Crise Catalã: Espanha Criando Ameaça à Segurança da Península Ibérica


Espanha está a preparar-se para ter problemas. No passado sábado, Madrid decidiu suspender o Governo da Catalunha e impôr governo directo – terá Rajoy dado um tiro no pé? Estará a Monarquia Espanhola em perigo? A Crise Catalã poderá transformar-se num problema de Segurança para a Península Ibérica.

A Espanha Quer Democracia ou Não?

O Governo Espanhol é constituído pelo “Partido Popular” pelo que se deveria presumir que o partido respeita a vontade popular; mas o que o PM Rajoy mostrou ao mundo é que não quer saber do que o Povo Catalão quer.

No dia 1 de Outubro de 2017, os Catalães votaram a favor da independência (+99% do eleitorado, para dizer a verdade) ainda que o Governo Espanhol tenha tentado suprimido o seu direito de voto no Referendo.

Os países precisam de se decidir de uma vez por todas: quando falam de Democracia, o que é que realmente querem dizer com isso? Porque daqui onde estou, vejo a vontade de muita gente a ser desrespeitada:

  • Donald Trump foi democraticamente eleito pelo Povo Americano. Desde que foi empossado, o Presidente não teve um único dia de descanso para trabalhar de modo a Make America Great Again, só porque uns quantos esquerdistas rancorosos não conseguem aceitar que já não controlam a opinião pública – e assim provocam o caos. 
  • O Povo Britânico votou a favor do Brexit – e fez bem. Mas assim que os votos foram contados, os Remainers rancorosos, apoiados por Bruxelas, deram início a uma campanha de deslegitimação do Governo da Sua Majestade de modo a passar por cima da Vontade do Povo. 
  • Mais de 99% do eleitorado Catalão votou pela independência. Pensemos juntos: mais de 99% dos votos optaram pela separação de Madrid, da Monarquia. Esta é a Vontade do Povo. 

Isto é que é Democracia, para o bem e para o mal; para os bons tempos e para os maus. Se os países não estão contentes, então acabemos com o termo e mudemo-nos para o próximo sistema político – mas qual? Espanha, no dia 1 de Outubro, mostrou-nos que está pronta para se tornar uma Monarquia Constitucional Repressiva onde a Democracia é apreciada quando as coisas lhe correm de feição, porque quando não correm: suprimem os direitos das pessoas.

O Papel do Rei

A posição do Rei Felipe VI é relativamente compreensível: ele quer manter o controlo da Catalunha; sob pena da Espanha perder a sua posição na União Europeia e perder, eventualmente, a sua força para a Polónia (NB: se a Catalunha disser adeus juntamente com os seus mais de 7 milhões de cidadãos). Contudo, não se apanham moscas com vinagre e, logo, o Rei deveria ter-se dirigido aos Catalães num tom mais suave – ou será que ele queria enviar uma mensagem clara de que ele estava a canalizar Franco (o poderoso Protector Militar da Monarquia)? O seu discurso perante o país foi indubitavelmente ominoso...

O facto é que, no passado sábado, a história repetiu-se: tal como Franco (após 1939), o PM Rajoy anulou o estatuto de autonomia da Catalunha. Perguntamo-nos se Madrid irá também proibir qualquer uso em público, e o reconhecimento, da língua Catalã. Os sinais não são bons e Espanha poderá acabar por ver outro conflito armado interno (convencional ou não), se os direitos do Povo Catalão não forem respeitados.

Qual o Futuro da Catalunya?

Qual será o sistema político que virá a ser implementado: uma República ou uma Monarquia Constitucional (representada pela Casa de Aragão)? Se a Monarquia for a opção seleccionada (ainda que eu duvide já que muitos dos Nacionalistas são Esquerdistas que são profundamente anti-Monarquia, anti-Aristocracia, anti-Tradição) sabemos ao menos quem é o descendente da Casa de Aragão? Coloco esta questão porque se Barcelona quer lidar com Madrid, então seria aconselhável fazê-lo estando ao mesmo nível; de outro modo, Madrid (com o apoio do Rei) ir-se-á considerar sempre superior – o que tornará qualquer negociação mais difícil.

O problema com o estabelecimento de uma República é que será mais do mesmo. Nada de novo, nada de revolucionário acerca do acto: corrupção e mais corrupção. Logo, a Catalunha deveria pensar bem e tomar uma decisão...rapidamente.

O que foi, isso é o que há-de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: de modo que nada há novo debaixo do sol. - Eclesiastes 1:9

E será que Espanha já pensou na questão da Segurança da Península Ibérica? Se Madrid bater de frente com os Catalães, e prender Carles Puidgemont, será que o Rei já pensou nas consequências de tal decisão? Aqui ficam só alguns exemplos:

  • Acordar grupos Independentistas (não só Catalães como também Bascos). 
  • Assistir a Grupos Terroristas, já instalados em solo espanhol, ajudando a causa catalã (ainda que nem passe pela cabeça dos líderes catalães pedirem ajuda a tais grupos). 
  • Fazer com que grupos como o IRA se juntem à festa. 
  • Encorajar o investimento Islâmico, na Catalunha, de países como o Qatar – o que seria desastroso para a segurança interna do Reino da Casa de Bourbon. 

Ora, se este cenário se verificar, Portugal estará a perigo também porque a Lusitânia já é um país que 'alberga' elementos da ETA, do IRA, e pelo menos 7 células Islâmicas adormecidas - logo, o país poderá ser usado como base de operações. Lisboa está presentemente preocupado com o lado económico da Crise Catalã, mas dever-se-ia preocupar mais com a Segurança Regional da Península, que dará muito mais dores de cabeça à nação (do que ser criativo e procurar novos mercados para exportar os seus produtos).

(Imagem: Senyera - Wikipedia)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Olá, Max!
    Como diria um amigo meu "Esta espanholada é deliciosa" e eu vou ficar de camarote...

    Bom trabalho, minha cara!

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  2. Se a catalunha não declarar independência terá sérios problemas com o povo, por isso de qualquer maneira terá problemas! Agora é ver qual dos problemas é mais conveniente.

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