Os Refugiados Rejeitam Portugal & A Bizarria de António Costa


Esta semana vou falar de dois itens que me pareceram muito interessantes: a redução  da prestação ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e a aversão que os refugiados sírios sentem em relação a Portugal.

Bizarria do Premier António Costa

Meus caros leitores, asseguro-vos que havia prometido a mim mesma que daria uma folga ao primeiro-ministro da esquerda radical; havia decidido fechar os olhos e os ouvidos ao seu tom quasi-agressivo com que responde à oposição; havia também ajuramentado que não me impressionaria com a sua constância em manter a postura de chefe do grupo dinamizador (devido à incansável sensibilização política às massas) e, comprometera-me a nem sequer pronunciar-me quanto à sua falta de sofisticação no porte, porque na minha vasta família aprendi a tolerar este tipo de calhau.

Mas que diabo... não aguento mais!
Em mais um esclarecimento político, o premier anunciou-nos que este ano reduziria para 1/3 a prestação ao FMI, ou seja, pagaria 3,3 mil milhões em vez dos 10 mil milhões, porque o povo estava fatigado de austeridade.
Quando o ouvi falar, imaginei uma coordenação a três: estudo dos dossiers pela sua parte, conversação com o seu ministro das finanças e uma negociação telefónica com a Directora do FMI, a senhora Lagarde. Mas, pasmem-se os caros leitores: o FMI veio dizer que não sabia do que falava o sr. António Costa pois o anterior governo deixara as contas em dia.

Num artigo do FT este governo é comparado com o da Venezuela de Chaves/Maduro e com o ex-governo de Cristina Fernández Kirchner, na Argentina. Entre regimes quase fascistas; ditaduras militares assassinas; governos de esquerda populistas e de acções dúbias; as constantes interferências externas por parte dos Estados Unidos da América e de Cuba: na América Latina, a bravata política e o expediente político são quase toleráveis pois não sabem melhor. Mas em Portugal, um premier que lhe foi permitido assaltar o poder e formar um governo de esquerda radical; que gosta tanto de se ouvir a ponto de, diariamente, transformar o verbo numa frivolidade indecifrável e ainda por cima, sem pejo, armar-se em guerreiro compassivo da consciência social exibindo perante os seus credores, e parceiros da UE, uma ignorância contabilística clamorosa: meus caros senhores, quem é que poderá resistir? Mas Babush: estou de camarote!

Migrantes/ Refugiados

Em Portugal estava tudo pronto para receber os migrantes/refugiados da guerra da Síria e inclusive uma organização chamada PAR teria organizado 600 colocações dos 4.500 que supostamente viriam para Portugal. Mas óóooo...os destituídos sírios não querem albergar-se em Portugal, querem partir para o Norte da Europa onde se ganha mais e onde aparentemente, não existe miséria.
Ora que gaita, já tivemos esta experiência com os fugees da Bósnia-Herzgovinia: vieram 1.000 e quando a coisa acalmou toda a gente se pisgou de Portugal: qual é o espanto? Para os muçulmanos aqui não há ghettos, por isso torna-se um bocado difícil juntarem-se para combinar torrefação de automóveis alheios ou organizarem-se em matilhas e partirem para umas noites de apalpadelas a raparigas; para os cristãos, o nosso nível de vida é baixo comparado com oferecido pela Síria de Bashar al-Assad.

Diz-se que um tal senhor declarou-se frustrado com o facto dos desenraízados sírios não preferirem Portugal, mas ao menos aliviou a sua consciência ao enviar €206.000 para ajudar os refugiados sírios no Líbano. Meu Deus, meu Deus...

Vi na TVI, em Dezembro, um programa sobre portugueses pretos que vivem em condições deploráveis na Damaia, alguns casebres não têm nem sequer uma latrina, diz-se que se aliviam em recipientes que depois de manhã são despejados para os caixotes de lixo. Anda por lá um ex-presidiário, Johnson Semedo, a ajudar os seus irmãos com o auxílio do Pingo Doce. O Johnson é uma espécie de pai, amigo, confidente e treinador de desporto para jovens de ambos os sexos. Faz parte das suas tarefas tentar recuperar outros que já conheceram o presídio e também os jovens que tenham estado em estabelecimentos para recuperação de menores. O bairro está cheio de mães solteiras, sem trabalho, e fiquei com a nítida impressão que se não fosse o Pingo Doce aquilo seria um desastre social horripilante.

Vi na SIC uma comunidade de portugueses pretos que são ex-trabalhadores da construção civil, elas ex-empregadas domésticas, e para sobreviver têm uma horta comum e estão há anos esperando que a Câmara da Amadora lhes autorize a fazer um espécie de barragem para captação de água para regarem as suas culturas. Têm uma plantação de cana de açúcar que aparentemente daria uma mini produção de rum.
Os jovens andam por lá encostados aos prédios, fumam de tudo, estão desempregados e nem sei se foram à escola (ao menos, no projecto Pingo Doce/Johnson Semedo havia lá algumas que estavam na universidade).

Claro que há portugueses brancos a viver miseravelmente, há famílias inteiras arruinadas, há pessoas a dormirem ao relento neste inverno e similaridades inarráveis.

Eu sei que é bom/magnânimo ajudar com a alimentação. Mas e depois?
  • Quem é que incentivará aquela gente jovem a organizar-se em grupos e a entender que poderão construir algo para si e para a sua comunidade?
  • Quem intercederá pelos manchambeiros da Amadora, que só querem uma licença para ter água para as suas culturas?
  • Quem conjuntamente com eles organizará uma licença de produção de Rum e dará emprego aqueles jovens?
  • Quais serão as câmaras que irão ceder as casas que tinham para os sírios às famílias portuguesas que estão sem tecto porque os bancos os reaveram?
  • Quais serão os partidos políticos que lutarão pelo povo e deixar-se-ão de merdas tais como provas de aferição e recuperação de feriados?
  • Quando será que os políticos irão entender que as pessoas querem somente um empurrão, não querem esmolas, subsídios e compaixões deslocadas?
  • Qual é a organização que se sentirá frustrada com o acima descrito?

“Ai sepulcros caiados...”

Pois é... já me estão a mandar àquela parte: eu vou, mas não queiram saber o que acho  de vós...

Até para a semana

Post Scriptum: O Pingo Doce não me pagou nem um tostão, é mesmo de coração devido ao seu enorme coração em relação aos Kambas da Damaia. 


[As opiniões expressadas nesta publicação são somente aquelas do(s) autor(es) e não reflectem necessariamente o ponto de vista do Dissecting Society (Grupo ao qual o Etnias pertence)]

Comentários

  1. O quê? O costa cometeu essa gaffe? Uauuuu! Pensava que a malta se coordenava uns com os outros! Tava enganado. Pá, em relação aos refugiados: ainda bem que se pisgam daqui para fora, não os queremos cá!

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    1. Olá, Anónimo!
      Claro que ele cometeu essa gaffe, o comportamento do primeiro-ministro da esquerda radical, é um somatório de equívocos. Além do mais, que esperar de alguém em cuja biografia (wikipedia), classifica o agnosticismo como uma religião: word?

      Estou consigo; não tenho simpatia por essa gente; porque durante a guerra civil angolana, guerra civil moçambicana, não vi ninguém em Portugal ir buscar os refugiados angolanos no Congo ou os refugiados moçambicanos no Malawi, porque para a UNO, UE e os árabes, uns são mais iguais que outros e, nesses campos longínquos, os refugiados é que são sexualmente assediados e violados e não o inverso.
      Portanto peço-lhes: não me lixem com as histórias da carochinha sírias;

      Cumprimentos

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  2. Olá Lenny,

    É incrível como muitos portugueses estavam preocupadíssimos com os refugiados sírios, e defendiam-nos como se fossem sua família; mas no entanto não querem nem saber dos cidadãos portugueses que vivem mal em Portugal.

    Uma tia minha estava a contar-me que há portugueses que querem uma casa digna onde possam viver, e no entanto estavam a planear distribuir casas pelos migrantes/refugiados (segundo ela, casas mobiladas e com brinquedos para os miúdos).

    Ora, a caridade começa em casa, não é verdade? Por isso, essa gente do PAR deveria ter vergonha: porque não doou esses fundos aos mais desfavorecidos do seu país?

    Não faço comentários quanto a António Costa porque ele não merece nem um minuto dos meus pensamentos. Só espero que Portugal esteja preparado para o que aí vem...

    Beijocas e bom trabalho

    PS: Estou orgulhosa do Johnson Semedo, e espero um dia poder ajudá-lo.

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    1. Olá, Max!
      Acho que o Johnson Semedo merece mesmo ser ajudado; é um grande humanista!

      Sabes o que me fez lembrar essa história das casinhas com bonequinhas para os coitadinhos? A história dos retornados(brancos e pretos nos balteiros, vale do Jamor) que viviam em tendas mal amanhadas e aos timorenses nesse mesmo vale de "lágrimas", foram-lhe atribuídas casinhas pré-fabricadas de madeira e no natal a cruz vermelha foi lá levar brinquedos aos petits lorosae: sabes porquê? Porque em Portugal uns são filhos da mãe e outros são filhos da mulher desditosa.
      Pois neste momento há portugueses a precisar de um tecto temporário e não há, porque se calhar estão na miséria por culpa própria isto é: a crise das dívidas soberanas, a falência dos bancos e o incentivo ao consumo excessivo, foi causado pelo povo que agora está nas lonas: porca miséria.Não sei bem para que serve a Associação de Municípios...
      Mas para os desgraçadinhos dos sírios (que na certa, nunca dariam um tostão à Portugal, se algum dia o povo português estivesse igualmente na merda) há tudo inclusive frustração.

      Quanto ao outro: não aguentei a sobranceria deve também ser doseada; ok?
      Parece que não ficarei por aqui, pois dizem-me que anda prá aí um novo plano da sua invenção...

      Beijocas

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  3. Valha-nos Nossa Senhora! Tanta miséria em portugal e esta gente a preocupar-se com estrangeiros! Deus me perdoe, lenny, Deus sabe que a caridade é um imperativo da cristandade mas há que cuidar dos nossos primeiro, não acha? Não conheço esse bairro na Damaia, mas o que acha que deveremos fazer para ajudar? Deus faz milagres na vida das pessoas: um ex-presidiário que se afastou de si mesmo para se aproximar dos outros. Deus o abençoe! Ai lenny, não sei onde isto tudo vai parar, parece-me tudo tão irreal. O fim dos dias está próximo, minha amiga! Bom fim-de-semana

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    1. Olá, Maria Joaquina!
      Amém! A caridade começa de facto dentro de portas e depois os outros; não há acordo internacional nenhum que possa suplantar esta verdade.
      Conheço a Damaia pelas notícias policiais e com as do sr.Semedo, mas não conheço a sua alma nem o fervilhar das gentes daquela freguesia da cidade da Amadora.
      Acho que devamos todos massivamente fazer compras nas lojas Pingo Doce, para que continue com a sua preciosa ajuda; se houver alguém que, neste momento, possa dispôr do seu tempo, por favor junte-se ao sr.Johnson Semedo e vá ensinar um ofício útil as raparigas e aos rapazes. Depois aconselhá-los a iniciar uma cooperativa e bolir como toda a gente. Fundos para iniciar a actividade aparecerão com a ajuda de Deus (Aquele que faz tudo por nós), é preciso que haja vontade.
      Imperativamente alertá-los contra o complexo de inferioridade, contra o já batido choradinho do racismo e do coitadinho porque tudo quanto basta é aproveitar o empurrão, agarrar a vida pelos cornos e orgulhosamente contribuir com os seus impostos para o bem comum: ainda é possível vencer em Portugal, não importa a cor da pele.
      Quanto ao "fim dos dias" por favor, só depois do Pingo Doce, o sr. Semedo e as pessoas de boa vontade transformarem uma improbalidade numa possibilidade: o sucesso das gentes do bairro merdoso cito na Damaia.

      Amiga, para si também, um glorioso fim-de-semana

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  4. Lenny, infelizmente é assim mesmo: antónio costa chegou, viu, venceu...e envergonha-nos. Quero ver quanto tempo isto vai durar: o OE já está a dar que falar, a UE relembrou que a retórica é uma coisa mas a realidade é outra, as promessas já começaram mas sem detalhes, logo não serão cumpridas; e os comunas já estão a mexer-se muito nas suas cadeirinhas. Quanto aos refugiados, good riddance. E sim, deveríamos olhar mais cá para dentro!
    E por falar em refugiados: o guterres vai-se candidatar a sec geral da ONU! Foi sec geral do PS, e agora quer ser da ONU, porque não? Se que vai perder se o Obama concorrer! Shabbat Shalom, povo!

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    1. Olá, Carla!
      Ó pá, não venceu enganou o povo. Pensou "vocês querem que eu me sente no Parlamento e policie o governo da direita? E que tal darem uma curva, vou mas é ser primeiro ministro senão nunca mais saio da sepa torta"
      Ele que prometa o que quiser, pois não o cumprirá; tenho pena por Portugal, mas é a pura das verdades.
      Que vença o melhor, para quem ainda acredita nas tretas e nos tachistas da ONU.

      Shabbat Shalom, carina!

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  5. Olá meus amores! Se os refugiados não querem ficar que não fiquem! Melhor para portugal cujas mulheres estarão a salvo. O Costa é um amor, na minha opinião! Não lhe posso faltar ao desrespeito porque agora é o premier, mas bem que me apetece chamar-lhe alguns nomes como PM Goês e por aí adiante! Mas não o farei, fico à espera da sua queda quando a Cati se chatear com ele.

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  6. Hey, hey, hey...
    Olha em Portugal, esses bandidos levariam tanto das mulheres como dos homens uns valentes puñetazos: em Portugal não há pão para malucos!
    Olha rica, eu já disse o seguinte ao Babush "estou de camarote"

    Beijocas

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