Pensões abaixo dos €275: os 500.000 Portugueses Destituídos


Vem aí o Orçamento geral de Estado e, como convém, o primeiro ministro deu uma conferência de imprensa para assegurar aos portugueses que tudo vai e irá bem com este fabuloso pacote de intenções nacional. No entretanto da falação acerca do mesmo documento ficámos a saber que o ex-funcionário do Banco de Portugal, feito ministro das finanças, será o governante cujo ministério terá o déficit mais baixo dos relatos pós-democracia: ora, se tal facto se vier a confirmar, desde já, estendo os meus parabéns ao ministro Centeno.

Diz o governo do triunvirato de esquerda - Bloco de Esquerda (BE), Partido Comunista Português (PCP) e Partido Socialista (PS) - que aumentará até €10 as pensões mínimas a partir de €275; as outras abaixo deste valor não terão incremento nenhum porque o governo anterior (PSD, CDS) no passado, longínquo, teve a ousadia de “aumentá-las” em 1%. Na concepção de António Costa, o mestre intimidador deste governo, aqueles que recebem ajuda, através dos impostos dos portugueses, sem nada terem feito por isso, desta vez não merecem qualquer aumento: quem são as pessoas que recebem essas réstias da fazenda pública?

  • Viúvas cuja profissão foi gerir a casa, os filhos e o marido
  • Padecentes de doenças crónicas
  • Trabalhadoras domésticas vítimas do mau carácter dos empregadores
  • Trabalhadores independentes que descontaram poucochinho porque o seu soldo mal chegava para as despesas
  • Indigentes e os demais fragilizados da sociedade. 

Meus caros e desprezíveis votantes: vós sois aqueles cidadãos que os políticos de esquerda mantêm de reserva como bandeira da sua sobrevivência política; eles são os vossos porta-vozes na luta contra a vossa pobreza. Outro modo, como poderiam eles justificar o “parco” salário que auferem do erário público?

Meus bravos 500.000, esta reposição da justiça social, faz-vos encolher ombros; porque na verdade, vós estais esperançados que a esquerda, um dia, apareça com uma fórmula revolucionária que suprirá duma vez por todas as vossas necessidades. Sabeis quando acontecerá tal feito? Nunca e jamais; porque os líderes da esquerda servem-se da velha e batida fórmula inventada pelos monarcas: manutenção do poder, através da extorsão descontrolada pelo uso e fruto territorial, assim os súbditos com medo de represálias pagavam o que lhes fosse exigido, até que um dia.....conheceis bem a história.

Reparem nas propostas do vosso governo radical: assaltar a classe média alta, isto é, quem possua um património no valor de €600.000 deve contribuir com uma sobretaxa de 0,3% anuais. Que vem a ser isto? Esta sobrecarga tributária é temporária ou perene? Por exemplo, se um homem decidir deixar um legado aos seus e por precaução decidir o seguinte:

  • Investir o seu capital em casas para cada um dos filhos 
  • Se devido à problemática dos bancos (BES, BANIF, BPN, COMMERZBANK, DEUTCH BANK, LEHMAN etc, etc....) decidir investir em ouro no estrangeiro
  • Se por uma questão de conveniência, decide investir na compra de uma casa de praia, em vez de veranear num hotel
  • Se os preços dos imóveis forem mais baixos na Beira interior, decidir ser proprietário de uma casa de campo 

- No caso dos imóveis, significa que além das taxas camarárias deve ainda contribuir para garantir o emprego dos políticos com a tal sobretaxa de 0,3%; isto significa que os políticos se arrogam no direito de esbanjar o produto do suor dos outros para poderem garantir o seu futuro e dos seus.

- No caso das barras de ouro o BE e o Rocha Andrade irão sugerir mil e uma maneiras para que entre 40 e 60% seja pertença dos cofres do estado, através duma obtusa justiça social e de alguma obscuridade execrável.


Estão a reconhecer o padrão comparativo da monarquia extorsionária e do estado do banditismo tributário?


Asseguro-vos que não entendo a vossa esperança, a vossa indiferença e a vossa letargia, mas, permitam-me: isto é avassalante, pois consegui finalmente perceber como se empreende a luta contra a pobreza em Portugal.

Meus nada de Portugal, é tão refrescante ver-vos desdentados ou com os postiços a bailar dentro da vossa boca, quando arduamente, quase babando-se, defendem o BE, PCP e PS porque só eles falam de vós e colam cartazes relembrando a vossa pobre sina; é tão enternecedor quando nos transportes vos vejo a queixarem-se do preço elevado dos medicamentos e ainda assim a exaltarem a esquerda pela lembrança do vosso fado; é tão querido ver-vos a queixarem-se da humidade das vossas casas porque o aquecedor foi à vida, porém,a menina Martins é melhor que o Passos Coelho, o ordinário que vos pôs na miséria com o seu programa de austeridade; é tão inebriante a vossa resignação, comer a sopinha quente e depois assistir as novelas aportuguesadas.

Meus caros destituídos “cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente”, contudo saibam que a pseudo-esmola, que vós recebeis não é de todo gratuita, todos os dias, do vosso bolso saem os chamados impostos indirectos; portanto, poupem-me a vossa lealdade torpe ao marxismo revestida de queixumes deslocados à direita; porque sois vós que perpetuais, com o vosso voto, políticos do calibre desta escumalha que detém o poder.

Até para a semana


(Imagem: O Triunfo da Pobreza - Lucas Vorsterman)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Não sei muito sobre as pensões aí na tuga, mas é injusto aumentar só para alguns. E depois tem uma coisa: 275 euros ou menos é nada, mana! Aumentar a quem tem mais é injusto quando os que têm pouco é que deveriam receber mais. Qual o raciocinio?

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  2. Olá, Carlitos!
    É o raciocínio segundo a esquerda radical. Vergonhoso é tudo o que posso dizer...
    As pensões na tuga são em regime contributivo, meu caro. Imagine que já mudaram tanta vez o calcúlo das mesmas e continuamos sem saber que haverá no futuro dinheiro que chegue para todos: é tão lindo, não é?

    Olha meu sobrevivente de Moza, aquele abraço.

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  3. Ó lenny, fiquei a saber de um caso de uma senhora que trabalhou mais de 30 anos, descontou sempre e no fim ficou com uma pensão de 274€. Ora bem, se isto não é um baixo rendimento não sei o que é e por isso o governo deveria explicar melhor aquilo que entende por rendimentos baixos. Será que estes são só os salários dos trabalhadores activos ou englobam também os pensionistas? Sim, uma pensão é um rendimento na mesma.
    Já agora, a menina Mortágua na sua arrogância bacoca perguntou ao jornalista da TVI se ele saberia o que significava um aumento de 10€ para um pensionista com rendimento mais baixo: pois posso dizer-lhe que 10 euros significa muito pouco para essas pessoas! Mas pronto, sempre podem comer mais carcaças para comer com a sopa, não é? O BE anda a fazer pouco de todos nós.
    Olhe, minha amiga, continue a luta que está longe de ter fim. Um grande abraço, JP

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    Respostas
    1. Olá, João Pedro!
      Este governo é um total desgoverno; o PS agora anda engajado na luta da consolidação do déficit mais baixo da história; o resto da governação foi delegado ao BE e ao gordo do secretário da fazenda Rocha Andrade.
      Os 10 euros+2 vão servir para pagar a taxa e o IVA dos resíduos sólidos na conta da água; hups... lá se vão as carcacinhas do acompanhamento da sopita. Estes 500.000 foram lixados pelo BE porque são votantes do PCP; e assim vai a vida neste burgo.

      Meu caro, aquele abraço!

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