O Poder dos Pobres na Grã-Bretanha


Caros leitores, peço imensa desculpa. Tenho mesmo de retratar-me e voltar com a minha palavra atrás, mas tenho de focar-me na bem/mal dita política exactamente no meu último artigo antes da partida para as merecidas férias. Um lembrete: sempre que mencionar a palavra 'esquerda' neste artigo, caros leitores, queiram fazer o favor de sub-entendê-la como uma referência à Internacional Socialista (IS) e ao Clube Bilderberg (CB).

Um dos marcos da esquerda é o seu amor pelos pobres; esta obsessão é de tal forma que o substantivo plural masculino vem inscrito em todos os seus programas e discursos. A esquerda auto-proclamou-se a guru da luta pelos direitos humanos; pretende possuir a unicidade na vigilância dos direitos, liberdades e garantias; e arvora-se como a detentora da patente do humanismo.

A propósito do resultado do Brexit, a esquerda internacional estupidificou-se ao apressar-se a seleccionar o tópico das conversas que deveriam passar na Media (escrita e falada) da cena internacional e, pela voz dos seus comentadores/comentaristas posh, chiques e snob a serpente expeliu o seu veneno e o dogma da compaixão pelo pobre desmantelou-se através da confissão de que os desfavorecidos, iletrados e fragilizados, sem rédea curta, são um bando disruptivo.
  • O referendo da passada quinta-feira, em Inglaterra, causou aparentemente uma clade no continente europeu de tal forma que os esquerdistas se acharam no direito de o classificarem como uma invalidade; só porque o voto dos jovens intelectualizados, mimados e europeístas foi esmagado pelo voto dos velhos, campónios, iletrados e pobres. 
  • Os pobres, velhos, campónios e iletrados - muitas vezes utilizados como catapulta para aviltar a direita - no dia 23 de Junho de 2016, tiveram a chance de reclamar de volta a soberania do seu país, transformando-se assim na maior inconveniência e embaraço políticos.
  • Os pobres, velhos, campónios e iletrados, com o seu voto, fizeram notar que não gostam de ver o seu país ser governado pelo Politbüro sentado em Bruxelas que tem o descaramento de ditar: quem deve pescar o quê, onde e quanto; abater vinhas e olivais, onde e quando; quanto de leite e queijo deve ser produzido, onde e quando; que países devem ser industrializados ou de Serviços; como fazer a festa da matança do porco; que tipo de material deve ser a colher utilizada para mexer os alimentos; proibição de utilização de bacalhau seco e salgado na confecção de iguarias, nos restaurantes; quotas para isto e para aquilo; quem investe onde e quando; controle por alto dos preços da alimentação; a higiene pessoal deve ser assim e assado; o sexo deve ser cozido e frito, a perseguição contra a Microsoft ou da Google por instruções e trocados pagos pela Huawei chinesa etc...etc...

O facto dos tais retrógrados (52% do povo inglês) terem dito democraticamente: não à aceitação forçada de migrantes ilegais e ou refugiados; não ao imigrante ilegal; não ao perdão de imigrantes com documentação falsa; não ao silenciamento de vozes contra migrantes violadores; não às tentativas de imposição de cultura estrangeira no seu país; não aos bairros étnicos e perigosos; não à proliferação de centros de culto e culturais que incitam à violência contra as outras religiões. Perante estas recusas, os tipos da esquerda nos Media, nas ONG e em Bruxelas vociferaram que os votantes desfavorecidos e fragilizados são racistas e xenofóbios.

Quando os políticos não-eleitos sentados em Bruxelas resolveram alocar fundos para colocação em massa de migrantes ilegais/refugiados nos diversos países da UE; os pobres, velhos, campónios e iletrados de Inglaterra sentiram-se na obrigação de questionar tal medida, porque o mesmo estado social, do qual eles beneficiavam largamente, está cada vez mais escasso para os cidadãos nacionais. Esta questão rendeu-lhes o título de ignorantes; visto que o desemprego e a miséria que neste momento flagelam a Europa dos 28 é uma consequência da globalização e da era digital.

A rainha de Inglaterra terá supostamente pedido três válidas razões pelas quais a Grã-Bretanha devesse continuar associada à maior agremiação de políticos sem mandato popular. Pergunto se a nonagenária S.M Isabel II será também campónia, iletrada e pobre?

Um dos tentáculos da esquerda chamado Catarina Príncipe afirmou “Ser radical é uma necessidade da esquerda, porque é ir a raiz dos problemas, e dar respostas aos problemas pela sua raiz”...A pequena leu bem os ensinamentos dos senhores Marx/Engels, os quais produziram países como: Cuba, ex- URSS, China, Venezuela, Brasil, Equador, Nicarágua, Bolívia etc... É este tipo de doutrina que norteia a Bruxelas ou seja a sua intolerância à mudança pela reflexão,que catapultou 52% do eleitorado inglês a obrigar a Grã-Bretanha a cair fora do maior antro da cegueira política sediado em Bruxelas e Strasbourg.

Em Rule Brittania um dos versos começa com “To thee belongs the rural reign” por uma simples razão: em todos os relatos da bravura inglesa, cada um dos líderes e ou clãs são secundados pelo mais pobres, mais feios e desdentados que feroz e determinadamente se entregam na conquista da independência e soberania da Britânia; logo, este voto foi justo e certo porque afinal de contas: os pobres, velhos, iletrados e campónios são as gotas de orvalho na sobrevivência de Inglaterra.

Até ao meu regresso

P.S. Aos portugueses em Inglaterra: por favor, deixem-se de tretas e continuem com a vossa vida normalmente. Se não têm o green card ou seja lá como se chama a autorização de permanência e trabalho em Inglaterra: comecem já a tratar da legalização (não queremos a repetição do repatriamento como a que se verificou com os imigrantes portugueses que estavam ilegais no Canáda) e antes do pânico, por favor saibam que não sois quaisquer uns, os lusitanos terão a história do seu lado: a Aliança mais antiga do mundo é entre Portugal e Inglaterra. 

(Imagem: Brexit - Google Imagens)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Os franceses deveriam compreender o fenómeno: os pobres foram usados para a revolução francesa! Por isso, se o brexit foi causado pelos pobres, então isso é que foi a verdadeira revolução! Parabéns!!!

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    1. Olá, Anónimo!
      Se não o querem entender por snobismo, a Marine Le Pen parece determinada a fazê-los entender. Que se diria dos votantes franceses se estes quisessem sair da UE?

      Cumprimentos

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  2. Olá Lenny,

    "Pergunto se a nonagenária S.M Isabel II será também campónia, iletrada e pobre?"

    Para o Durão Barroso sim, a rainha é isso tudo.

    É incrível como a esquerda arranja argumentos estúpidos para justificar a sua derrota. Pois bem, o zé povinho deu uma lição na dita "elite" que ninguém sabe quem é, pois até a definição da palavra elite já foi alterada.

    Felicidades à Britânia e parabéns ao povo britânico pela sua neo-independência.

    Beijocas e Viva Portugal!!! Allez, Tugas!

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    1. Olá, Max!
      A esquerda é ridícula.
      Viva portugal e Allez, Tugas!!!

      Beijocas e até ao meu regresso

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  3. Olá meus amores! A esquerda é patética! Ainda bem que o Brexit ganhou mas agora andam aí uns gajos a tentar impedir o processo. A esquerda borra-se de medo da mudança, mas são os primeiros a prometer "change" hahahaha. Lenny, pá, bom descanso que é bem merecido. Beijocas

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    1. Hey, hey, hey...!

      Obrigada minha linda; estarei de volta em Agosto para fazer como diz o outro: malhar na esquerda ;-)

      Beijocas

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  4. Viva o voto dos pobres na grã-bretanha!!! Eu adoro os pobres ingleses: são tão informados. Não votam nas eleições europeias porque sabem bem enviar a mensagem, mas para ter o controle do seu país de volta souberam bem votar. Quem me dera que houvessem pobres deste calibre em portugal.

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    1. Olá, Cêcê!
      Os pobres de Portugal estão tão viciados nos subsídios que não saberiam sobreviver ou fazer pela vida sem se venderem; par contre os pobres da Grã-Bretanha que souberam usufruir dos subsídios europeus: para reganhar a sua soberania, eles mandaram o dinheiro para o inferno e escolheram ser eles a controlar o seu país e não quaisquer borrabotas armados aos cucos.

      Beijocas até Agosto

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