Indicadores Políticos Para 2015

Tethys the Spy - NASA

2014 acabou em grande com o chumbo da proposta unilateral da Autoridade Palestiniana (para obter reconhecimento de um estado ex nihilo), junto do Conselho de Segurança da ONU – bravo.
Então, com o que poderemos contar este ano? Alguns indicadores apontam para o seguinte:

A continuação do declínio europeu
A União Europeia, infelizmente, continuará a decair uma vez que se recusa a dar ouvidos à voz do povo (que, entre outras coisas, está cada vez mais contra a Islamização da Europa) e àquela dos estados membros que apelam a uma reestruturação completa do projecto europeu. De momento, a UE está perdida. Para dizer a verdade, tem estado assim há já algum tempo porque não só se tornou megalomaníaca como principalmente se tornou numa máquina imensa, ao estilo socialista,  que se desviou do seu propósito original: integração económica (eliminação de tarifas, quotas; área livre de comércio, mercado comum). Ao longo dos anos a união tem-se afastado da visão dos fundadores da UE e, ultrapassou todos os limites políticos.
O projecto europeu deveria ser reestruturado e simplificado (por mais que doa àqueles que se acostumaram a construir carreiras à custa dos contribuintes): manter a zonas livres de comércio e o movimento livre de pessoas e bens, obliterando instituições redundantes (e.g. o Parlamento Europeu).

Justiça territorial no MO
A justiça histórica no Médio Oriente (MO) começará a ser feita. 2015 será o ano em que as peças do MO começarão a ser recolocadas no seu devido lugar.
O Estado Islâmico (EI) é um grupo terrorista do mais vil que há, não obstante a organização carrega consigo uma mensagem Islâmica comum a todos os quadrantes: os muçulmanos, no mundo árabe, desejam total controle sobre o seu território, sob um conjunto próprio de leis; e rejeitam o desenho territorial imposto por Sykes-Picot. Por outras palavras, a interferência ocidental no MO não funcionou – as várias tribos querem uma composição territorial similar à que existia antes dos franceses e dos britânicos meterem o dedo nos seus assuntos. Contudo, para atingirem os seus objectivos, as nações árabes precisam de se aperceber de uma coisa: terão de conviver com um Israel seguro, querendo isto dizer que ali também a justiça deverá ser feita – as reivindicações territoriais ex nihilo (como forma de deslegitimar o estado judaico) não serão aceites. Se  não querem que o ocidente interfira nos seus assuntos, eles também deverão ficar de fora dos assuntos israelitas: tudo o que é necessário é vontade política e coragem.

EUA: return of the mack
Os EUA irão reemergir como a maior potência do mundo. A sua economia está a crescer (sendo na verdade o único país de topo cuja economia está em crescimento, tendo aumentado 5% no quarto trimestre de 2014), as taxas de emprego estão a aumentar, é independente em termos de energia; pela primeira vez em 40 anos começará a exportar petróleo («Os Estados Unidos, agora oficialmente o maior produtor de petróleo do mundo, irá, pela primeira vez desde 1975, permitir a exportação de petróleo “made in USA”.»[traduzido a partir daqui]) e começará a afastar-se das nações árabes, em direcção a novas oportunidades na Ásia e em África.

Índia & Japão: o poderio asiático
A Índia e o Japão darão os primeiros passos para aprofundar as suas relações, de modo a reconquistarem uma posição de liderança na Ásia; o que não será fácil porque tal como Rohan Mukherjee e Anthony Yakazi escreveram “Beijing segue de perto a evolução dos laços entre a Índia e Japão e, a longo prazo, pretende prevenir uma aproximação excessivamente calorosa entre estes seus dois rivais.” já que o Dragão Vermelho sabe que assim que os laços entre estes dois países (fortes, democráticos e livres) se intensificarem eles estarão numa melhor posição para desafiar o papel desempenhado pela China no mundo.
“Os dois países têm um interesse em travar a ascensão da China sem provocar conflitos ou uma qualquer forma de intensificação.” - este ano, Cristina Giancchini (a partir de agora, a nossa editora-chefe) irá partilhar connosco como, na sua opinião, a Índia consegue subir ao poder sem desafiar a China (a ponto de gerar conflitos de maior escala). Se as relações entre a Índia e o Japão realmente se intensificarem – como pensamos que será o caso – os dois países ascenderão a líderes regionais e a poderes mundiais.

Notas Finais
Temos uma visão mais pragmática das actividades russas: no ano passado a Rússia forçou a UE a expôr as suas vulnerabilidades políticas e militares (i.e. Estavam de mãos atadas) e, segundo os indicadores, o seu tácito acordo com os EUA começará a dar frutos. O problema islâmico deve ser resolvido.
2015 também marcará o ano em que os universos académico e político serão confrontados com a realidade da necessidade de duas coisas: 1- um novo modelo económico (visto que os antigos não mais explicam os fenómenos decorrentes), 2- novos indicadores de poder (como vimos: população, PIB, contribuições para missões de paz da ONU e o número de tratados assinados não são índices de poder apropriados).
Este ano, teremos eleições na Grã-Bretanha, Israel, Portugal, Canadá, Espanha, Grécia, Nigéria, Tanzânia, Trinidad e Tobago, Argentina (para mais clicar aqui) – estas são eleições importantes porque, por exemplo, representam a diferença entre a continuação da disciplina fiscal e o regresso à anarquia fiscal; a separação da UE e a permanência na mesma; a diferença entre um estado judaico seguro e fronteiras indefensáveis (i.e. A sua morte); a segurança da África Sub-Sariana e a tomada de assalto islamista; e, finalmente, a diferença entre uma América Latina nova e uma obsoleta.

Este será, sem dúvida, um ano muito interessante; e gostaríamos de vos convidar a passá-lo  na nossa companhia.
2015 está aqui: vamos ao trabalho.

Comentários

  1. Oi, Max!
    A complexidade do oriente médio depende exclusivamente das decisões dos povos que falam a língua árabe. Mais que isso é colocar fogo na fogueira. A identidade árabe é uma amálgama que, se entre eles é conflituoso, imagina para quem está de fora. Álias, as coisas se arrastaram mais depois da queda do Império Otomano e com a intromissão européia após a primeira grande guerra. A situação política não deveria prejudicar os direitos civis e religiosos dos povos, mas me parece que sonhar com um mundo sem fronteiras é "Lennon" :)
    Feliz 2015!! Que esse ano seja de mais paz!
    Beijus,

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    1. Oi Luma :D!

      Bem, eu atribuiria a total responsabilidade da complexidade do Médio Oriente aos países árabes (querer acrescentar todos os povos que falam a língua árabe poderia tornar-se ainda mais problemático, porque envolveria o Norte de África e outros países muçulmanos onde o arábico é também falado - e acredita, os árabes não querem a interferência daqueles nos seus assuntos, embora apreciem o seu apoio incondicional).

      Exactamente, a identidade árabe é uma miscelânia de identidades; mas o Pan-arabismo não é uma criação ocidental mas sim Egípcia (que irónico, não é?) - e não deu certo. Agora, onde o ocidente errou - nomeadamente a França e a Britânia - foi na manipulação de fronteiras. Por que é que o Curdos tiveram que ficar sem país (que estava bem definido como tal) e ver o seu povo dividido e subjugado por quatro países, quatro "povos" diferentes? Podes bem ver o desastre que foi e hoje reclama-se um Curdistão unido de volta - i.e. justiça histórica.
      O império otomano é outra história...

      Achas que há direitos civis e religiosos no médio oriente (tirando Israel)? Só podes estar a brincar...
      De qualquer maneira, se um mundo árabe sem fronteiras é o que eles querem, assim seja - é a terra deles e não nos devemos intrometer (agora compreendo os chineses lol); desde que não se intrometam nos nossos assuntos.

      Feliz 2015, minha linda. Paz: não ainda, infelizmente.

      Beijocas e obrigada pelo teu comentário :D

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