Aliados Políticos: à la Maxiavelli

Roubo - Francisco de Goya

"A política cria estranhos aliados" -- Charles Dudley Warner

Na corrida aos recursos naturais, os estados muitas das vezes fazem acordos com regimes reprováveis - i.e. uma nação cujos líderes são autocráticos (ainda que se escondam por detrás da máscara democrática) e que não respeitam valores básicos tais como: liberdade de expressão, de associação, de religião; o direito à vida, à educação, à saúde e à segurança. Assim que os estados entrem nesse acordo, o seu sentido de ética e moral terá de ficar à porta, sem garantias de devolução.
Uma vez que as nações se vêem obrigadas a cumprir acordos, elas muitas vezes terão de fazer cálculos difíceis: se o aliado A fôr menos ameaçador que o associado B, então terão que acomodar B sob pena de este gerar caos no seu território e jogar contra os seus interesses. Ainda que este tipo de cálculo possa dar certo por um determinado período de tempo, não funcionará para sempre uma vez que as políticas de apaziguamento acabam sempre por resultar em conflito doméstico (seja através de querelas políticas ou desordem civil). E como é que fica o aliado A no meio disto tudo? A irá simplesmente entrar na jogada enquanto o status quo se encaixar nos seus interesses nacionais. Mas o que acontece quando esse status quo começa a entrar em conflito com os actuais interesses de A?

As nações venderão muitas vezes armamento aos abalisah. Vender armas a certos estados sabendo que estes irão colocá-las nas mãos de actores não-estatais, é visto como uma medida necessário por dois motivos:
1- Os governos, na ausência de uma forte indústria manufactureira, precisarão de estimular a indústria militar (que gera milhares de milhões de euros) afim de manter a sua economia à superficie.
2- os governos sentem que ao vender armas a esses países poderão incluí-los na sua esfera de influência e, deste modo, controlá-los melhor.
Mas o que acontece quando as armas vendidas são depois usadas contra o povo do próprio fornecedor?

Um actor não-estatal de índole menor poderá ser bastante útil. Quando as nações precisam de criar confusão em certos países ou quando necessitam de fazer guerra contra um némesis (para deste modo manter a margem de negação); elas recorrerão a actores não-estatais indisciplinados para que estes façam o trabalhinho sujo por eles. Mas o que acontece quando o monstro cresce descontroladamente e se vira contra eles?

Os líderes políticos dirão uma coisa em público e outra em privado. Não obstante, dizem os analistas que, as acções são mais importantes que as palavras - talvez, mas num mundo onde as percepções e a imagem são vitais, como é que as palavras não são um factor importante? Se um estado declara que A é um aliado crucial mas insiste em criticá-lo em público (ainda que a portas fechadas o apoie 90% das vezes), só irá endurecer a posição do associado B. Mais uma vez, esta estratégia só funcionará enquanto o aliado A estiver interessado em jogar a partida. Nada é para sempre, contudo.

Sim, a política cria os mais estranhos aliados, o que é compreensível. Todavia, a história mostrou-nos vezes sem conta que certas manobras podem ter resultados nefastos - especialmente quando os políticos não planeiam a sua estratégia como deve de ser, muitas vezes devido à necessidade de mostrar resultados rápidos.

"Os fiascos ocorrem quando os legisladores não têm a vontade nem o intelecto para ter em conta todos os futuros cenários possíveis." -- Rob de Wijk

Comentários


  1. Olá, Max!

    Em Portugal existe um ditado que diz "Quem se deita com crianças, amanhece molhado"

    Olha o desabafo do Primeiro Ministro Polaco.

    As prioridades de uns são um bico de obra para outros: que fazer?

    Bom trabalho e boa semana de trabalho, minha cara!

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    Respostas
    1. Olá Lenny,

      Realmente....
      Minha linda, obrigada pelo teu comentário.

      Beijocas

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