A Histeria da Segurança Social


A histeria da dívida e do déficit está de reserva algures, pois agora para a inquietação das massas o inferno auditivo é a Segurança Social.
Diz-se que a Segurança Social está de rastos porque o sistema é de repartição em vez de capitalização; ora em 2060, cada reformado só receberá 30% relativamente aos descontos feitos. Grita-se que a culpa é da direita; não, garante-se que ela seja absolutamente da esquerda; mas não, desconfia-se que seja dos reformados; ó xuxe...a porcaria da culpa é seguramente do povo porque este não procria o suficiente!

Um aparte: ponderei seriamente em vir a ser economista, mas um amigo de família lembrou-me que com essa ferramenta, só poderia servir o Estado ou ser professora universitária (nesse tempo não existiam os comentadores professionalizados).
Olhando para trás, realizo que ele tinha razão porque não só a Economia é uma disciplina inexacta, como é também um instrumento de manipulação política em vez de ser a tão almejada ferramenta científica para o avanço do bem estar social.
Bem sei, que muitos economistas foram enaltecidos, agraciados, com prémios porque descobriram novas técnicas e fórmulas matemáticas para tornar mais eficaz os cálculos macroeconómicos para que “a distribuição da riqueza e consumo de bens” seja mais equitativa: enfim!

De que a Segurança Social (SS) é um direito constitucional, é per se “um não assunto”, logo deveria ser intocável visto tratar-se de um dado adquirido; salvo em caso de “force majeure”. Por conseguinte, se alguém desconta para a SS, tem o direito de receber a sua pensão por inteiro, com um pagamento mensal igual ao último salário pela vigência da sua vida a partir dos 65 anos.
Mas como a SS está atolada na lama, vai-se criar mais uma taxa sobre os ricos: e se os ricos não quiserem ser ricos em Portugal? Taxar as mais valias das PME (empresas com um número reduzido de  empregados, mas com um volume de negócios elevado, por ser tecnologicamente mais eficaz): e se o alvo das mais valias (PME) decidir sair de Portugal? Aumentar os impostos: e se não houver contribuintes suficientes? Atrair investimento estrangeiro: e se quem tem reservas de capital não quiser investir em Portugal, por falta de mão de obra qualificada? Estimular o consumo: como, se el pueblo está muerto sem poupança, devido ao desemprego, IRS, ao IVA, a taxas bancárias, à taxa de carregamento de telemóveis, às taxas Camarárias, à taxa de aeroporto, etc...uma cobrança sem fim?

Qual é a solução:
- Reunir mais economistas sem ideias que se coadunem com a realidade do século XXI?
- Reunir um bando de iluminados cujas células cinzentas só reproduzem “a culpa é do capitalismo; o 1% não pode ter o direito de açambarcar 2/3 da riqueza mundial; a culpa é dos mercados: os hedge funds, o High Frequency Trading shit shit shit”?
- Reunir uns pseudo-investigadores que vão autistar a audiência com ”o governo roubou do fundo de reserva da segurança social para tapar buracos imaginários; é preciso que haja mais transparência; escarrapachem já quanto dinheiro há nos cofres da segurança social e, quanto dinheiro aufere cada pensionista, o governo é desonesto pois parte da SS vai para pagar a falência dos bancos blá blá pardais ao ninho...”?

O povo exige saber como reformar-se com dignidade e não com esmolas; o povo não quer transparência tola porque não quer estar envolvido no dia-a-dia da governação; o povo exige saber como fazer aos 65 anos quando quiser viajar, comprar prendas para os netos, ajudar os filhos sem a angústia da incerteza financeira.
Então mais uma vez: como resolver o problema da SS?
Sim, nesta era moderna em que o homem atingiu um grau de desenvolvimento e sofisticação intelectual, o povo não está interessado em fórmulas e algorítmos que até à data não ajudaram nenhum economista a resolver os problemas reais que afectam as pessoas de todas as raças, classes e origens.
Sim, o povo exige uma solução definitiva e credível que tire o nó da garganta dos futuros pensionistas e certifique aos actuais de que não perecerão na miséria.
Sim, o povo exige um grupo de trabalho constituído por economistas e também financeiros, já que para estes o dinheiro não tem ideologia e, nem a distribuição é feita baseada em quimeras.

Hey, senhores políticos miela pongwe; shut it; caluda; taisez vous; chiudete il becco; callanse e mãos à obra; seus nulos.

Até para a semana

Comentários

  1. Olá Lenny,

    Realmente, qual a solução para este problema? Comecemos por enfiar a ideologia esquerdista na gaveta: mas porque raio não se faz um pool dos descontos para a SS, para depois se investir esse pool com capital garantido? Não é um bom sistema esse de obrigar os portugueses a trabalhar, a descontar para uma reforma não garantida. Que sistema é esse em que o trabalhador desconta para o seu desconto ser distribuido quase automaticamente? Claro que não é sustentável.

    Mas podes crer, Lenny, que o problema também passa pela baixa taxa de natalidade: se o sistema é de repartição e no futuro não tivermos jovens para trabalhar e descontar para os reformados, como vai ser? Ou o sistema muda ou há que promover a procriação - mas como, se os socialistas promovem o aborto (que inicialmente virou um meio contraceptivo)?

    Está tudo concatenado. E o agora vemos é o resultado de decisões políticas feitas com base na ideologia e não com o objectivo de melhorar a vida dos cidadãos. Enfim...

    Bom trabalho, linda.

    Beijocas

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    1. Olá, Max!
      Pool? Os portugueses têm medo de sair do seu ram-ram. A noção de comprar um Seguro e de este ser re-segurado por outra companhia seleccionada e sancionada pela Administração Pública, é um acto totalmente transcendental para a mentalidade portuguesa.
      É claro que a companhia de Seguros teria de ser examinada microscopicamente para que não se caísse na situação da AIG e a Goldman Sachs.
      Os políticos propõem e passam leis sem consideração alguma pelo Estado da Nação: naquela altura ficava bem passar a lei do aborto ainda que com a restrição das 10 semanas, e não se pensou nas brechas da lei: seu uso como contraceptivo ou ainda como arma de extermínio de fetos por mulheres assassinas.
      A repetição do referendo sobre o aborto foi uma cretinice do PS e de Sócrates.
      Agora está aí, toca de pagar aos casais para fazerem filhos: é o Estado a praticar lenocínio com os impostos dos contribuintes.
      Portugal precisa de um grupo de cidadania com cabeça, tronco e membros: politicamente independente e financeiramente robusto.

      Beijocas

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  2. Então qual a solução para este problema? É que por este andar acabarei sem um tostão na reforma!

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    1. Olá, Anónimo!
      Meu caro, pode começar por fazer o seu pé da seguinte forma: além dos seus descontos obrigatórios, poupe todos os tostões que puder e ponha-os numa conta a prazo num banco de confiança (só para este efeito) e diverso daquele com quem normalmente opera (lembre-se que este pode cobrar-lhe qualquer crédito mal-parado indo a sua conta à prazo: percebe?); €20 mensais é um bom começo.
      Outro modo para engordar a sua poupança: constitua com amigos de confiança um grupo de 12 pessoas, cada um entra com €15 ou €20 e mensalmente cada um receberá €180 ou €240. Tem de ser gente empenhada e leal: familiares.
      Com o seu pé de meia poderá investir em oportunidades onde não só o seu capital está seguro como também terá a chance de fazer algum lucro; esteja atento, não se deixe esmagar pela ansiedade e será um reformado satisfeito com saúde.
      Meu caro está mais que visto que não se pode confiar só no Estado, há que fazer algo por si próprio: seja precavido.

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    2. Muito bom conselho, Lenny. Obrigada.

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