquia são membros da OTAN, Israel abriu este ano uma missão diplomática na sede da NATO em Bruxelas; e como a Rússia é anti-OTAN, seria perfeitamente normal que Putin se colocasse ao lado do seu cliente Irão, para continuar a vender armas não só aos Ayatollahs como também a todos os seus amigos. Claro, a Rússia não iria ter o descaramento de lutar abertamente ao lado do Irão contra a América e Israel, mas iria com certeza continuar a apoiar al-Assad se ele conseguir ficar no poder – doutro modo, a Rússia poderá encontrar outro satélite iraniano para lhe conceder o seu apoio.

Cenário D: Israel, Arábia Saudita & Cª Lda Vs Irão, China e Qatar

Os EUA poderão decidir nem sequer participar directamente na Batalha das Batalhas. Poderá, ao invés, decidir ficar de fora desta guerra e simplesmente providenciar apoio logístico aos seus aliados. Vendo isto, a Rússia poderá também seguir o exemplo; transportando-nos de volta a uma época que os dois países participavam em guerras de proxies. Isso deixa-nos com Israel, Arábia Saudita e Cª Lda versus Irão, China e o Qatar.

É tido e sabido que a Arábia Saudita e outras nações árabes têm estado a re-aproximar-se de Israel, apesar da retórica desgastada; devido a um inimigo comum: o Irão. O Regime Revolucionário é um perigo não só para o Estado Judaico como também para a Arábia Saudita e outros Estados do Golfo, e obedecendo a um velho provérbio “o inimigo do meu inimigo meu amigo é” eles têm estado a trabalhar juntos para combater o mal persa.

Exactamente porque a Arábia Saudita está a liderar a re-aproximação árabe, claro que o Qatar se opõe (conforme o discurso da UNGA do Sheikh al-Thani). Logo, num acto de desespero, o Qatar poderá vir a juntar-se ao Irão – ainda que indirectamente – só para aborrecer o Reino Saudita e continuar a tentar destruir Israel (através de velhos e novos proxies – na sua perspectiva, terroristas palestinianos e agora o Irão). Quanto à China: já estabelecemos a relação entre o Irão e o Dragão Vermelho; contudo, há que dizer que resta saber se a China irá apoiar o Irão baseado nas relações nucleo-comerciais ou baseado no velho Poder político e influência na região. O Dragão Vermelho tem vindo a desenvolver a sua própria indústria de armamento e poderá querer substituir a Rússia enquanto principal fornecedor do Norte do Médio Oriente, ao mesmo tempo que mantém o acesso fluído ao petróleo (ainda que esse não seja o futuro do combustível). Para além do mais, substituir a Rússia como uma das potências mundias é um sonho muito antigo da China.

“E subirás contra o meu povo Israel, como uma núvem, para cobrir a terra: no fim dos dias, sucederá que hei-de trazer-te contra a minha terra, para que as nações me conheçam a mim, quando eu me houver santificado em ti, aos seus olhos, ó Gog.” (Ezequiel 38:16)


[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Ou seja, o Islã xiita contra o Ocidente? Não acredito que a Rússia fará parte disso, de uma maneira ativa. Ela agirá por debaixo dos panos e recolherá os espólios. Ela não vai bater de frente, principalmente com os EUA.

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    1. Olá Cidão :D!

      É um dos possíveis cenários, sim. Obrigada pela tua contribuição :D.
      A Rússia tem andado a enviar sinais de agressão muito claros, mas talvez seja guerra psicológica à la Guerra Fria? Vamos ver, porque as suas acções na Síria têm sido tudo menos frias. Quanto a bater de frente com os EUA: já está a acontecer na Síria. A questão é: intensificará para além disso?

      Gato, obrigada pelo teu super comentário :D.

      Um abração

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