Teias intricadas


«Tenho saído com outro homem, um Inglês. Apaixonámo-nos e vou-me casar com ele.» um pálido Tarik pergunta-se se Alá não estará a castigá-lo pelo que fez a Catherine; ele tenta encontrar as palavras certas para responder à sua noiva, mas tudo o que diz é «O que é que vamos dizer aos nossos pais?» [Fatamo corta o ar com uma gargalhada cutilante] «Os meus pais já sabem, querido. O meu pai ficou muito contente porque o pai do James é dono de uma Brokerage house – o negócio da família irá beneficiar em muito…» Tarik acena com a cabeça em silêncio, levanta-se da cadeira, diz «Então falarei com os meus pais. Desejo-te e ao negócio da tua família toda a sorte do mundo!» e sai do apartamento….
«Ai se não estivéssemos em Londres...no Paquistão eu teria o direito de lhe dar uma chapada naquela linda cara, [suspirando] estas mulheres...os tempos estão a mudar...que saudades tenho da Catherine...aquele miúdo dela faz-me lembrar alguém...não, não pode ser [acenando com a cabeça]! Como é que vou contar ao meu pai?” ao dirigir-se ao seu carro repara numa alta e linda Indiana que observava o seu Jaguar XKR verde botânico «Gostas de carros?» pergunta ele, «Sempre gostei de jags...são lindos, não são?» Tarik sorri, abre a porta do seu carro e diz «Até à próxima!» ela responde «Se Deus quiser!» e cada um vai à sua vida...
Seis meses mais tarde (depois daquele fatídico episódio na casa dos seus pais, em que fora informado, pelo próprio pai, que ele e o seu ex-futuro-sogro haviam combinado que o casamento entre a Fatamo e James era muito mais proveitoso para o negócio das duas famílias, do que o dele com ela; e que tinha a certeza absoluta que ele, Tarik, encontraria uma boa rapariga para casar), Tarik está a sair do prédio do seu escritório para fumar quando de repente choca com uma pessoa (que entorna café por cima do seu fato) «Ah, merda...não acredito nisto!», «Peço imensa desculpa; é que eu vi um jag passar e [Tarik reconhece aquela maneira peculiar de dizer “jag” e ergue os olhos] não o...[assim que ele levanta a cabeça ela reconhece-o]...vi!», «Você de novo?!» ele exclama «Eu mesma! [responde ela com um sorriso] Deus sempre quis, não é?». «Oi, o meu nome é Tarik» «Olá eu sou a Miriam!»…Ele ficam ali especados a olhar um para o outro, feitos parvos (ele com o fato manchado de café e ela com a copo virado para baixo). O momento era intenso, contudo algo dizia a Tarik que havia coincidências a mais…

«Paul, no mês que vem temos uma reunião com os nossos irmãos em Lisboa. Parece que a nossa irmã conseguiu preparar um jantar em sua casa e, ela vai lá estar, com o seu noivo. Temos de desenhar uma estratégia…vai levar a sua mulher ou a sua bolachinha? [Paul fica perplexo] Sim, nós sabemos tudo sobre a sua “Maria Madalena”; está tudo certo desde que seja discreto....não quero problemas com o Papa!».
«Não, mãe…ele ainda não abriu uma conta em meu nome; e não acho que o deva fazer...[“O quê, Julie? Estás maluca? Qualquer homem honrado abre uma conta à sua mulher…”]…mas eu não sou a mulher dele, lembras-te? [“Isso é só um detalhe! Agora és uma cristã decente que praticamente vive com um homem…”] Um homem casado, mãe! [“Julie, não compliques, e ouve o que eu te digo: eu estava perfeitamente feliz quando era uma prostituta, porque ao menos não dependias de ninguém; depois resolveste desapontar-me ao tornares-te Cristã – juro que saíste ao teu pai; mas depois devolveste-me a alegria ao envolveres-te com o Paul, um romântico – rico!”]…um homem da Opus Dei, ele é Católico, mãezinha...[“Bem, ninguém é perfeito, não é verdade? Já a vida que ele te pode dar...]...falarei com ele quando voltarmos da igreja, acho que ele quer que me converta ao catolicismo [“Fá-lo! Tens a obrigação de agradar ao teu homem! Tenho d’ir…o teu irmão vem aí para me apresentar o seu novo namorado...tenho de fazer um bolo!”] está bem...então, falamos no final da semana [“Ok, amo-te!”]...também te amo, mãe!» Julie suspira e ao fechar os olhos Paul pergunta «Tavas a falar com a Elizabeth ao telefone? [Julie assusta-se e responde “Sim”] Que pena...! Se tivesse chegado um minuto mais cedo...podería ter falado com ela! Como está a minha bolachinha?» com um sorriso amarelo ela responde «Estou bem…estava aqui a pensar [“oooh, eu adoro quando pensas” diz Paul beliscando-lhe as bochechas]...que talvez tenhas razão: devo converter-me ao catolicismo» Paul desata aos gritos “SIM!SIM! Eu sabia que irias aceitar…[Julie sorri] Tenho um presente para ti…[Paul dá-lhe um envelope...Julie abre e os seus olhos brilham] Espero que seja o suficiente. Agora já podes ir a qualquer banco que queiras, abrir uma conta…!» Julie salta para os seus braços e começa a tirar a sua gravata, a desapertar a sua camisa [Paul fecha os olhos em êxtase enquanto recita “Bom seria que o homem não tocasse em mulher”], ela beija o seu pescoço, depois tira-lhe as calças [“A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido; e também da mesma sorte o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher.”]; os dois caem no chão e fazem sexo ali mesmo...o climax aproxima-se...estão os dois prontos [“e depois vos ajuntardes outra vez, para que Satanás não vos…”]…Paul solta um grito orgásmico “TENTEEEEEEE”!


Dá um salto aqui ao lado e vê que teias Livingsword intricou: Toca aqui!

Próximo Episódio: Manipulação

Comentários

  1. Hey Max, the tag on quirky things is up. Thanks again. Take care.

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  2. Hello Liza,

    I will drop by Simple Life; thanks for having participated :D!

    Cheers

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  3. Oi Max
    A vida vai colando as pessoas em determinadas situações , que de fato, o melhor nome seria uma teia, onde tudo se completa e liga, e que foi muito bem representado pelos seus personagens.
    Muito bom mesmo!

    beijinhos

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  4. Oi Adriana,

    Muito obrigada pelas tuas palavras *vénia*! Às vezes imagino-me no plano superior a ver como as pessoas se encontram, conhecem e vivem e como a teia se vai cosendo lol...

    Muito obrigada, fico feliz por teres gostado :D!

    Beijinhos

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