Crise Grega: Sr Juncker, Saiba Dizer Não!


No auge da crise de 2008 dizia-se que os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Spain Espanha) iriam dar cabo da União Europeia porque a dívida soberana destes países era avassaladora, e ninguém poderia antever quando regressariam à normalidade. Havia porém uma certeza latente de que a Irlanda pudesse recuperar mais rapidamente devido ao temperamento socio-psíquico dos celtas - “extremis malis extrema remedia” ou seja “para grandes males, grandes remédios” e tanto os investidores como os especuladores gostam deste tipo de determinação; contrariamente aos países periféricos que devido ao seu perfil (i.e. mil e um esquemas laborais, inarráveis subsídios compassivos e a excessiva intromissão regulamentar do Estado), teriam na certa uma recuperação lenta e dolorosa...condição favorável ao especulador.

O quê que aconteceu por causa do descontrole das Divídas Soberanas e do fiasco financeiro, vulgo crise dos mercados, de 2008?
Graças ao pragmatismo do seu povo, a Irlanda recuperou e vai de vento em poupa; mal-grado o inexorável sofrimento e sacrifício dos seus povos, Portugal, Itália e Espanha já levantaram a coluna vertebral e agora o mote é: recuperação económica e financeira.

O quê que aconteceu ao G dos PIIGS? 
Aconteceram umas eleições e um referendum validando e confirmando o partido Syriza; os gregos quiseram experimentar uma nova receita utilizando ingredientes fora de prazo; resultado: caca no ventilador!

Agora o senhor presidente da comissão europeia, Jean-Claude Juncker, quer o quê?
Quer desrespeitar o sofrimento do povo português nestes últimos 4 anos?
O povo português sofreu o cão para equilibrar as contas (sei, sei, os burros e idiotas virão novamente com a falácia da dívida ter aumentado; eis aqui porque se trata de uma falácia), por exemplo:

  • um conhecido meu, que sofre de esquizofrenia paranóica, queixou-se do seu subsídio de €190 ter sido reduzido para €100 pela Sta Casa da Misericórdia (expliquei-lhe que estávamos numa crise e consequentemente haveria mais gente a recorrer à mesma instituição)
  • uma amiga minha viu a sua reforma ser reduzida (expliquei-lhe que a reforma de viuvez que lhe fora sonegada era para ajudar a tapar os buracos que o seu amigo Sócrates havia deixado)
  • o meu vizinho gostaria de se reformar e ir ver o mundo enquanto está lúcido e sem o pé para a cova, mas tem de continuar a trabalhar porque se o fizesse já veria a sua reforma escamoteada (expliquei-lhe que o seu PS é que lhe havia presenteado com o pacote envenenado, uma vez que o seu partido de eleição, PS, havia delapidado os cofres do Estado oferecendo subsídios a torto e a direito a pessoas que moral e socialmente não precisavam, como era o caso da bolsa do seu neto)
  • a minha própria mãe, que vota PSD, estava a respingar por causa da sua reforma (expliquei-lhe que a culpa era do governo PS do eng. Sócrates, e que se ela se armasse em otária e desse o seu voto ao khoja do PS, ela estaria a colocar em causa o futuro dos seus bisnetos). 

Pergunto mais uma vez, o que quer o senhor comissário Juncker?
Claro que os líderes de Espanha, Irlanda e Portugal lhe fizeram frente! Após aqueles terem pedido aos seus povos que honrassem os compromissos assumidos com a dita Troika (Comissão Europeia, FMI e BCE) desse por onde desse; teriam estes agora de aceitar que o povo grego, que já havia recebido perdões e prolongamentos de prazos no pagamento do dinheiro emprestado, se visse desobrigado de honrar a sua quota-parte?
Senhor Juncker, estes líderes fizeram bem dizer que não, porque eles tiveram que forçar os seus povos a conhecer dificuldades inimagináveis. E agora, à porta de eleições, têm de explicar aos seus povos que a caca deixada pelos Socialistas foi limpa, mas que são ainda precisos vários baldes de água limpa, mais uma secagem bem feita, para evitar escorregadelas e voltarmos ao mesmo.

Ó senhor Juncker, o nosso líder Passos Coelho precisa, deve e tem de agradecer ao povo português pela sua bravura e explicar-lhes que tenham cuidado com o canto da sereia do PS, porque se o Sócrates foi responsável pelo esvaziamento dos cofres do erário público, é porque teve coniventes e, pelo descalabro de Portugal, um dos seus coadjutores foi o goês católico António Costa.
Senhor Juncker, ainda que o primeiro ministro de Portugal negue as suas declarações carregadas de insinuações a la carte; eu como parte integrante do povo português, devo dizer-lhe que rejubilei com o que o senhor alega ter sido dito pelo premier luso, porque o senhor é outro católico confuso (tal como o Papa Francisco e o líder do PS, António Costa).

Uma dívida é para ser paga, dê por onde der. Compreendo que se perdoem dívidas aos africanos (discutiremos isto noutra ocasião), mas pedir a gente extremamente ocupada - e com mais que fazer na vida - que se deixe manipular pelo povo grego, que já afirmou e reafirmou a sua posição, é no mínimo desonesto.

Os gregos sem excepção são maus devedores e gabam-se de tal característica. O meu amigo Aeneas disse-me que a culpa foi do Pasok que convenceu o povo que o dinheiro do turismo cobriria tudo e mais alguma coisa. Claro está que nunca pensaram que a classe média, e quase média, unida do mundo se virasse para a Túnisia, Túrquia, Egipto e ultimamente para os países do golfo.
Por isso, senhor comissário Jean-Claude Juncker, eu pessoalmente estou-me nas tintas para o calvário do povo grego e para o seu pretenso choque diante da nega dos três magníficos: Espanha, Irlanda e Portugal.

Monsieur le Commissaire, diga aos gregos para esperarem até fim de Outubro.

Até para Semana

(Imagem: Juncker e Aléxis Tsipras - Google Imagens)

Comentários

  1. Os gregos deveriam sair da ue. Não temos de pagar as nossas contas e mais as deles!

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    Respostas
    1. Olá Anónimo!
      Não diria que saissem da UE mas que abandonassem o Euro, talvez fosse melhor que os helénicos voltassem ao Dracma assim talvez controlassem melhor o seu destino. Quem sabe?
      Cumprimentos

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