Intermissão 2015: Miscelânia Política



O Verão chegou, o que significa que a primeira parte do nosso Ano de Blogagem (Janeiro-Junho) é findo e, eu irei de férias – para me preparar para a segunda parte do ano (Agosto-Dezembro). Como Portugal está em ano de campanha eleitoral, a Lenny continuará por perto até às eleições.
Na parte que me toca, o ano até agora tem sido incrível:

  • O ISIS tem sido uma dôr de cabeça para muitos actores no Médio Oriente (o exército iraquiano, o Peshmerga, o exército sírio, o Hezbollah, o exército Egípcio, a Arábia Saudita e agora o Hamas). O grupo também ameaça a Europa (tendo ligado a sua causa às causas da Palestina e da Esquerda Europeia) e os EUA (tendo, através de simpatizantes, feito ameaças às companhias aéreas americanas). 
  • A Rússia, apesar das sanções impostas pelo Ocidente, tem enviado sinais de um crescente poder militar (i.e. em Maio, exibiu um vasto leque de “brinquedos” novos e levou a cabo exercícios militares que poderão muito bem ser uma esquemática das suas intenções). Entretanto, o projecto da União Europeia está periclitante com a questão grega, com a Grã-Bretanha a ameaçar sair e, com países europeus a duvidarem do futuro do Euro-bloco, a Rússia parece estar em posição de re-adquirir algum do seu poder do passado. 
  • A China tem estado a combater o terrorismo em território nacional. Para esse efeito, implementou uma medida holística assaz original: o comércio de retalho muçulmano tem de vender álcool em território chinês. Funcionará esta medida ou só alimentará a postura de vitimização (tão comum à Ummah) da comunidade muçulmana chinesa?
  • A Arábia Saudita formou uma coligação árabe (que lembra o Comando Árabe Unido de 1964) para lutar contra os Houthis, no Iémen. Até agora, os ganhos não têm sido significantes (tendo no processo, os Houthis atacado o território saudita; e o ISIS rebentado com duas mesquitas Xiitas a leste do país); mas uma coisa é certa: a crise do Iémen expôs dois pesos e duas medidas (os sauditas podem violar a Lei Humanitária Internacional em absoluta impunidade e os países que respeitam a mesma são constantemente criticados).
  • O Presidente Obama revela sinais de estar a estudar a história e conceitos judaicos (certamente para poder entender o conflito Árabe-Israelita); contudo, seria interessante saber quem é o ser inculto que o está a ajudar com os seus estudos. Também seria interessante que um ser racional informasse o Presidente Obama, e a sua equipa, que o PM Netanyahu é um líder eleito, de um país soberano, que merece o mais absoluto respeito – falar mal de um homem escolhido pelo Eleitorado Israelita perante um grupo de judeus americanos (que provavelmente nem sequer votam em Israel) é perigoso porque é uma forma de apoiar a percepção do campo anti-Hebreu de que os Judeus são naturalmente mais leais a Israel do que à América. 
  • África está a dar sinais de desestabilização: a Ébola causou danos em países da África Ocidental; o Gana e a Gâmbia vêem um crescente descontentamento popular; o Quénia permanece sob a ameaça do Al-Shabaab, e o Burundi sofreu uma tentativa de pronunciamiento falhada. 
  • O Boko Haram e o Al-Shabaab estão a trabalhar com o ISIS. Militantes de ambos os grupos foram vistos em Mosul (Iraque) e há a possibilidade de os vermos unirem-se ao ISIS também no Iémen. 
E por último,
  • O Irão conseguiu fazer com que o Ocidente tacitamente o nomeasse como o elemento contra-Sunita. Em troca, as sanções estão ser a relaxadas aos poucos (representando, só para a Alemanha, milhares de milhões de euros em trocas comerciais) e foi-lhe também concedida margem de manobra nuclear. Tal medida incomodou tanto israelitas como os estados árabes mas, na minha opinião, era de se esperar dado o patrocínio saudita ao Islão radical em todo o mundo (também acredito que talvez não seja uma má ideia desde que os EUA se certifiquem de que o Irão tenha em mente o elemento dissuasor: Israel)
Como podem ver, a primeira parte do ano tem sido uma viagem e tanto; e, por isso estamos ansiosos pela segunda parte. Durante este mês continuarão a ser publicados, às terças, artigos interessantes – ainda que qualquer comentário neles deixado não vá receber resposta.

Bem, deixo-vos na companhia da Lenny Hannah. Obrigada por lerem o Etnias: O Bisturi da Sociedade, e vemo-nos em Agosto.


(Imagem: Bosque de Vidoeiros - Isaak Levitan)

Comentários

  1. Olá, Max!
    Vai de férias, mas fica sabendo que "patrão fora, dia santo na loja" Heeheeheehee
    Se ao menos o Médio-Oriente abrisse os olhos: acolhessem os árabes na Palestina nos seus países de origem (Árabia Saudita, Egipto e Síria); se aliassem a Israel e de uma vez por todas se transformassem numa região poderosa e se libertassem do engôdo europeu, russo e norte americano; se ao menos tomassem o seu destino nas suas mãos e se desenvolvessem e de uma vez por todas criassem as condições para que houvesse uma paz duradoura naquela região e prosperassem.
    Se.......

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  2. Boas férias, Max, que são bem merecidas!

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  3. Minha querida, descanse com a benção de Deus porque a menina trabalha muito! Lerei os seus artigos.

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