Manuel Forjaz e Eu: Serviço Público e a Economia

Manuel Forjaz na TVI24 (fonte: Google Images)

Quarta-feira à noite, na TVI24, no programa “28 Minutos e 7 Segundos de Vida” (para assistir, cliquem aqui), descobri o professor Manuel Forjaz, um conterrâneo meu – moçambicano – que estava dissertando sobre a educação em Portugal, e o seu impacto na economia portuguesa. Fiquei maravilhada por descobrir que eu afinal não estava desvairada; pois há quem esteja na mesma linha de pensamento do que eu.

Tenho dois filhos que por mim foram ensinados a questionar tudo e todos, inclusivé a minha pessoa; e por causa deste pequeno detalhe quando chegou o momento de irem para a universidade, a mais velha disse-me que não frequentaria o ensino superior luso porque não estava para lamber as botas dos professores; e o mais novo que concluiu o ensino secundário com média de 18 valores, terminou o curso universitário com média de 12 valores. Indaguei o facto, ao qual ele retorquiu dizendo-me que não estava para pedir batatinhas  nem tão pouco fazer amizades com os professores.

Ao ouvir o professor Manuel Forjaz explanar o modo como a maioria dos professores avalia os seus alunos em Portugal, fez-se luz em mim uma vez que as minhas suspeitas foram confirmadas: a esses professores é-lhes extremamente difícil apreender a noção de que o exercício da sua profissão seja um dos factores primordiais no contributo para o desenvolvimento económico deste país; falta-lhes o propósito na sua missão; não se sentem o mestre, cujo papel consiste em moldar o entendimento para a busca do conhecimento. Ao valorizarem os alunos que decoram manuais, em vez daqueles que gostam de ir além do que foi cuspido nas aulas, os ditos professores revelam uma preguiça mental e dedutiva clamorosas.
Que será deste tipo de professor, quando no futuro – bem próximo – os alunos no conforto da sua casa puderem fazer na íntegra cursos superiores através da internet?
Pelo que tenho visto no coursera.org, as formações oferecidas pelas universidades europeias e americanas (entre outras), são um balão de ensaio para o futuro e a mim parecem-me:  “pão pão, queijo queijo”; pensem nisto...

A outra profissão que merece ser revista é a dos assistentes sociais, porque os de Portugal são tão medíocres quanto os de Inglaterra.
Ora se um assistente social é suposto ser um facilitador entre os sofredores e as instituições que superintendem o auxilio aos necessitados, qual é a razão pela qual é difícil chegar a um assistente social em Portugal?
Uma amiga da minha prima recebe um subsídio da Sta Casa da Misericórdia, aparentemente esta instituição está aflita – quebra da receita nos jogos de azar? – pois os cheques estão atrasados. A pobre senhora que se serve desse suplemento para suprir as despesas mensais, quando tenta falar com a assistente social que lhe foi atribuida, aquela não só não a recebe, como ainda manda recados pela recepcionista.

Nos Estados Unidos da América, os assistentes sociais lutam pelas pessoas que estão a seu cargo: significa isto que são mais competentes e que o conceito da compaixão está mais enraízado nos americanos?
Não me atreverei a duvidar daqueles agentes do bem, mas penso que o facto de se poder processar a Câmara Municipal e o departamento da tutela por qualquer acto de negligência por parte dos assistentes sociais é um bom dissuasor: logo, deveriamos exigir que os deputados legislassem sobre esta matéria porque gente deprimida num ápice transforma-se num encargo desnecessário para o SNS.

Senhor professor Manuel Forjaz, embora o José Alberto de Carvalho tenha passado o programa inteiro a emitir um som esquisito – não sei se estaria com alguma dor – e eu não seja particularmente uma fã da TVI, na próxima quarta-feira lá estarei para o ouvir.

Até para a semana!


Comentários

  1. Olá Lenny,

    Obrigada por teres partilhado o video do programa: não conhecia este conterrâneo e fico muito feliz por saber que Moçambique contribuiu com gente fantástica - Portugal dever-se-ia concentrar mais nessas pessoas do que nas nascidas em Angola. Dinheiro é bom mas esse vai e vem; já as mentes brilhantes e aquilo que podem transmitir ao país é duradouro - eventualmente também produzirão riqueza sustentável..

    Quanto à educação em Portugal, bem eu tive a sorte de professores fantásticos durante 12 anos; mas após ter visto a batalha de muitos amigos nas universidade portuguesas, eu também optei por estudar num sistema universitário estrangeiro onde se dá valor ao raciocínio, à criatividade mental e não à memória (como disse o Prof. Forjaz). Eu gosto de pensar, moldar novos pensamentos, de me questionar, de me refutar a mim própria e aos outros quando necessário, de discutir novas ideias etc...e se Portugal não me permitia isso, fui para onde pudesse fazê-lo, com a nota merecida (e não a que o professor acha que eu mereço somente porque não quer fazer um esforço para compreender a minha linha de pensamento).

    Não sei nada das assistentes sociais portuguesas, mas as inglesas muitas das vezes deixam muito a desejar: vejamos os diversos casos de crianças negligenciadas, e in extremis mortas, tais como os do Baby P. É uma vergonha.

    Lenny, muito bom trabalho e fiquei feliz por saber que em Portugal há mais gente que partilha a nossa visão para Portugal. Só é preciso que lhes dêem voz.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Das assistentes sociais, dizem-me que antigamente, as da Sta. Casa da Misericórdia tinham mais compaixão, respeito e recebiam as pessoas com um sorriso nos lábios. Porém a partir de 2012 quando entraram para lá as novas doutoras, o caso mudou de figura: diz a Mariazinha.

      Eu disse-lhe que essas mulheres não eram doutoras mas sim umas incultas e desconhecedoras do papel que o seu estatuto lhes confere; disse-lhe ainda que elas sofriam do síndrome de celebridade com um grau de labreguice.

      Ela ficou a olhar para mim, e deve ter pensado que eu estava taralhoca: imagina só!

      Quanto a Portugal tenho esperança que em 20 anos, as mentalidades estejam transformadas.

      Bjcas e bom fim de semana!

      Eliminar
  2. Por acaso vejo este programa e acho-o super interessante. Gosto imenso de ouvir o Manel Forjaz e aprecio o modo como ele pensa e vê portugal; de facto fez-me lembrar a Lenny em muitos aspectos. Moçambique parece criar pessoas fascinantes! Parabéns.
    A nossa educação precisa de um abanão, mas quando temos professores chocados por terem de fazer testes simples, quer dizer, está tudo dito. Um abraço, JP

    ResponderEliminar

  3. Olá, João Pedro!

    Moçambique é o berço da boa gente - tenham ou não nascido em Inhambane - basta por lá passar as pessoas ficam transformadas: João Maria Tudela, Maluda, os Cavaco e Silva, dr. Almeida Santos, Olavo Bilac, Paulo Gonzo, o professor Manuel Forjaz etc....

    Guardei o teste que foi feito aos professores, para no verão testar a minha primita de 12 anos que vive no Reino Unido: tenho a certeza que vou partir o côcô a rir ;)

    JP tenha um bom fim de semana!

    ResponderEliminar
  4. Ai o manuel forjaz é um ser humano fabuloso! Rezo por ele para que vença o cancro e continue a iluminar portugal com a sua sabedoria de vida. Também gosto imenso do programa dele e amanhã à noite lá estarei eu.
    Quando à nossa educação, olhe Lenny, já desisti, já desisti porque não vale a pena! E culpo tanto os professores como os papás dessas lindas crianças que hoje em dia falam mal português e mal sabem construir uma frase! É uma vergonha!

    ResponderEliminar
    Respostas

    1. Olá, Maria Joaquina!

      Espero que as suas preces sejam atendidas para que, o professor realize todos so seus sonhos.

      Os alunos falam mal o português devido a dois acordos ortográficos desnecessários, num curto espaço de tempo-

      Por obséquio, rogo-lhe que não desista: haja esperança, amiga!

      Estimei vê-la por estas banda.

      Eliminar
  5. Não conhecia o manuel forjaz mas fico feliz por saber que há mais gente a partilhar a tua opinião, Lenny :-)
    Portugal só tem a beneficiar com os moçambicanos ;-).

    ResponderEliminar
    Respostas

    1. Olá, Celeste!

      O Manuel Forjaz parece-me ser uma pessoa linda :-)

      Os Moçambicanos são pessoas sui generis: deve ser por causa do Índico...

      Ciao

      Eliminar
  6. Olá meus amores! Não conhecia Manuel Forjaz mas concordo com ele no que toca à educação. E olha, Lenny, o teu primogénito é que soube das coisas, fez bem!
    Amanhã vou ao site da TVI24 para ver o programa...obrigada pela introdução a esta mente brilhante.

    ResponderEliminar

  7. Hey, sweetie!

    Já agora, vê também o programa da passada Quarta-feira dia 26: foi o fim do mundo em cuecas.

    Bjcas

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

O Etnias aprecia toda a sorte de comentários, já que aqui se defende a liberdade de expressão; contudo, reservamo-nos o direito de apagar Comentos de Trolls; comentários difamatórios e ofensivos (e.g. racistas e anti-Semitas) mais aqueles que contenham asneiras em excesso. Este blog não considera que a vulgaridade esteja protegida pelo direito à liberdade de expressão. Um abraço