Sexo, Publicidade e Mentiras


Estamos na era da rapidez e como sou uma desconfiada de tudo o que seja acelerado, não pago crash courses para coisa nenhuma; por tal, leio a história dos sítios a que pretendo deslocar-me e quando lá chego, para melhor entender o quanto baste da sua cultura, dispenso umas horas a consumir a televisão local. Supostamente devido à globalização, a publicidade usa o mesmo padrão desde África à Oceania. Os campeões da indução são a indústria alimentar e as farmacêuticas, contudo as outras indústrias não estão isentas de sofismas.

Indústria Alimentar 

O óleo de palma é uma gordura vegetal que dizem ser nociva para a saúde (especialmente quando usada a altas temperaturas), contudo é um produto de eleição na alimentação dos povos da África Ocidental. Aparentemente, não lhes é prejudicial à saúde, embora a epiderme desses povos seja baça. Clara e obviamente, não ingiro iguarias tais como calulu, moamba, muzongué e kizaca porquanto na África Oriental, essa gordura só tem utilidade para a indústria de cosmética.

ALERTA
A indústria alimentar aferrou-se ao óleo de palma e actualmente raros são os chocolates, bolos, biscoitos, bolachas, snacks etc... que não contenham esse perigo chamado óleo de palma. E até as margarinas e gorduras vegetais para barrar contêm o nocivo óleo de palmeira.

Não sei se os leitores se recordam que nos anos noventa, a indústria chocolateira substituiu a manteiga de cacau por gordura hidrogenada; por isso quando ouvi falar desta febre do palma pensei que este consumo brutal de palma fosse uma maneira de compensar os africanos pelas perdas na manteiga de cacau - porém, a minha especulação foi sol de pouca dura porque os maiores produtores e exportadores de tal gordura estão na Ásia: Malásia e Singapura. Ah, já sei, apesar de África ter esse produto de norte a sul (e de estar mais perto da Europa)  ela "infelizmente" não satisfaz os critérios de exigência da indústria ocidental.

Já todos percebemos o jogo: a indústria alimentar envenena pela boca os consumidores para assim abrir caminho aos seus associados da indústria farmacêutica.

Indústria Farmacêutica

Hoje em dia, há alergias de todo o tipo e claro está que de certeza haverá num cantinho da farmácia um medicamento milagroso que dará resposta às agruras das pessoas.

Há uma panóplia de medicamentos que não precisam de prescrição médica, mas nem por isso deixam de ser perigosos e aditivos. Irreflectidamente, cocei o interior do meu cotovelo e mantive a mão no mesmo, a minha amiga levantou-se da mesa e trouxe-me um pomada apropriada ao gesto; chocada perguntei-lhe se o que eu fizera era contagioso, respondeu que não, mas como me estava a coçar valia mais prevenir o aparecimento de um qualquer equizema, retorqui  “cocei-me como qualquer cadela se coça” e para meu grande susto respondeu “os animais também têm alergias e se é o teu caso a pomada não é esta é outra”.

Repentinamente, lembrei-me de que a mesma composição química é anunciada em quase todas as televisões por onde tenho passado e como devem imaginar não quis tossir, de caminho dar um pum, e ser obrigada a tomar uma mistela para a tosse (e devido ao cheiro ou ausência dele) o seu nariz dir-lhe-ia que eu era uma ampulheta a precisar de alívio intestinal. Não fosse o Mefistófeles tecê-las, levantei-me dei-lhe um beijo e tal qual uma fugitiva ignorei o elevador e corri escadas abaixo.

Depois pus-me a pensar qual é o interesse das pessoas em fazerem uso de drogas que aliviam a dor por algumas horas, em vez de irem ao médico descobrir a raiz da dor, da alergia, e curá-las definitivamente? Ah pois, os hospitais portugueses não estão equipados para o efeito e os laboratórios que possuem equipamento cobram couro e cabelo com a agravante de tais procedimentos não serem comparticipados pelo SNS (Serviço Nacional de Saúde ). Ora bem, só resta concluir que a indústria alimentar, as farmacêuticas, os políticos e os governos estão todos mancomunados para delapidarem as pessoas sem que as maleitas alguma vez se curem; portanto, o consumo diário de medicamentos é a acção que incrementa os lucros do conjunto das multinacionais e de seus parceiros políticos.

Outras indústrias pertencentes à indústria Alimentar, Farmacêutica e Sexo

Quem precisa de ver o tronco nú de um homem para poder comprar detergente? Isto pode ser um indutor para as mulheres solitárias se meterem no carro irem ao supermercado tentar aliciar um homem, que coitado só quer comprar detergente e meter-se a caminho de sua casa. Sabemos que existem Gays e adeptas de Lesbos mas quem quer ver anúncios explícitos? Querem me dizer que as companhias irão baixar as vendas? Quantos dessa espécie andam por aí? Ah espera, os pobrezitos e as pobrezitas iriam gritar para as ruas, com o rabo descoberto, de que eram vítimas de discriminação? As empresas que se deixem de inferioridades nojentas: as pessoas são o mesmo em todo o lado (ok, menos no mato profundo do Congo), sigam mas é o exemplo da Microsoft.

Leite Mimosa: estou de olho em vós. Sei bem que em Portugal demoram a compreender a evolução dos tempos; o exemplo disso é o departamento de marketing da Mimosa que é composto por saloios e labregos que se auto-convenceram de que o leite Mimosa é uma marca boutique e que só deve ser consumido por gente de pele pálida e bem. Mas pensando bem, tant mieux, é melhor que os niños pretos, mulatos chineses, indianos, brasileiros achocolatados, e mesmo os refugees não toquem no vosso leite cheio de hormonas e vestígios de antibióticos: idiotas.

Mentiras

Ó ministro Centeno, continuo de olho em si. Para mim, desde aquela percepção com o senhor Domingues, vossemecê é um inverdadeiro e deflector mestre. Não estou impressionada com as suas políticas, a minha percepção é de que vá tudo ruir. Com tantos estudos, o senhor está a fazer como eu faço quando estou apertada de dinheiro: privo-me de certas coisas e como não se pode confiar nos bancos, o meu colchão cativa os meus fundos.

Até para a semana   

(Imagem: O Beijo[Ed] - Francesco Hayez)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence). © 2009-2018 Autor/a(es/as) TODOS OS DIREITOS RESERVADOS]

Comentários

  1. Essa tal de Mimosa é uma marca atrasada, mana! Tudo é maningue mentira hoje em dia, não se pode acreditar em nada do que se vê na TV ou nos jornais, a sério. Mas yah, gostei da tua história dos remédios, xii nós aqui vamos ao curandeiro para nos curar: é tudo natural! É só ervas hehehehe...

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    1. Olá, Carlitos!
      Não consumo os produtos deles.
      Com que então vais ao witch-doctor, sweet...

      Aquele abraço, resistente de Moza!

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  2. Olá Lenny,

    Primeiro, tenho pena das pessoas que enriquecem ainda mais as farmacêuticas (muito com a contribuição dos médicos de família que enfiam drogas de toda a sorte aos seus pacientes - uma pessoa sofre de tonturas, enfiam-lhe Xanax...mas isto cabe na cabeça de aguém?). Segundo, a comunidade Gay que se mantenha fora do radar. É o meu conselho.
    Terceiro, o Centeno está a ir com muita sede ao pote...

    Bom trabalho, querida :D.

    Beijocas

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  3. Enviei um tweet a Mário Centeno com "Não estou impressionada com as suas políticas, a minha percepção é de que vá tudo ruir." esperemos que ele entenda a mensagem, se tiver coragem para isso. Só faço uma pergunta: se está tudo cool em Portugal, porque é necessário um Pacto/Programa de Estabilidade? Isto faz-me lembrar 2011 e os PECs do Sócrates...does anybody else remember? Shabbat Shalom!

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    1. Olá, CCG!
      Yes, I do, I do, I do...I do remember.

      Beijocas, bella mia!

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  4. Portugal está lixado!

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  5. Óleo de palma agora está em todo o lado, mas em quem devemos botar a culpa? Nos angolanos ou nos africanos da áfrica ocidental?

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    1. Olá, Carla!
      Devemos botar a culpa na ganância e lucro fácil. Desisti de comer Cadbury, desde que a Mondelez ou Kraft adquiriu a chocolateira: é tudo uma merda.

      Beijocas

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