Excelentíssimos Políticos: Por Favor Falem Português!


Nas eleições legislativas de 2011, a Max (uma conservadora convicta) recusou-se a votar PSD porque o actual primeiro ministro não sabe conjugar os verbos em Português.
Eu argumentei dizendo que ele não iria governar sozinho, portanto a interpretação dos documentos e o entendimento dos mesmos estariam assegurados. Ela, porém, contra-argumentou que se ele sofresse da síndrome de chefe de turma arrogante, não escutaria ninguém. Anuí!

Portugal está novamente à beira de eleições legislativas e, em Baião, ao refutar a entrevista concedida pelo primeiro ministro Passos Coelho à SIC, António Costa – fazendo fé num artigo do Observador – terá supostamente demonstrado a inutilidade da síntaxe conforme se segue:

“Enredado a tentar explicar as mentiras que fez no passado”, ora as mentiras não se fazem, expressam-se.

“Os portugueses têm pesadelos só de pensar que nós iríamos ajudar Passos Coelho ou Paulo Portas a prosseguirem esta política” ora o condicional está mal aplicado porque a concordância gramatical exige o conjuntivo logo, seria “pudéssemos”.

“As pessoas vivem no terror de manter este primeiro ministro e a política deste governo” Mas qual é o sentido desta frase? Bem espremida antevê que os portugueses venham a votar novamente neste governo.

“Quando decidirmos pronunciar-nos sobre essa matéria avisamo-vos” ó babush, talvez estivesse à procura de dizer algo assim: quando decidirmos pronunciarmo-nos sobre essa matéria, avisá-los-emos.

Entendo que no discurso oral nem sempre seja possível expressarmo-nos correctamente, mas é recomendável um pequeno esforço, e a percepção é uma besta implacável. Por exemplo, um amigo meu escocês que esteve a passar férias aqui disse-me:

- "Estive a ver as sondagens e parece-me que Portugal terá um Obama indiano; a questão é: será tão inteligente como o original?"

- "O presidente Obama com o seu brilhantismo tem deixado muito a desejar na política externa. Para além disso, o povo português não é idiota uma vez que foi o PS quem desgraçou Portugal; e além do mais a Europa não precisa de mais um país nas mãos da esquerda." retorqui.

- “O povo português não é tido como apto a aceitar sacríficios e o meu entendimento pelo que oiço nas ruas, é de que são pessoas que só pensam no imediato, daí a vitória do Indian guy”, 

- “He is not Indian, he is Portuguese” refilei.

Voltando à carga, disse,
- “But he claimed that he is a Catholic Goan”

- “E é exactamente por isso que ele vai perder as eleições; por ser estúpido!” resmunguei,

 - “Se calhar sente-se mais indiano que português” rematou o meu amigo.

- “Esse homem nunca viveu em Goa, a sua mãe é portuguesa, que casou com um português nascido em Moçambique que por acaso tinha sangue goês e cuja família originariamente partiu de Portugal para Índia; what kind of Goan is that? E Deus nos livre de sermos governados por um socialista que ainda por cima ignora a síntaxe; daqui a uns anos teríamos outro acordo ortográfico encomendado pela Guiné Equatorial; can you imagine?” respondi impacientemente.

Enfim, está-se mesmo a ver que ganhei o debate...

António Costa, Vossa Senhoria nunca irá ser primeiro ministro até que declare que é português e não goês. Ainda me lembro de uma prima-tia-avó que veio de Goa para Lourenço Marques, quando Nerú tomou Goa, Damão e Diu a Portugal; que me contou que a coisa foi horripilante por lá, está a compreender babush?
Pois é António Costa, estou-me nas tintas que se arme em goês católico (não sei com que finalidade) mas isto não são os EUA, o senhor não é mexicano nem outra latinizice qualquer...Isto é Portugal, aqui o senhor não tem prerrogativa cultural, aqui aprende-se e fala-se português: entendido?
Autremain, como diria a rapaziada do Porta dos Fundos: Babush, bebesti? Mas querias beber?

Viva Portugal, viva Portugal e viva Portugal!

Até para a semana

Comentários

  1. Se para votar nesses tipos levássemos a lingua em conta ninguém seria eleito nem para o parlamento. Falam todos um português chulo! Um destes dias vão falar brasileiro.

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    Respostas
    1. Olá, Anónimo!
      É por falarem um português rasteiríssimo que, a redacção das leis em Portugal é prolixa dando lugar á variadas interpretações das mesmas.
      Tanto licenciado no parlamento e, mesmo assim é um desapontamento; a falta de esforço é ainda mais ultrajante.

      Bom, se forem portugueses nascido nas antigas colónias, se o seu português obedecer as regras da linguística lusitânia não me fará espécie; eu sou doida por sotaques: o brasileiro, o moçambicano, o angolano, dos arquipélagos de Cabo Verde e S. Tomé, das Ilhas, o timorense, o macaense, o alentejano, o algarvio, o trans-montano e o portista.

      Obrigada pelo seu comentário; apareça sempre!

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  2. São todos elitizados, só para confundir

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  3. Olá, Mariana!
    Quanto a mim só fazem figura de palermas; nada mais?
    Elite que desconhece a concordância verbal, só em Portugal. Que tristeza!

    Cumprimentos

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