Banco Espírito Santo: Um Conto de Subversão Terrorista e Lavagem de Dinheiro


O Banco Espírito Santo não era demasiado grande para cair, apesar de estar interligado a todos os sectores da economia portuguesa. Pelo que temos vindo a aprender, o BES tinha acções em todas as companhias de maior porte em Portugal; emprestou milhões de euros a amigos e grupos de interesse especial (sem garantias), comprou dívida do estado até à exaustão, patrocinou campanhas eleitorais (desde a esquerda à direita) e financiou políticos para comprar espaço de manobra.

Até agora, a Justiça portuguesa conseguiu apurar que o BES tinha um Primeiro Ministro (José Sócrates) no seu bolso; que a Elite Angolana depositava dinheiro (aos milhões, transportados em sacos) na sua instituição sem perguntar a origem dos fundos, e que – ao contrário do que se pensava – fundos portugueses eram enviados para Angola (para o BESA fundado de fresco) e depois reintroduzidos em Portugal como investimento angolano. Mas Portugal precisa de aumentar o âmbito da sua investigação porque poderemos estar perante um caso de Financiamento de Terrorismo.

Serviço de Lavandaria I

Diz-se que o BES enviou mais de €1.000 milhões para a Elite angolana (incluindo a irmã do Presidente que não está envolvida em nenhuma actividade empresarial que justifique receber um empréstimo de €800 milhões, de novo, sem garantias) para que Ricardo Salgado pudesse continuar a intermediar negócios de armas para Angola - armas essas cujo destino final merece uma atenta investigação. Também se suspeita que milhares de milhões de euros tenham sido colocados sob custódia angolana e depois reintroduzidos em Portugal como investimento angolano. Mas tudo isto dá azo a várias perguntas:

  • Se o dinheiro não teve nenhum outro propósito senão abrir contas no BESA, e enriquecer elementos angolanos em troca do seu silêncio; será que estamos a falar de fraude para valorizar as acções do BES?
  • Se os relatórios estão correctos, e o BES estava sem liquidez após ter comprado a dívida portuguesa – durante o governo do PM Sócrates – donde vieram os fundos concedidos aos angolanos?
  • Porque é que, durante o pico da crise económica, e ao mesmo tempo que o BES abriu o BESA e centenas de outras companhias/contas offshore, Portugal viu um aumento do fluxo de cidadãos angolanos (não necessariamente nativos africanos), chineses, paquistaneses e libaneses (que compraram ou autorizações de permanência ou nacionalidades)?
  • Porque é que após a queda do BES, Portugal começou a sofrer ameaças terroristas? Estará relacionado com os verdadeiros donos do dinheiro lavado por Ricardo Salgado?
  • Ainda falta identificar a localização de €5.7 mil milhões – para onde foi esse dinheiro? Dinheiro não se esvanece no ar; por isso alguém está a escondê-lo...mas quem?

Serviço de Lavandaria II

Ricardo Salgado gozou de uma posição privilegiada e, logo, para além de ser o CEO do BES, ele também agia como mediador de negócios em Portugal. Como tal, em troca de comissões, ele fez uso da sua influência para mediar pedidos de empréstimos entre os seus clientes e outros bancos portugueses. Mas há uma questão que não sai da cabeça do ser pensante: estaria ele também envolvido na venda escandalosa do BPN ao BIC (um banco luso-angolano, cujo accionista principal é a Isabel dos Santos, a filha do presidente angolano)? É uma pergunta válida já que o nome do Sr Salgado aparece em todos os escândalos bancários (ex: CGD e Montepio).

Agora, é um facto que o BES lavava dinheiro – através da sua sucursal no Dubai – mas o que não ficou claro (ainda que se tenha mencionado alguns nomes de generais angolanos) foi de quem são verdadeiramente os fundos que Ricardo Salgado lavava. Se por um lado, ele enviava dinheiro de Lisboa para Angola para ser lavado em Luanda; por outro, ele recebia fundos através de angolanos para lavar no Dubai, na Suiça, em Londres, em Miami etc...

O que seria interessante saber é a verdadeira razão pela qual o Presidente dos Santos cancelou a garantia, que emitiu a favor do BESA afim de evitar o colapso do império do Espírito Santo. 

A jovem Isabel dos Santos, conhecida por nós como a afilhada de Ricardo Salgado, diz que a sua nova fortuna não foi roubada do Povo angolano nem sequer foi um presente do papá; pelo contrário, ela começou por vender ovos com a sua Avó – ainda que recentemente, ela tenha afirmado perante uma audiência inexperiente, na London School of Economics, que a sua fortuna começou no dia que ela vendeu o seu carro por US$30.000 – seria conveniente saber se os fundos que andam para atrás e para a frente (entre Angola e Lisboa) realmente pertencem à elite angolana ou aos seus clientes Sunitas ou Xiitas.

Financiamento de Terrorismo

Por isso, temos um grupo de pessoas, de um país cuja população vive muitíssimo abaixo da linha da pobreza, que aparentam ser podre de ricas (ainda que se vistam mal), que compram dezenas de apartamentos (no valor de milhões de euros, mas que não vivem em nenhum), que compram carros (mas 'oferecem' a outros para os guiarem), que dão festas de aniversário em Veneza (mas pagam aos convidados para aparecerem) e possuem grandes propriedades em Portugal com escravos africanos; logo, quem são estas pessoas e para quem trabalham?

Estará Ricardo Salgado envolvido com os cidadãos do Médio Oriente que operam abertamente em Angola? E se sim, terá ele transformado Portugal na máquina de lavar fundos que é hoje; e terá ele exposto Portugal ao perigo oriundo do Irão, Líbano e do seu sócio silencioso (Qatar)?

Pensamento Final...

O Ricardo Salgado e a sua família, Espírito Santo, estão ligados a outra família igualmente interessante – os Rothschilds – que estão envolvidos em rigorosamente tudo e que também abriram 'loja' no Dubai, três anos depois do Salgado. Coincidência?

Perdeu-se o rasto do tal dinheiro angolano em Londres...


(Este artigo foi produzido em cooperação com Lenny Hannah)


(Imagem: Ex-sede do BES [Ed.] - Google Imagens)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. O caso parece estar cada vez mais complicado. Mas se for verdade que ricardo salgado está envolvido com terroristas lavando o seu dinheiro, então cabe à justiça portuguesa investigar! O pior é se o caso vira internacional.

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