O Poder da Amizade


O telefone da minha casa tocava duas vezes por semana sempre à mesma hora da noite, eu atendia e, do outro lado da linha, uma voz idosa pedia-me para falar com o Álvaro; eu replicava dizendo que era engano.
Os telefonemas continuavam a chegar e a resposta era sempre a mesma; até que um dia, perguntei-lhe quem era o dito Álvaro, respondeu-me dizendo que era seu filho mais velho que morava em Lisboa e que lhe havia dado o número de telefone.

Conversa puxa conversa fiquei a saber que era Transmontana, que se chamava Leontina, que tinha 3 filhos (duas meninas e um rapaz), que as meninas haviam sido imigrantes em França e o rapaz partira para Lisboa e, que tinha o cargo de deputado na Assembleia da República por um partido político importante.
Fiquei a saber também que não falava com o figurão do seu filho há mais de três anos, mas que agora era muito urgente pois uma das irmãs sofrera um acidente às mãos de seu marido; que ela com os seus 80 anos estava confusa e sem saber o que fazer visto que nunca pensou que tal se passasse na sua família.
Perante o meu silêncio, ela rogou-me que a deixasse falar com o seu Álvaro, reiterei que era mesmo engano e não malícia da minha parte. Mas aconselhei-a a chamar o 112, os bombeiros, a GNR e que não se dirigisse ao meliante. Despedimo-nos: ela sob um manto de mágoa e aflição, e eu debaixo de uma imensa tristeza.

Claro que gostaria de ter explicado à senhora Leontina que não valia a pena desgastar-se com um ser tão pequeno, que ainda por cima é desonesto e padecedor de um distúrbio psíquico assaz perturbante, porque além de lhe facultar um número errado, ainda lhe deu a entender que se não lhe falasse é porque coabitava com uma cabra que dificultava a comunicação entre ambos.
Gostaria de ter dito à senhora Leontina que não se agravasse, e nem se sentisse culpada, com a falta de carácter do merdoso do deputado e seu filho; um ordinário que de certeza era todo atencioso para com a mãe do chefe da bancada parlamentar para obter favores e subir rapidamente dentro do partido.
Ainda estive para me oferecer para de mansinho fazer uma batida no meu bairro, onde vivem muitos políticos do Partido Socialista, e descobrir quem é o agente socialista nefário (será que obteve o meu número nos papéis da Junta de Freguesia?) que anda usando o meu número de telefone fraudulentamente, forçando a sua progenitora a incomodar terceiros.

Ao bandalho que anda a mentir à sua mãe, e a massacrá-la psicologicamente, fique sabendo que nos tornámos amigas, skypamos uma vez por semana e, logo que ela decida dar-me os dados de que preciso, posso assegurar-lhe que irei expô-lo como fraudulento e ladrão de números de telefone com intenção de enganar a sua progenitora.
Ladrãozeco, mentiroso e demente, se não se atinar, terá um prato cheio nestas eleições; nada tenho a ver com a sua vida, mas envolveu-me nos seus assuntos ao dar o meu número de telefone à sua mãe: senhor deputado não teste a minha determinação!

Até para a semana

(Imagem: Estudo de uma Lady - Thomas Gainsborough)

Comentários

  1. Coitada! Infelizmente este tipo de casos não é raro, já não há valores!

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    1. Olá Anónimo!
      É uma tristeza! Sabemos que ele não gosta do facto de ter nascido desta senhora; mas já que cá está e lhe foi dado espaço para poder vir a ser deputado; o minímo que se lhe exige é respeito e consideração pela sua progenitora. O homemzinho é simplesmente ignóbil.

      Cumprimentos

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  2. Ixx, já não há respeito pelos mais velhos! Mas isso é uma coisa que vejo muito em portugal, as pessoas não respeitam os pais, não respeitam os mais velhos, que é isso? Nós damos valor aos nosso pais, aos nossos tatanas, às nossas mamanas! Coitada desta senhora, mas ainda bem que estás a ajudá-la, lenny, a sério.

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    1. Olá, Leila!
      Como diz o Anónimo "já não há valores"; estamos a ser governados por um bando de ateus; que raio de deputado é esse que desconhece o 4º Mandamento da lei de Deus "honrar pai e mãe" ponto final. Se por acaso foram vis para contigo, foge e não dês contacto algum.
      Os moçambicanos ainda respeitam o mais velho, mesmo não sendo família; e isso é enaltecedor. A senhora não me parece que tenha sido vil nem ausente (porque as há), mas enfim não entendo o cobardolas do seu filho.

      Aquele Abraço

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