A Falta de Respeito é Cultural em Portugal


Conheci uma brasileira que me confidenciou o seguinte “os portugueses são um povo iguinoranti”. Fitei-a ao som da última palavra e, indaguei de imediato quanto era o seu tempo de permanência entre nós, e qual a razão de tão negativa percepção. Respondeu-me que vive em Portugal há três anos e, que devido ao seu trabalho como tesoureira numa igreja evangélica, tem de deslocar-se frequentemente a um Banco para trocar moedas, os Tellers (indiferentemente do sexo) tratavam-na com duas pedras na mão; até que uma alma caridosa lhe sugeriu que procedesse à troca das moedas no Banco de Portugal. Continuou dizendo “e pensar que neste tempo de desemprego extremo, você que está trabalhando, deveria dar graças a D**s, e tratar os outros com respeito”.

Cultura Portuguesa

Evidentemente que tive de explicar que 99,5% da população portuguesa é constituída por gente naturalmente ressentida, e que na maior parte das vezes, nem se dão conta dessa característica doentia, porque está enraizada na cultura portuguesa:

  • As crianças portuguesas acham que têm o direito de tudo fazer e querer, caso contrário, o seu amigo invisível diz-lhes para avançarem com uma berraria acompanhada de um sapateado desengonçado. Uns educadores invadidos pelo embaraço, baixam despudoradamente a mão sobre os pequenos e outros desatam a ameaçá-los igualmente aos berros.
  • Os jovens lusos entendem que a cortesia é um sinal de rebaixamento, por isso se alguém, por amor às boas maneiras, decide intervir e chamá-los à razão, os moços de zangados enchem o peito e pronunciam despautérios e outras incongruências revestidas de grosserias próprias das gentes recalcadas desde a infância.
Os adultos são modelos de carga explosiva ambulante:

A) Ignorantes, porque ao ouvirem o sotaque dum brasileiro ou dum africano aceleram o passo; e perante a insistência de uma pergunta, assumem uma posição defensiva, franzem o sobrolho, respondem de maus modos e até fingem não perceber o tropicalismo;

B) Soberbos, nesta categoria encontram-se os funcionários públicos e afins; porque sabem que o seu posto é quase vitalício, tratam mal tanto o estrangeiro como o seu concidadão; 

C) Arrogantes, este grupo é o mais englobante pois nele cabem os mal-educados (embora com instrução); os urbanos (embora boçais); tolerantes (embora rancorosos); intelectuais (embora estúpidos); cidadãos do mundo (embora provincianos); guardadores das liberdades e garantias (embora desrespeitadores e mesquinhos); defensores da liberdade de expressão (embora fascistas esquerda/direita).

Eu gosto de observar e em a) tenho imensa pena que a sua pequenez os impulsione a ter um comportamento indigno de um ser humano, revelando desde logo a sua redundante insignificância para o contributo de uma sociedade melhor; em b) penso que o seu comportamento é tão nojento, que não me resta outra alternativa que não seja deduzir que a sua atitude se deva ao nojo que em si se impregnou durante a sua higiene matinal, pois a sua latrina deve ser deplorável (porque não é possível destratar uns e outros, desde que ocupam até que abandonam o seu posto de “stress” laboral). Em c) estão inseridos todos os complexados emocionalóides como os governantes do calibre de Erdogan, Omar Bashir, dirigentes dos países árabes e persa, Bobby Mugabe, José Eduardo dos Santos, dirigentes chineses, Putin, o rapaz da Coreia do Norte, José Sócrates, António Costa e o menino Joãozinho Soares.

A efervescência emotiva dos três últimos é regida pelo ditado que lê “quem não se sente, não é filho de boa gente”, logo estão sob a obrigação de defender a boa índole da sua linhagem, fazendo obviamente sobressair o lado indecoroso dessa mesma matriz. Repare-se que os “danados” que compõem a alínea c) têm todos o mesmo discurso “eu respeito a liberdade de expressão desde que não me insultem”.

Conclusão

Sabe-se que a liberdade de expressão ficou de pernas cortadas quando o poder foi assaltado por legisladores com o síndrome do intocável; criaram-se leis absurdas para perante os tribunais se intimidar quem se atrevesse a dizer algo do seu desagrado. Desde então, as leis contra a difamação, injúria e calúnia sofreram uns retoques; o fait-divers do assassinato de carácter é uma piada, os ditos danos morais e psicológicos transformaram-se numa patifaria legal - tudo para calar quem ousa criticar.

Quem vai para a vida pública tem de se escusar de ser intimidador-mor visto que, muitas vezes, os políticos cometem danos dolosos contra o povo e a respectiva nação – ficando o assunto por isso mesmo. Logo, os governantes têm de ter a noção de que serão amargamente criticados, e por vezes expostos ao ridículo; pois meus senhores não basta dizer que subscrevem o princípio da liberdade de expressão se desde logo tentam impedir jornalistas, cronistas, activistas políticos e simples anónimos de fazerem uso da única arma que possuem contra os excessos dos governantes.

A liberdade de expressão assenta sob o pilar da aceitação do espírito crítico de outrem, mesmo que a crítica esteja ferida de idiotice.

Até para a semana


(Imagem: Escapando de la Crítica - Pere Borrell del Caso)
       
[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Que retrato tão pouco agradável de nós, lenny!

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    1. Olá, Anónimo!
      Infelizmente, é de facto desagradável o retrato por mim traçado. Mas a verdade é que se instalou um clima de tensão nas relações sociais em Portugal; já não existe aquela quietude nos modos, não direi que estes fossem convidativos à comunhão humana, porém havia quase sempre um sorriso do ideal cristão: a caridade no sentido de compreensão do próximo.

      Obrigada por nos visitar, e cumprimentos

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  2. Gosto imenso quando os iguinorantis nos chamam ignorantes. Posso concordar que portugal tem vindo gradualmente a perder valores e responsabilizo a esquerda por isso, mas a nosso âmago é bom. Só temos de rebobinar a cassete. JP

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    1. Olá, João Pedro!
      A esquerda é responsável por muita porcaria no mundo e em Portugal, mas não está só quando se trata da adopção do destrato e falta de ética social.
      Esses coitados têm essa percepção de nós, muito por nossa própria culpa.
      O âmago é esplendido mas se a moda é ser ordinário; que fazer perante a passividade de quem deveria saber melhor e agir contra essa espécie de "mau" comportamento generalizado?
      Espero que o reboninar da cassete saia melhor, que o reset das relações entre a Rússia e os EUA Lol...
      Estimei vê-lo por estas bandas e boa semana de trabalho

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  3. Olá Lenny,

    Bem, concordo com o JP: o país está a atravessar um período de crise moral, mas não acho que os portugueses sejam mal educados, pelo menos não todos. Aqueles que os citadinos gostam de menosprezar, são do melhor que há em Portugal.

    "iguinoranti" é? Ok...

    Pesach Sameach

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    1. Olá, Max!
      Os portugueses não são mal educados, eles são vulgares; perderam o sentido da decência e da consideração pelo próximo.
      Claro que a malta da província é mais sã, mas também vai havendo muita parvoíce(xenofobia) por lá, influenciados pelo contacto mais frequente com o pessoal que devido aos excelentes acessos rodoviários para lá retorna; capice?
      "iguinoranti", adorei a sonoridade meia irritada da rapariga, daí a transcrição.

      Pesach Sameach

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