Santander e Banif: Swaps, Aquisições e a Trama Espanhola


Ponto I - Swaps

Claro que o Estado português vai recorrer da sentença do tribunal inglês. Longe de nós parar e pensar que os swaps (basicamente lucros obtidos através do cruzamento de taxas de juro) foram um produto financeiro desenhado com a anuência dos Bancos Centrais e do BIS, para aparentemente colmatar créditos mal parados e para ajudar a suprir as necessidades financeiras de empresas e do consumidor em geral. Portanto, não se tratou inteiramente de uma golpada ilegal, foi antes, mais um calculismo heurístico entre a avidez do ganho por parte dos bancos e, a ansiedade de folga financeira da clientela. E tenho quase a certeza de que aos gestores das empresas públicas lhes foi explicado o grau de risco que envolvia aquele produto financeiro; porque tudo se jogava no cruzamento de empréstimos: uns com taxa de juro fixo e outros com taxa de juro flutuante ou variável.


Devido à crise financeira de 2008, o algoritmo que sustentava os swaps (outra modalidade de prime rates) transformou em pesadelo o estado financeiro das empresas públicas (EP) e, a principal causa destes fiascos nas EP portuguesas é a falta de independência dos departamentos estatais que superintendem os pedidos de financiamento por parte do parque empresarial público. Aqueles departamentos deveriam empregar técnicos astutos, que não tivessem medo de expôr os seus pontos de vista ao ministro da tutela, se por acaso o seu conhecimento e sua percepção lhe dessem indicação da iminência dum desastre nas contas do Estado; pois qualquer ser racional sabe que um banco é como um casino: nunca sai a perder.

Por mais que os facilitadores (Bancos) destas transacções lhes dissessem que as operações eram concebidas entre empresas e ou indivíduos, e fora do mercado bolsista, os tomadores dos empréstimos deveriam ter feito uso da sabedoria; porque a maior parte dos bancos intervenientes nessas operações financeiras estavam, ou estão, cotados nas bolsas internacionais. Não preciso explicar mais nada. Se as empresas públicas entraram nisso, a responsabilidade foi em última instância do ministro das finanças do governo Sócrates, porque os governos são suposto ser o último bastião na defesa do património colectivo.

Mas, o que eu não percebo é o racional de Mário Centeno, se este assunto é para empurrar com a barriga, até quando o fará? Quais as custas deste recurso (fala-se em €6 milhões) e os outros que eventualmente se seguirão? Entrarão nas contas do próximo OE ou o senhor Centeno espera ganhar e a posteriori fazer o Santander arcar com todas as despesas? E se perder?

Enfim Mário, o senhor é que é o grande economista e candidato a um cargo vitalício se fizer borrada nesta sua missão governamental; mas para mim seria o seguinte: renegociaria o empréstimo e o pagamento faseado dos ditos juros em atraso, ou seja, os espanhóis do Santander teriam um abatimento anual no seu IRC durante 25 anos.


Ponto II - Aquisições

Na audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BANIF, o seu ex-CEO afirmou o seguinte “Notícia da TVI dita em definitivo a resolução do BANIF”. Ora bem, com esta frase, se eu fosse um dos elementos da CPI não me incomodaria em ouvir nem mais uma pessoa acerca do infortúnio da banqueta portuguesa.

Claro que o Banco assistiu impotente à corrida aos depósitos – no valor de cerca de €1.000 milhões - porque a TVI durante 4 dias (14 a 18 de Dezembro de 2015) nada mais fez que seguir as  instruções vindas de España. Todos sabemos que os espanhóis ficaram vexados quando o ex-primeiro ministro José Sócrates não permitiu que, através da Sonae de Belmiro de Azevedo, o Santander entrasse no capital da PT, e depois mais tarde tornou a barrar a aquisição da PT de Zeinal Bava pela Telefonica. Que tem isto a ver com o BANIF? Tem tudo...!

A TVI é pertença da PRISA, esta é sócia da Telefonica e devido à reestruturação da sua dívida adquiriu associados como o Santander e a CaixaBank. Por sua vez, o Banco Santander, o CaixaBank e a Telefonica são sócios na criação e desenvolvimento de um novo serviço digital.

O que deveriam os senhores deputados perguntar: quem deu ordem à TVI para andar 4 dias a martelar em problemas dum banco que afinal, aparentemente, vinha cumprindo com os rácios de capital e solvabilidade? Quem foi que coagiu a direcção do BANIF a fechar um negócio tão sensível – como é a venda de um banco – em apenas dois dias (de 18 a 20 de Dezembro)? Ó pá...que andam vocês a fazer nessas comissões? Poça pá... já não se fazem correlações entre os factos em Portugal? 

O povo português nunca se importou, nem se importará, de continuar a soltar os cordões à bolsa para alimentar inaptos. Portanto, se quiserem continuar a fingir que estão estupefactos com a incompetência dos gestores bancários, se por indução do primeiro ministro da esquerda radical, António Costa, quiserem espezinhar o Governador do Banco de Portugal, se os elementos da CPI quiserem salientar a sua inépcia; então, façam o favor de continuar com esta charada, já que mais de 70% dos políticos portugueses é desprezível; porque perante um problema, primeiro auto ilibam-se, depois insultam e culpam os outros e quando finalmente se lembram do problema reagem virulentamente jogando merda no ventilador; permanecendo Portugal pequeno e insignificante.

Até para a semana!
 

(Imagem retirada do Google Imagens)

[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. Muito bem explicado. Talvez isto explique o pânico de Marcelo Rebelo de Sousa quanto à espanholização da banca e de tudo o mais em portugal?

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    1. Olá, Anónimo!
      Os portugueses são pessoas de muitos temores, mas na hora do vamos ver: tudo é consentido seja através do vergonhoso silêncio ou por falta de mágica argumentativa.

      Bom fim de semana

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  2. Olá Lenny,

    Swaps: mais uma vez o governo socialista a querer fugir às responsabilidades.

    Aquisições: ora muito interessante a correlação feita entre as entidades relacionadas com a compra do BANIF. Bem, o Santander lá conseguiu, hein? A paciência dá frutos...

    Excelente artigo, Lenny; como sempre :D.

    Beijocas

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    1. Olá, Max!
      A paci~encia parece ser um dom da família Botim; o fundador do Santader quando não conseguiu agarrar o Totta e Açores numa primeira tentativa, esperou calmamente e na segunda oportunidade não só ficou com o Totta como agarrou também o Crédito Predial Português: quem espera alcança se for espanhol; se fosse português desesperaria e mandava tudo ás malvas.
      Olha o apoiante do roubo do poder pelo António Costa, não sabe o que fazer com a angolana, Isabel dos Santos: pobre Ulrich...

      Beijocas e boa semana de trabalho

      Fugir às responsabilidades é apanágio da esquerda, seja lá donde ela for.

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  3. Lenny, olhe nunca percebi esta história dos swaps mas agora já percebi, por isso muito obrigado minha cara. Eu só gostaria de saber o que o anterior governo teria feito; teriam feito como o Costa que fez com que a resolução afectasse o OE? É que o PS agora culpa o governo anterior, mas será que é culpado? Se calhar depende de como a coisa fosse feita, o que acha lenny? Desejo-lhe um bom fim-de-semana, minha cara.
    JP

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    1. Olá, olá, João Pedro!
      Mande sempre!
      Provavelmente teriam feito alguma borrada mais gravosa, porque a ministra das finanças não teve a ousadia de convidar a presidente do grupo Santader, a senhora Botim, para um têt-à-têt ou um eyeball to eyeball e resolver a questão doutra maneira, tal qual fez com os outros Bancos que estiveram igualmente envolvidos no negócio dos swaps com as EP portuguesas.

      Não direi que o anterior governo fosse culpado; porque a negociata foi feita no tempo do governo socialista de Sócrates, mas direi que ao não conseguir resolver o assunto com o Santander, a ex-ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque complicou uma situação, por si só delicada.
      O meu falecido marido dizia "todos os burros comem palha, basta é saber dar-lha"; por isso tudo depende de como se fazem as coisa, sim senhor.

      Bon weekend, mon chér

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  4. Em ambos os casos o governo socialista-bloquista tentou culpar o anterior governo. Mas pergunto-me, tal como o JP, se tivessem dado tempo ao governo da coligação para governar se este teria agido de maneira diferente? A Cecília Meireles parece pensar que sim. Óptimo artigo, lenny!!! :-D

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    1. Olá, Carla!
      A esquerda gosta de culpar todo o mundo, menos a si própria.
      Talvez estivessem a contar com um segundo mandato para resolver a questão, não o tiveram: isto diz-nos que devemos agarrar qualquer oportunidade; por isso minha cara, não sei ao certo.
      A Cecília Meireles talvez saiba coisas que nós desconhecemos...

      Boa semana de trabalho, amiga

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