As Redes Sociais & Segurança Pessoal

Fonte: fredcavazza.net

As redes sociais podem ser um lugar fabuloso para grandes conversas e debates; para reunir informação, trabalhar, conhecer pessoas e relaxar. Contudo, e independentemente da natureza da utilização individual das redes sociais, deveríamos ter cuidado com o que ali se partilha porque nunca se sabe quem nos observa.

O Blog Bloke diz que o principal objectivo das redes sociais (RS) é permitir que as pessoas socializem; e embora eu esteja de acordo, pergunto-me se não seria melhor que os indivíduos socializassem online com pessoas com quem já tivessem tido um relacionamento prévio (seja pessoal, professional ou atráves da blogagem, por exemplo) porque por mais divertimento que as RS proporcionem, há que admitir elas também poderão ser um perigo - especialmente quando os utilizadores se expõem em excesso.

Olhar para as redes sociais sob o ponto de vista de segurança pessoal é vital.
Este artigo não deve ser visto como uma promoção à paranóia; mas sim como um conselho para as pessoas terem atenção com o tipo de "amigos/seguidores" que possam estar a ler as suas opiniões, sentimentos, hábitos (e.g. o que comem), a sua informação pessoal (e.g. aniversários, número de telefone, morada); que possam estar a ver as suas fotos (de si, das suas crianças, família, da casa, do carro, do bairro, local de trabalho etc) tudo com o intuito de traçar um perfil sólido delas e da sua família.

Há várias histórias de utilizadores das redes sociais que foram assaltados após terem partilhado online que à hora X iriam sair de casa, ir ao lugar Y e fazer Z. Há outros casos em que os utilizadores foram humilhados e perderam os seus empregos por causa do que postam online - uma vez que caem na psicologia do termo "Amigos", nunca tomam em consideração quem possa estar a acompanhar a sua actividade online e com que intenção.
O acima descrito é já por si assustador, contudo não tanto quanto o que iremos abordar a seguir: pedofilia e raptos.

Pedófilos à caça
Se tiverem filhos deveria ter muito cuidado quando coloca fotos deles online. Partilhá-las com a sua família é aceitável, porque os riscos são menores (e se alguma coisa acontecesse poder-se-ia reduzir a lista de suspeitos); contudo, partilhar imagens das suas crianças com um bando de estranhos (num ambiente não-controlado) é pedir problemas.
Os pedófilos surfam na net em busca de "crianças para amar". Eles enviarão convites para serem seus amigos, e acompanharão cada passo virtual que der; a partir do qual traçarão um perfil das crianças; seleccionando uma (de acordo com as necessidades da sua rede) e concentrando-se nele/nela. Depois, arranjarão maneira de roubar a vossa criança - e estes batedores pedófilos nem sequer precisam de viver perto de vós, ou mesmo no vosso país (dada a sua rede global, tudo o que têm de fazer é caçar online).

Raptos: um jogo de oportunidade
Pascal Michel, director dos serviços internacionais do Result Group, diz que "Os raptores utilizam as redes sociais e a Internet não só para seleccionar as suas vítimas e para efeitos de reconhecimento, mas também para fazer contacto com potenciais vítimas - geralmente através de engenharia social".
(NB: engenharia social = manipulação psicológica de indivíduos para os levar a divulgar informação pessoal ou confidencial)
Se vocês forem pessoas abastadas (ou que vivam confortavelmente), com um determinado estatuto social, então deveriam estar apreensivos com o modo como os vossos filhos e familiares utilizam as redes sociais; porque (ao contrário dos pedófilos que têm como alvo crianças de qualquer estrato social) os raptores tendem a atacar alvos como a vossa família e, para esse fim, eles navegam através das RS com o único objectivo de obter o máximo de informação possível.

"O rapto do filho do fundador de uma empresa, Evgeny Karpersky, na Rússia é um exemplo notável. Através do equivalente russo do Facebook, os raptores reuniram informação sobre a vítima - tal como a sua foto actual, a sua morada e detalhes de onde ele estava a completar o seu estágio. Este método minimizou a necessidade de levar a cabo uma vigilância física e arriscada." (Pascal Michel)

As pessoas não deveriam facilitar a vida aos criminosos (i.e. raptar os seus familiares, assaltar a sua casa etc). Elas dever-se-iam lembrar sempre que os malfeitores hodiernos utilizam todos os detalhes por elas providenciados para as atacar; logo, a quantidade de informação pessoal que é partilhadas nas RS deveria ser controlada.
Salvaguardar a sua segurança, e a da sua família, é crucial.


Comentários

  1. Oi, Max!
    A maioria das pessoas pensam que com elas não acontecerá nada mesmo que tenha muitos exemplos de crimes cibernéticos acontecendo. De todas as facilitações que damos aos criminosos, expor a vida de um filho, quando ele ainda não tem autoridade para permitir que isso aconteça é ato inconsequente. Um pai pode achar que não tem nada demais postar fotos dos pequenos, afinal, sua rede social é exclusiva para "amigos", mas esses amigos podem compartilhar... Se não for vítima de um pedófilo, sequestrador, talvez no futuro, esse filho poderá ser vítima de bullying.
    O que se passa na cabeça dos criminosos, apenas imaginamos. Aqui no Brasil, até mesmo Zuckerberg afirmou que usamos a rede social de modo diferente. É muito ego e pouco social :D e isso é bem perigoso!
    Beijus,

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    1. Também concordo com a Luma! Nós brasileiros, "achamos" que as coisas só acontecem com os outros e acabamos sempre nos dando mal.

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    2. Oi Luma :D!

      É verdade. Essa é uma atitude bastante lusófona: o mal só acontece aos outros.
      Expôr a vida das crianças é do pior, quanto a mim - estou a tentar perceber o que está por detrás de tal comportamento. Boa, vítima de bullying, sim; porque se o pai tem esse comportamento (de se expôr ao mundo) o filho também irá seguir o exemplo e fazer o mesmo, sem pensar nos bullies que por aí andam. Enfim!
      É um perigo só.

      Luma, minha linda, obrigada pelo teu super comentário :D.

      Beijosss

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    3. Oi Cidão :D!

      É, as pessoas são assim...
      Obrigada pelo teu comentário :D.

      Um abração

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