Caso BES, GES e Sócios: Hienas à solta


Existem três tipos de mentira: “branca”, caluniosa e insidiosa - pelos vistos esta última é também apanágio das instituições e por tal foi-nos tristemente permitido ver o império do Grupo Espírito Santos (GES) esfumar-se sem uma explicação plausível. Apesar do governador do Banco de Portugal (BdP) ter sido ilustrado, na reportagem da SIC, como um supervisor ao retardador, o presidente do Banco Espírito Santo (BES) ter sido pintado como um qualquer assaltante de bancos e os angolanos haverem sido apresentados como os malabaristas da alta finança, o facto é que ficaram por esclarecer várias dúvidas.

Ora analisemos o seguinte:

  • Ricardo Salgado, como cidadão e amigo do ex-primeiro ministro José Sócrates, envolveu a sua instituição Banco Espírito Santo (BES) fortemente na aquisição da dívida soberana de tal modo – segundo o ex-presidente do BES – que se viu obrigado a recorrer ao Dr. Mário Soares para lhe comunicar que os bancos portugueses estavam sem fundos para continuar a suportar a compra da dívida nacional; mas que o já falecido patrão do PS, o aconselhara que prosseguisse o seu investimento na aquisição do papel do governo de José Sócrates. 
  • Ricardo Salgado associou-se com o Sindicato do Crime Angolano (SCA); depois permitiu que a sua sucursal, Banco Espírito Santo de Angola (BESA), desbaratasse $ 5.7 milhões sem colateral/garantia de espécie alguma; de seguida branqueou $500 milhões de Angola, que supostamente reentrariam na ex-colónia como um investimento do BESA em troca de uma garantia emitida por Angola no valor de $5.7 milhões para salvar o BES de um capital negativo de €5.287.125.000 que fora perdulariamente utilizado para auto-financiar a parte comercial do GES.         
  • Ricardo Salgado coagiu Zeinal Bava e Henrique Granadeiro a convencerem os accionistas da PT a emprestarem ao GES cerca de €800 milhões.
  • Ricardo Salgado andava a impingir Obrigações do GES a todo o mundo mesmo sabendo que incorria no risco de fraude financeira e má exposição do seu Império, que aparentemente já estaria falido. 
  • Ricardo "Espírito Santo" pela mão de Álvaro Sobrinho, seu ex-homem forte no BESA, recebeu uma comissão choruda por branquear com sucesso os fundos angolanos; Ricardo Salgado por sua vez terá alegadamente agraciado o eng. José Sócrates através do luso-angolano Hélder Bataglia. Ricardo Salgado terá também aparentemente agraciado Zenal Bava e Henrique Granadeiro devido aos negócios da Vivo e da Oi etc, etc; 
  • Ricardo Salgado um banqueiro de craveira internacional repentinamente passou a ser um malfeitor com contornos de uma deslumbrante ingenuidade; não se sabe que mézinha lhe fora administrada para que a sua razão ignorasse o conceito de senso do perigo, a ponto de negligenciar o banco, os seus clientes e mesmo a sua família. Não se sabe que varinha mágica terá utilizado para impingir a todo o mundo, um vendaval chamado Rio Forte, a pessoas experimentadas nos meandros da vida; mais espantosa ainda foi a postura dos seus amigos e sócios angolanos que de bom grado engoliram todo este fiasco financeiro.

Para uns a ideia da imperfeição humana é apelativa; outros adoram a noção de que a vida seja um risco, desde o momento que quem se lixe seja outrem; alguns deliciam-me com o conceito 'reerguer-se das cinzas' desde que a soberba seja a sua melhor conselheira: fizeram certamente tudo o que puderam, vários factores contribuíram para o transtorno, excepto eles.

Pois é...pois é, a história está incompleta e aparentemente mais cabeluda, porque o dinheiro ainda que virtual não desaparece assim mesmo. Logo, o Banco de Portugal - desde Janeiro de 2010 que vinha conversando com a entidade supervisora do Dubai, DFSA - levou quase cinco (5) anos para por termo à fraude; porquê?
  • Não foi concerteza por incredulidade; 
  • Não foi porque alguém no interior do BdP possa ter resolvido reter para si (por algum tempo mais) a informação; 
  • Não foi porque o governador do BdP tenha tido medo  de confrontar o patrão do BES; então o que foi? 
  • As eleições per se não foram razão suficiente e necessária para que não se apertassem os calos à gestão do BES.

Quando na reportagem da SIC se afirma que os angolanos investiram em emissões de dívida, então não se está mesmo a ver que eles estavam a branquear o seu dinheiro ao comprar também a dívida nacional? Deveria o governador do BdP ter pronunciado isto em alto e bom som?

O BES e o GES eventualmente entraram também na corrida contra relógio de aquisição de papel do estado português: qual o seu valor, onde estão e quem os detém?
  • Quem é que está a amparar as costas de Ricardo Salgado? Lembremo-nos que o dinheiro de Angola desaparece para sempre a partir de Londres
  • Quem classificou os papéis do grupo como bons para serem vendidos no Mercado?
  • Será que nos deveremos deixar convencer pelo Ricardo Salgado e sua camarilha de que não foram feitos seguros e re-seguros de todos e cada um dos papéis que foram transaccionados por todas as entidades ligadas GES?

Mesmo acreditando na virtualidade do dinheiro, em que país e em que bookmark está ele estacionado?

Até para a semana

(Imagem: Ricardo Salgado [Ed.] - Google Imagens)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. "Mesmo acreditando na virtualidade do dinheiro, em que país e em que bookmark está ele estacionado?" - isso é tudo o que gostaríamos de saber. Na minha opinião, eu acho que falta ainda investigar o envolvimento de outras entidades, que vão para além de Angola. Bom trabalho, Lenny.

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    1. Olá, Cristina!
      A propósito do artigo, telefonou-me uma pessoa dizendo-me que o Dubai sabe muito mas anda a pé, quando se trata de negócios relacionados com Angola. Dizem-me que o ES Bankers existiu porque Angola assim o quis e, os Emiratos anuiram: quid pro quo.
      Sim, tens razão, a procissão ainda vai no adro.

      Boa semana de trabalho

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  2. Olá Lenny,

    Vi o tal documentário e devo confessar que fiquei de boca aberta. Portugal passou de país de brandos costumes (se é que alguma vez o foi) a Lavandaria. Eu amaria saber o seguinte: quem sugeriu ao BES que abrisse uma sucursal no Dubai? E porquê o Dubai, exactamente (é porque lá podem roubar o dinheiro de clientes à vontade)? Os fundos da elite angolana não é exactamente dessa elite, Portugal já perguntou ao Sr Salgado a quem pertencem de verdade? Porque se se souber isso, talvez venhamos a descobrir para onde desapareceram os fundos.

    O Banco Espírito Santo tentou ser um Goldman Sachs - poverelli! Talvez tenha retirado a ideia naquelas festas interessantes que a família ES frequentava em França e Inglaterra chez les Rothschilds?

    O mundo está interessantíssimo, Lenny. Obrigada pelo excelente trabalho.

    Beijocas e espero que o jejum esteja a ser tranquilo.

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    1. Olá, Max!
      Dizem-me que Angola é que tratou de tudo com os Emiratos. O Dubai exactamente porque aquela sucursal era só para tratar fundos angolanos, o roubo aos ditos clientes "profissionais" foi um despiste,para justificar o desaparecimento dos fundos. Portugal não irá perguntar, porra nenhuma, aos detentores de parte da dívida soberana; ok? A propósito da pertença, o "garganta funda" que me telefonou fez umas insinuações que tas direi pessoalmente: acharás estrambólico.

      O GES estava a tentar ser Gold...quem? Podem frequentar tudo o que quiserem, mas a mim parece-me que os Rothschilds conheçam bem a sua Bíblia...

      O mundo está fabuloso, adoro a oportunidade de, poder estar nele, justo agora.

      Boa semana de trabalho

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  3. Xiiiii, manaaaa, que milando do grosso!!!! Li o artigo da Max também e sinceramente estou chocado. Vamos ver se entendi, o dinheiro dos angolanos pode ser de terroristas, o BES lavou o dinheiro de terroristas e ainda desapareceu dinheiro que pode ter ido para terroristas? Hehehehe a Tuga tá nice! Olha se a Frelimo aprende com o MPLA hehehehe.

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    1. Olá, Carlitos!
      Ai isto aqui está muito bom, isto aqui está bom demais! I'm loving it!
      O que dizia Jesus de Nazareth? O seu ao seu dono: "a César o que é de César e ...."
      Ah...a Frelimo!

      Aquele abraço, resistente de Moza.

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