Últimos Defensores da Língua Portuguesa e Saneamentos à La Gauche


Esta semana irei falar de dois assuntos que francamente me atingiram um de forma positiva e outro de forma negativa. Falo dos últimos defensores da língua portuguesa (Moçambique, Angola e Cabo-Verde) e dos saneamentos na função pública.

Acordo Ortográfico

Houve, em 1990, um acordo ortográfico; e inexplicavelmente, em 2010, o ex-presidente do Brasil, Luís Inácio da Silva decidiu que era tempo de nivelar por baixo a língua portuguesa. Daí que tenha convencido o ex-primeiro ministro português José Sócrates a embarcar num novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Desgraçada e arrogantemente, os dois comparsas – trabalhistas brasileiros e socialistas portugueses - esqueceram-se de consultar dois grandes parceiros – marxistas e leninistas – da CPLP, Angola e Moçambique, que pertencem também a uma outra grande organização/comunidade chamada PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).

Com base na sua filosofia de literacia massificada, Lula da Silva achou por bem manter o brasileirismo das tremas (ä) mas impôs a eliminação de quase tudo que distinguia a língua lusa do português do Brasil; como se às massas, lhes estivesse vedada a capacidade de elevação mental e suplantação intelectual, ou seja: ir além daquilo que ouvem, vêem ou lêem. O ex-presidente do Brasil cujo plano era ser um presidente de carreira – Putin-style – nutria também uma sede insaciável pelo reconhecimento público e é seu desejo constar nos anais da história brasileira com o cognome de padroeiro da causa dos pobres que conseguiu que o pórrtuguês fosse tão acessível ao povão tanto quanto o seu programa de cesta básica.

As mentes idióticas do governo do PSD/CDS apressaram-se – contra muitas vozes da comunidade científica portuguesa – a mudar o sistema linguístico, mais outra vez, sem conferenciar com as comunidades científicas dos PALOP; e agora estão surpreendidos com o facto de Angola, Moçambique e Cabo-Verde estarem a ponderar a validade científica da arbitrariedade luso-brasileira: puro cinismo! Na minha opinião, os africanos têm o direito de calcular todos os custos inerentes a este empreendedorismo imposto pelo Brasil, pelas empresas gráficas e pelo lobby da manutenção da elementaridade da sociedade do proletário.

Opinião: Eu amo o português bem falado e escrito (nem sempre me é possível), adoro os sotaques das várias comunidades falantes da língua portuguesa, gosto de ir catando aqui e acolá a etimologia da língua e hoje consequentemente sei um pouquinho de latim. Não aceito portanto a descaracterização da língua portuguesa imposta pelo proletário brasileiro nem pelo português socialista caviar; contudo se vós marxistas e leninistas de Angola e Moçambique quiserem ser um travão científico e cultural desta charada de 2010: Eu apoio!

Saneamentos políticos: la puta hemorragia de la democracia!  

Tal qual no tempo áureo do marxismo-leninismo, este governo do proletariado ultrapassou as suas competências étnico-políticas, se tivermos em conta que António Costa e a sua plataforma de esquerda radical não ganharam as últimas eleições legislativas (embora lhe tenha sido permitido assaltarem o poder da república). Então que legitimidade tem o governo socialista-bloquo-comunista para encetar a política de saneamentos na função pública?

Vou-me cingir à realidade que conheço: a Frelimo quando tomou o poder ilegitimamente em Moçambique de 1975, também fez uso da política de saneamentos políticos em todos os espectros da sociedade moçambicana e – tal tal queria fazer Otelo Saraiva de Carvalho com os retornados (metê-los no Campo pequeno quais bois e vacas) – algumas das vítimas da inveja política vil foram enviados para campos de “reeducação = concentração” como sabotadores de alguma espécie. Estarão os esquerdistas radicais a comando do PS, a dizer-nos que finalmente em Portugal se instalou um sistema no qual quem, verdadeiramente, detém o poder é o proletariado; onde tudo lhe é permitido, menos questionar; porque imediatamente virá uma resposta com o cheiro de uma tonelada de fezes sulfurosas?

Embora os bloquistas se gabem de ter ultrapassado os comunistas nas últimas eleições legislativas, tiro o meu chapéu ao Jerónimo de Sousa, porque é um líder brilhante que sem grandes malabarismos fez com que o Partido Comunista Português (PCP) devagar, devagarinho, penetrasse no tecido estatal, inundando-o de proletários da sua confiança, na figura dos sindicalistas. E espantosamente parece ter controlo sobre algumas políticas do governo liderado por António Costa; obrigando este a portar-se como um lacaio do PCP.

Quanto a mim, se este governo se mantiver à tona, o chefe dos comunistas, Jerónimo de Sousa, será o líder do ano em Portugal - “Olhe que sim, olhe que sim”...

Até para a semana  
     
(Imagem: O Pintor Insatisfeito - József Borsos)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Mana, tenho orgulho dos países africanos defenderem a língua. Os tugas perderam o orgulho e até se deixam manipular pelos brazucas! hehehehe Já o mano costa, xiiii...nós tamos com problemas também aqui na moza mas portugal tá perto da USSR hehehe. Olhem, boa sorte.

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    1. Olá, Carlitos!
      Ri-te, ri-te...; mas o mundo está horripilante, meu caro.
      O Costa não é teu mano, quanto muito é teu primo muito muito distante, pois ele fa questão de ser goês católico e ainda por cima agnóstico: quel salade!
      Boa sorte para vós também, meu guerreiro de Moza.

      Aquele abraço

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  2. O amiguismo é típico da esquerda. Vamos lá ver se o costa acabará por ser criativo com as contas públicas como a cara dilma do brasil haha. Daqui a pouco, costa poderá até dar emprego ao sócrates para este um dia substituir o marcelo.

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    1. Olá, Anónimo!
      Trocas e baldrocas....
      O Costa e o Centeno não t~em a mesma chance de maquilhar as contas; graças a D**s temos o control da UE.
      O resto é um fait divers...

      Cumprimentos

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  3. Olá Lenny,

    Estou com Moza e com Angola neste caso: a língua não deve ser descaracterizada a pedido do PT brasileiro só para que os amiguinhos luso-brasileiros ganhem algum dinheiro. E o povo brasileiro nem foi tido bem achado, assim como nem os lusitanos, é uma vergonha.

    O PM Costa anda a fazer saneamentos políticos? Não me surpreende. A esquerda não muda mesmo. Ele conseguiu livrar-se do Santana Lopes nas misericórdias?

    Bom trabalho, querida.

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    1. Olá, Max!
      Não sei se já se livrou do Santana Lopes nas Misericórdias; se ainda não o fez, irá concerteza persistir na sua ideia fixa, tal qual uma mula esquizofrénica.

      Boa semana de trabalho, boss!

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    2. Lenny, e os saneamentos continuam http://observador.pt/2016/05/24/direcao-do-instituto-de-seguranca-social-afastada-por-vieira-da-silva/

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  4. Também não concordo com o acordo ortográfico, acho-o uma vergonha e uma vergonha ainda maior foi a maneira como nos vergámos ao brasil! Ainda bem que paises como moçambique, angola e cabo verde ainda defendem a língua mãe já que nós desistimos! Olhe, lenny, não sei o que pensar do nosso PM, não sei mesmo. Talvez seja mais do mesmo?

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    1. Olá, Maria!
      Sou de opinião que em assuntos desta natureza, o povo falante da língua portuguesa deveria ter sido consultado através de um referendo.
      Moçambique e Angola não irão ceder, por Camões e Eça.

      Do nosso PM? Meu não é; porque não sou parte da esquerda radical nem, tão pouco, sou parte da classe proletária. Sim talvez seja isso mesmo: mais do mesmo.

      Aquele Abraço

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  5. Salvé Moçambique! Salvé Angola! Salvé Cabo Verde! Pá, ouvi o presidente marcelo dizer que estes países não aprovarem o acordo que então portugal terá que rever a sua decisão: pessoal, estou a torcer para que os três grandes se mantenham firmes! Temos de continuar a fazer lobby em áfrica.
    O costa há-de cair, mais um ano ou dois e pimba!

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    1. Olá, Celeste!
      Salvé aos moçambicanos, aos angolanos e aos cabo-verdianos...!
      Eu acho que Portugal terá que rever o acordo ortográfico; porque Angola, Moçambique e outros africanos não foram tidos nem achados nesta charada.

      Bom o presidente já está a aconselhar lucidez; vamos ver se seguirão o conselho ou se preferirão levar o país para a bancarrota e depois fugir do seu posto de trabalho como o fez o Guterres e o Sócrates.

      Beijocas




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