Portugal e a (in)Segurança Social: Mas que Diabo...?

Sopa dos Pobres - Fedinand Georg Waldmüller

Durante o meu zapping semanal, a  minha atenção recaiu sobre a RTP Informação que reportava uma Segurança Social deslocada da realidade já que, na sua busca pelo concerto e equilíbrio financeiro, aquele departamento estatal está a agir de um modo ultrajante (i.e. direccionando a sua mão de ferro sobre os mais vulneráveis).

Ora, o abc da conduta moral ensina-nos que qualquer comunidade que se preze deve proteger as viúvas, os orfãos, os velhos e os deficientes. Pois bem, estes são precisamente o alvo da (in)Segurança Social.
A notícia focou-se em dois casos impensáveis: um miúdo que sofre de um tipo raro de paralisia cerebral – menos de uma vintena no mundo inteiro – viu o seu subsídio descontinuado pela dita SS; o segundo deficiente cujos pais auferem €600 mensais – só renda de casa dispendem €400 – através da SS conheceram o preço da sua insignificância.

Enquanto assistia à reportagem, de imediato, pensei que só um burocrata da oposição, imbuído pelo espírito de excesso de zelo, poderia chegar a um extremo tão macabro para psicologicamente agravar ainda mais esta travessia do programa de recuperação. Contudo, estava esperançada de que o ministério da tutela fosse emitir um comunicado a assegurar aos pais daquelas crianças, e ao povo em geral, de que ir-se-ia dar início a um inquérito para apurar tamanha insensibilidade. Pois bem – espantem-se – os agentes  governamentais não só se remeteram ao silêncio como assinalaram àquelas duas famílias de que não eram mais do que os detritos sólidos de uma ETAR.

Eu sei quem são os culpados desta putrefacção moral – todos nós. Todos sem excepção:

  1. Os portugueses gostam de ser comprados. Somos um povo corrupto que acha correcto usufruir de um subsídio que faz mais falta a outrém; somos uma sociedade dependente e carente, a ponto de encarregarmos o Estado para que seja o único supridor das nossas necessidades. Somos uns cobardolas na medida em que vimos dois governos socialistas – o eng. Guterres e depois o eng. Sócrates – dilapidar os cofres do país devido a um estado social descontrolado, e nada fizemos ou dissemos; antes pelo contrário.
  2. O Tribunal de Contas esteve de  licença graciosa.
  3. Os partidos políticos e os senhores parlamentares pensaram: deixa cair porque talvez seja a chance do meu grupo ocupar S. Bento.
  4. O Tribunal Constitucional (TC) cujos membros estão ali para defender o seu (porque a este governo não lhe é concedida margem para manobra – explicitamente temporária – para equitativamente solucionar a crise).
  5. O Governo; devido ao compromisso com a Tróika, aos vários “não” do TC, à falta de ideias por parte da oposição, ao desemprego crónico por causa dos problemas causados pela dívida soberana e ao plano de ataque escolhido para a resolução da crise; parece ter criado uma dissonância cognitiva, daí o finca pé na sua estratégia (tal qual um broker que não concebe desviar-se um milímetro do seu padrão de actuação, sujeitando-se a lixar a carteira dos Títulos).
  6. A Procuradoria Geral da República que não processa os políticos por negligência e, aos juízes por inacção.

Pergunto que género de povo somos nós cuja falta de imaginação, e criatividade, para solucionar problemas nos leva a atacar os mais vulneráveis?
Eu sei que essas pessoas não votam, mas será que não se qualificam como filhos de Portugal?
Quantas pessoas andam por aí a receber subsídios podendo trabalhar?
Que seria do Prof. Stephen Hawking (ALS doença degenerativa) se o seu país não tivesse investido nele?
Que teria sido do artista plástico, e escritor, irlandês Christy Brown cuja deficiência (paralisia cerebral) o obrigou a escrever livros com o seu pé esquerdo, se o seu governo o tivesse desprezado?

Por não termos a coragem de exigirmos mais daqueles em quem votamos, e porque não nos conseguimos desligar dos partidos políticos obsoletos, merecemos todos os incompetentes que nos têm governado. E infelizmente cheguei à triste conclusão de que os nossos governantes, por não defenderem os mais vulneráveis, todos eles são uns grandes filhos de uma cabra mocha...

Até para a semana!

Comentários

  1. O governo português continua a demonstrar uma incapacidade de comunicar com o povo. Ah, espera...se calhar fazê-lo é fascista? Ridiculo!
    Insegurança social é o que espera Portugal, logo este deve preparar-se para o pior e as comunidades é que têm de se organizar! O estado social está morrer!
    Bom fim-de-semana, Lenny.

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    1. Olá, Carla!

      O povo só serve para votar: depois admiram-se - ou nem por isso - quando no dia das eleições as pessoas preferem ir passear do que ir cumprir o dever e direito cívico.

      As pessoas devem organizar-se de tal modo que: o político mediano se sinta irrelevante. O parlamento só admitir gente honrada que, esteja disposta a lutar pelo bem comum, sem floreados e sem retórica barata.

      Eu diria que o estado social (compra votos) desgraçou este país e espero que o povo português saiba o que quer: ser mendingo ou trabalhador incansável?

      Boa semana de trabalho, amiga!

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  2. Olá Lenny,

    SS? LOL Essa foi muito boa. Aliás, o texto está muito bem composto, cheio de mensagens interessantes.
    Com que então o governo anda a retirar subsídios a pessoas com deficiências? Não foi para isto que o elegemos. Gostaria de saber quantas pessoas andam a receber subsídio de eterna reinserção social quando poderiam estar a trabalhar (mesmo que fosse a fazer trabalhos ditos menores)?

    Pessoas com deficiência, velhinhos, e crianças é que devem ser amparadas pelo estado; não os da classe média trabalhadora que recebe subsídio até para colocar os filhos em escolas privadas...
    E o partido socialista: o que está a dizer destes casos reportados pela RTP?

    Bom trabalho, como sempre. Keep it up!

    Beijocas

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    1. Olá, Max!

      Só me apetece ir ao parlamento despejar um camião de detritos sólidos: if you know what I mean...

      Cobardia do ministro da tutela; e é suposto essa malta ser humanista: metem-me nojo.

      O partido socialista anda por aí a fazer figura de urso esfomeado.

      Boa semana de trabalho, bella mia!

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  3. Lenny, não poderia concordar mais, somos todos responsáveis pela putrefacção generalizada em portugal! Então cabe lá na cabeça sucessivos governos andarem a cometer tantos erros com a segurança nacional? Olhe, é insegurança nacional mesmo! Mas fiz aquela pergunta porque já há uns anos o governo de durão barroso andou a fazer uns cortes estranhos ou formulas esquisitas que se o rendimento de um casal passasse dos limites 1 cêntimo os coitados com 3 filhos perdiam a assistência do estado, quando o salário de um deles cobria a renda somente. É uma vergonha! Onde está a caridade?
    E nem falemos do senhor sócrates que andou a fechar escolas e hospitais sem tomar em consideração os utentes e o incómodo de ter que ir a espanha tratar-se por ficar mais perto do que um hospital na sua terra, mas o que é isto? O que é que andamos aqui a fazer?
    Olhe, Lenny, pronto, vou-me preparar para ir à missa das sete. Oremos, irmãos!

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    1. Olá, Maria Joaquina!

      Não me diga nada!

      Quando não sabem o que fazer agem tal qual um patrão estúpido, sem nenhuma criatividade, cuja mente só conhece a lei do menor esforço: despedir trabalhadores, cortar não sei o quê, fechar isto e aquilo, e enterrar ainda mais os desprotegidos; é um fartote de incompetência.

      Eu estava convencida que, o propósito de tirar um curso universitário, era para ajudar as pessoas a pensar, pesar, repensar e agir: essa gente é um logro!

      O que andamos aqui a fazer? Esses tipos andam a gozar com isto tudo; porque sabem que sairão impunes desta negligência política; Ok?

      Reze por Portugal: o "oásis que Maria escolheu para solar"!

      Boa semana de trabalho, querida!

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  4. Filhos da Pu...licia! Mas o pessoal está louco? E onde está a oposição a gritar por este injustiça? Não é causa suficiente para eles não é? Vergonhoso!
    Filhos de uma cabra mocha é pouco, lenny...

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    1. Hey, you!

      O Seguro anda a fingir que ele e os seus comparsas do parlamento nada têm a ver com o fosso salarial entre homens e mulheres em Portugal.

      O Seguro está a prometer às damas que solucionará o problema "igual salário para trabalho igual, mas só se elas lhe derem o seu voto; porque o PS não teve a chance de regulamentar sobre esta injustiça, visto não ter estado no poder há mais de vinte anos: tu t'imagine!

      Sabes bem que eu poderia chamar-lhes "wankers" e coisas que tais, mas a Max não quer ver as cabecinhas dos moços chacoalhadas; topas?

      Boa semana de trabalho, chouchou!

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