Em Portugal Não Se Preza a Competência Mas os Canudos...Falsos!



Determinada vez participei numa reunião, em Genéve; o assunto apresentava contornos de uma certa dificuldade mas não era complexo. Contudo os machos que estavam no encontro, numa pura competição de testosterona, emaranharam o problema sobremaneira, que a resolução levou cinco horas em vez de três. Tudo porque um dos presentes levantava barreiras a qualquer solução que se apresentasse porque se intitulava perito do tema em causa e, enquanto ele não apreendesse os vai e vem da discussão, nada do que fosse dito fazia sentido na sua massa cinzenta. Levado pela irritação, um dos participantes perguntou ao indivíduo qual era a sua formação, o outro nomeou as suas credenciais, o primeiro retorquiu “pois, gostaria de vê-lo com o seu canudo de merda, num país grande onde a competição é a valer”.

No ano passado, queixava-me do pulso, e desloquei-me ao Hospital Amadora-Sintra, onde fui radiografada e quem me atendeu foi um médico ortopedista brasileiro. Depois de uma vista rápida pelo seu computador, pediu-me que pusesse as mãos em cima da sua secretária; e do nada receitou-me ibuprofeno. Devido a uma certa condição física, informei-o de que não tomaria tal fármaco, concordou e então recomendou-me que fizesse gelo. Fiz-lhe um reparo acerca duma saliência que me pareceu ser um osso fora do sítio, pois havia uma pequena cavidade na dianteira da mencionada saliência. A raridade com vestes de médico sem tocar no dito levantamento, respondeu-me que se tratava de uma massa “nada sério”.

Achei-o um cretino sem paralelo e consultei um simples técnico de ossos que me pediu uma radiografia. O técnico fez a leitura daquela e apontou-me o estado dos esqueleto dos membros direito e esquerdo, devolveu-me as radiografias e, num toque firme a saliência foi reposta no lugar. Prometi-me que não pagaria a conta do Hospital, nem mesmo que me processassem. Vai-se lá saber porquê; enviaram-me somente uma carta informativa sobre o procedimento médico cujas custas rondavam €1,80. Claro, fartei-me de chamar nomes ao ministro da saúde, à direcção do hospital e ao chefe da ortopedia do Amadora-Sintra, por contratarem alguém que na certa comprou o seu diploma médico, numa qualquer universidade em terras de Vera Cruz - um sapateiro que devido ao seu estúpido diagnóstico ir-me-ia causar problemas ósseos anos mais tarde.

A minha vizinha é casada com um doutorado de Finanças pela Universidade de Harvard. O pequeno de 40 anos pratica abuso psicológico sobre a sua esposa, a qual tem uma licenciatura e mestrado em psicologia. A rapariga é uma pessoa interessante, logo fiz-lhe notar que não fazia sentido, uma mestra em psicologia deixar-se manipular e abusar por um financeiro de terceira categoria sem credenciais para trabalhar na bolsa de valores de transacção de café em Addis Ababa.

Qual é a importância de ser doutor? É enorme e pesada; refiro-me contudo ao verdadeiro doutor: um homem instruído, bem-educado que se pauta pela cordialidade no trato, homem honrado, livre de pedantismo, cidadão do mundo e cultivado, enfim um ser sofisticado que embora complexo é adepto da simplicidade na abordagem; mas nesta descrição, nenhum dos acima descritos se encaixa.

Mas já que os portugueses pertencem ao quadro dos pedantes e ao mesmo tempo pretensos trabalhadores, que sigam o exemplo de Jack Welsh que é mestrado em gestão, baseado somente na sua carreira profissional, mas que teve de ir à universidade fazer o que lhe competia e hoje é guru internacional da gestão: contudo outros como Zuckerberg, Steve Jobs e Bill Gates nem sequer terminaram os seus cursos universitários. Que têm em comum estes quatro americanos? São trabalhadores que labutam mais de 12 horas por dia e são bilionários.

Portugal era o campeão dos inventores e agora descubro que as gentes deste país são também campeões da estupidez e trafulhice:

  • José Sócrates era engenheiro de meia tigela, não terminou o dito curso por pura soberba. Tinha contactos e sabia como contornar o assunto
  • Miguel Relvas tinha o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, tudo fraudulento, pois o homenzinho quis convencer-nos que poderia fazer 36 cadeiras sem sentar-se nos bancos da escola. 

Não obstante, tanto um como outro tinham anos de experiência profissional e poderiam, sem favoritismo, ter tido os tão almejados canudos.

Os jovens Nuno Félix e Rui Roque foram desde sempre cadres do Partido Socialista (PS) ou seja, a sua vida estudantil foi exclusivamente dedicada ao recrutamento de estudantes para as fileiras do PS, com a promessa firme de mais tarde virem a ser membros de governos socialistas. Com uma garantia deste calibre, quando ingressaram nas respectivas universidades não precisavam de fazer coisa alguma, senão diplomarem-se com distinção no deboche e, ao atingirem o número estabelecido de soldados socialistas, ao aproximar-se o momento de serem agraciados pelos trabalhos prestados, os moços recorreram à impropriedade: apropriarem-se de licenciaturas inexistentes.

A falta de Valores na sociedade em que vivemos não me espanta, o que me surpreende é a capacidade de se viver em constante sobressalto devido a uma insignificância. Será que a corrupção socialista está assim tão disseminada no aparelho do estado a ponto desta rapaziada se convencer que poderia cometer fraude sem ser descoberta? Qual é o propósito de tal abjecção?

Até para a semana

 

(Imagem: Biblioteca Leiden Universiteit - Willem Isaacsz van Swanenburg)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Isto é tudo tão vergonhoso que nem consigo comentar o assunto, minha cara amiga. Mas direi que o nosso país infelizmente está cheio de pacóvios. Um abraço JP

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, João Pedro!
      Pacóvios de baixo calibre, podiam ao menos ser como o pacóvio Sir Richard Branson; sem curso nenhum e somente através do seu trabalho e dedicação criou um império chamado Virgin: não estou a dizer nada só estou a falar....

      Aquele Abraço

      Eliminar
  2. Olá Lenny,

    Estou a ver que te divertias à brava em Genéve, hein? Gosto de trabalhar com homens mas, sinceramente, os coitados às vezes distraem-se com a competição de testosterona. lol

    Se Rui Roque e Nuno Félix são bons profissionais, e tudo indica que o eram, para quê inventar cursos que não têm? Se o fizeram, sem necessidade, é porque o sistema empurra as pessoas para isso, e assim é devemos então criticar o sistema e não estes soldados socialistas (inteiramente).

    Portugal precisa de fazer uma auto-crítica...urgentemente.

    Beijocas e boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. olá, Max!
      Yah, os "pequenos" são uns lindos ;-)
      Por vaidade; estupidez; medo de parecer inferior? Eu sei lá...
      Sim poderíamos criticar o sistema, mas cairia em saco roto; porque os Rui Roque e os Nuno Félix da vida vão para o poder não para mudar o absurdo, eles vão para lá para perpetuar a porcalhice e acabam por complicar a vida aos outros e a si próprios.
      Auto-critica? Lol e Rofl capice?

      Beijocas e boa semana de trabalho

      Eliminar
  3. Todo este episódio é uma vergonha, lenny. Que mais irá o nosso país aprontar?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Maria!
      Maria este é infelizmente o estado da Nação. Vive-se de aparências, ninguém quer ser genuíno: trabalhar, vencer e engrandecer Portugal.
      Sáo todos doutores de tretas de vária índole e o país a descambar e a empobrecer porque estamos nas mãos de politiqueiros provincianos dissimulados a legislarem sobre as nossas vidas.
      Que mais irá o País aprontar? Irem a votos e pôr um basta neste governo da esquerda radical e de caminho remeter o PS para o fundo da gaveta da sala de arquivo, por se ter atrevido a aliar-se a esquerda radical e a dar-lhe voz.

      Cumprimentos

      Eliminar
  4. Olá meus amores! Desculpem a ausência mas o trabalho engoliu-me por completo!!! Portanto, houve gente que mentiu e estava a trabalhar no governo é isto? Mas só sentavam na secretária a coçar o rabo ou faziam algo mais substancial?
    Toda a gente sabe que a Tuga é muito pacóvia no que toca a cursos universitários: vejam bem que se fecharam as escolas politécnicas e comerciais, como se toda a gente tivesse que ir para a faculdade! E mais, agora a escolaridade obrigatória é o 12º ano? Deveria ter ficado no 9º mas os miúdos não poderiam deixar a escola, indo ou para o prosseguimento de estudos ou então para o ensino prático, politécnico! O que achas, lenny?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Hey, hey, hey...
      A rapaziada parece-me que era eficaz no seu metier. Por alguma razão, não só se esqueceram de afincadamente se empenhar no exercício das suas funções, como aparentemente participaram numa tertúlia, fumaram umas ganzas e por mérito transformaram-se em licenciados honoris causa :-)

      Já nem sei o que diga, desde que os esquerdistas inventaram que na classificação dos países, os melhores seriam aqueles que tivessem mais licenciados. O cidadão que não tivesse uma licenciatura era considerado menos que nada, conclusão: venceu o desemprego, a ignorância e a falta de cultura.

      Ao fecharem as escolas Comercial e industrial; as escolas de Artes e Ofícios os governos transformaram a vida das pessoas num inferno; pois os serviços de instalações e reparações encareceram exponencialmente, visto que há mais doutores que carpinteiros, pedreiros, electricistas, canalizadores, estucadores, marceneiros, serralheiros, soldadores, pintores e desenhadores etc, etc...

      Bem já ladrei tudo, lol. Estás perdoada e volta sempre, minha linda.

      Beijocas

      Eliminar

Enviar um comentário

O Etnias aprecia toda a sorte de comentários, já que aqui se defende a liberdade de expressão; contudo, reservamo-nos o direito de apagar Comentos de Trolls; comentários difamatórios e ofensivos (e.g. racistas e anti-Semitas) mais aqueles que contenham asneiras em excesso. Este blog não considera que a vulgaridade esteja protegida pelo direito à liberdade de expressão. Um abraço