Em Portugal Não Há Felicidade, Há Miserabilismo Com Momentos Felizes



No meu ponto de vista, ser feliz é um estado temporário quase comparável a um gesto de auto-agraciação. Mas a felicidade é um estado em que a razão apreende o entendimento da vida no seu todo.
Qualquer um pode ser feliz desde que o momento se propicie a isso, ao passo que a felicidade é um estado acessível só a alguns; ser feliz é viver acondicionado, par contre a felicidade é abraçar o Respeito como um modo de vida.

A felicidade faz parelha com a infelicidade, a diferença entre si é ténue daí cada uma delas ser uma escolha, uma busca ou uma entrega. A felicidade não é sinónimo de sublimação da vida, é encará-la tal qual ela é; por exemplo: a lei permite/impede que se faça isto ou aquilo, o indíviduo deve agarrar-se a esta vantagem de saber de antemão o que pode ou não fazer; os regulamentos ditam isto e aquilo, o indivíduo aqui tem a vantagem de conhecer qual o caminho que orientará a sua conduta...enfim, as regras devem ser apreendidas como um sinal de que o indivíduo não se sobrepõe ao colectivo...

A Felicidade é perene por que se alcança através do uso da razão, a qual ajuda o seu utilizador a descobrir que o respeito pelo mais velho engrandece a cultura de um povo; que a cortesia é um sinal de nobreza de espírito e não uma fraqueza; que poupar-se a si próprio equivale a não agravar o próximo gratuitamente; que se pode ser caústico mas justo; que se pode ser um confrontador que respeita o próximo; que os direitos e garantias de uns não podem entrar em colisão com os da maioria etc etc...

Uma música angolana diz “A felicidade todos nós queremos”, enquanto que a constituição dos Estados Unidos da América faz da felicidade um direito inerente aos seus cidadãos - “The pursuit of happiness (a busca da felicidade)”.

Na semana passada na Assembleia da República, os deputados da esquerda ecoaram a palavra felicidade a propósito de tudo e nada como se aquela fosse uma trivialidade, senão vejamos:
  • em Portugal pagar €7 para fazer um aborto, vai contra a privacidade e fere de morte a felicidade da mulher que o pratica
  • a obrigatoriedade do exame final do 4ª ano lasca grandemente a felicidade das crianças;
  • ser-se rico em Portugal enche de pús a felicidade dos destituídos
  • ser de direita em Portugal provoca gangrena na felicidade da esquerda
  • em Portugal a supressão do 1º de Dezembro (restauração da soberania monárquica de Portugal em 1640) e do 5 de Outubro (regicídio e implantação da República em Portugal, em 1910) são um atropelo à felicidade dos trabalhadores portugueses
  • E...rasteirices como tais.
Para os deputados de esquerda a pressão, a frustração e a luta (mecanismos reconhecidos como conducentes à evolução humana) são inibidores da conceptualização da existência per se; por isso, os portugueses, desde o berço, têm de ser queixosos e derrotistas para depois os seus representantes (PS, BE, PCP e outras pouquidades) virem em seu socorro e passarem uma esponja por cima de tudo que lhes possa causar constrangimento.
Em Portugal não existe felicidade, existe miserabilismo com momentos felizes. 

Até para a semana

(Imagem: Leitura de Poesia - Vittorio Reggianini)

Comentários

  1. Eh, lenny, fiquei chocado com o que o escurinho aí fez na tuga. Mas mais chocado fiquei com a reacção dos tugas: nenhuma! Eh eh eh...
    Mas adiante, nunca ouvi um tuga dizer que é feliz, dizem sempre aquela merdice 'tenho momentos felizes' mas o que é que isso quer dizer? E é esse o espirito do país? Eh, prefiro áfrica, a sério!

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    1. Olá, Carlitos!
      O goês católico (como ele próprio se intitulou para se distanciar dos pretos e afins) soube jogar e quanto ao silêncio dos portugueses é para que tu vejas que não existe diferença nenhuma entre nós e a mulher de um migrante ilegal; o povo está a ajustar-se à nova realidade: o Imãm, o pai, o macho, o pseudo-rei e o político cospe no valor do voto, transvestindo os factos com capciosidades como: o Parlamento é de esquerda por isso é bestial passar por cima de quem nos concedeu o papel secundário com os seus votos de merda.

      Em África mesmo vivendo debaixo de condições deploráveis ainda se fica com o filho do vizinho, ainda se reparte uma refeição e ainda se diz ao vizinho, amigo e familiares "passa lá por casa só para a gente rir..." : quão precioso é isto?

      Aquele abraço

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  2. Ó lenny, desista de tentar remendar portugal, não vale a pena minha cara! A menina é feliz, vê-se bem, esqueça o resto que é um caso perdido.

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    1. Olá, Anónimo!
      Ok, vou esquecer porque estou a pensar ir reformar-me para um país frio, por causa dos afrontamentos.
      Felicidades e bom fim de semana!

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  3. Olá Lenny,

    Como bem sabes, este é um velho debate entre os retornados e africanos: os portugueses não são felizes, os portugueses não sabem dançar, os portugueses não tomam banho...por aí fora.
    Muitos dos meus colegas de escola diziam-me que não havia felicidade, somente momentos felizes. Ora bem, isto sempre me fez confusão porque eu sempre fui feliz embora tivesse momentos menos felizes. Não sei, deve ser algo cultural.
    Agora que vivo no estrangeiro e convivo com anglo-saxónicos, estes dizem-me que a felicidade é uma escolha: ou escolhes ser feliz ou não, it's that simple. Por isso...os nosso manos portugueses ainda estão na infância emocional; coitados.

    Uma nota antes de partir: li no FB que a Catarina Martins, para justificar o fim dos exames do 4º ano, havia dito que entre um neurocirurgião que estudou e um que foi feliz ela preferiria ser operada por um que foi feliz...LOL LOL LOL que pândega.
    Mas não os vejo acabar com os exames nacionais do 12º ano: esses quase adultos não merecem ser felizes?

    Bom trabalho e beijocas

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    1. Olá, Max!
      Eu deliciava-me quando entre retornados mulatos e pretos de Moçambique se dizia: os portugueses de Portugal incluindo crianças são pessoas esfrangalhadas pois por tudo e por nada é "que nervos"; onde estão os nossos brancos de Moçambique? Os daqui são feios...hmm!

      Acabar com os exames do 12º? Aqui é uma questão de fanfarronice "eu fiz o propedêutico e aqui estou; eu fiz a prova geral de acesso e nada de mal veio ao mundo; eu fiz o exame nacional e sobrevivi aos nervos; por que não eles?"
      E quando os tais licenciados abrem a boca (já que está na moda inventar palavras) é um gramaticídio....LOL LOL LOL

      Beijocas, boss!

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    2. "E quando os tais licenciados abrem a boca (já que está na moda inventar palavras) é um gramaticídio....LOL LOL LOL"

      LOL LOL LOL LOL é verdade.

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