Síria: A Indesejada Alternativa Política

Bandeira Síria (Escurecida)
"Quando o presidente Bashar al-Assad fôr ou deposto ou aconselhado a abandonar o seu posto; não se sabe bem quem irá deter o poder e servir os interesses do povo sírio. Também não se sabe bem se a democracia - a demanda inicial dos manifestantes sírios - será o próximo sistema político no país." (Cristina Caravaggio Giancchini in The Crisis in Syria & Possible Outcome)

A palavras acima citadas foram escritas em Fevereiro. Já se passaram 10 meses e Bashar al-Assad ainda não foi deposto nem seguiu o conselho de se retirar. Contudo, ao olhar para a situação actual, sou obrigada a admitir que, em termos de segurança mundial, tem sido conveniente mantê-lo no "poder" (apesar do seu comportamento inaceitável para com o seu próprio povo) já que as forças da oposição "oficiais" não foram capazes de consolidar a sua posição e, a sua fraqueza permitiu que Islamistas Radicais tomassem de assalto a luta síria pela democracia.

Melhor lidar com o diabo que conhecemos do que  com o Iblis que não queremos conhecer...
O ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante, uma filial da Al-Qaeda) e o al-Nusra apoderaram-se do Norte da Síria onde impuseram a Lei da Shari'a. No "seu território" fazem prisioneiros (suspeitos de serem ou leais a al-Assad ou Kuffar) a quem torturam e, se necessário, decapitam em público.

Num artigo, escrito por Lina Sinjab, um pai de quatro filhos (Mohammed) descreve como foi preso pelo ISIS sob a acusação de ter formado um "Sahwa contra o governo". Ao chegar à base daqueles, ele (para além de outros prisioneiros) foi chicoteados 70 vezes por dia, durante 33 dias seguidos, antes de ser libertado (dois dos seus irmãos morreram na cadeia).
Mohammed, num total desapontamento, reconhece que o seu país foi ocupado por estrangeiros que desejam impôr a sua ideologia religiosa aos sírios; contudo, ele dá forma a uma teoria da conspiração interessante - ele acredita que os jihadistas estão a trabalhar para o governo para "minar a rebelião":

"[Em Raqqa], eles ocuparam a casa do governador e outros edíficios do antigo partido Baath. Mas quando a cidade se vê alvo de bombardeamentos, somente as escolas, hospitais e áreas residenciais são atingidas, nunca os locais ocupados pelo ISIS,"

Embora seja uma teoria interessante (uma vez que já sugerimos que Xiitas e Sunitas cooperam uns com os outros para atingirem objectivos comuns e, porque os grupos Jihadistas parecem estar a fazer um favor a al-Assad ao lutar contra o FSA, a facção rebelde apoiada pelo Ocidente), poder-se-ia dizer que Mohammed esteja na direcção correcta ainda que aponte o dedo ao governo errado.

O Irão tem estado a travar batalhas proxy no Iraque (através dos Asa’ib Ahl al-Haq), na Síria (através das forças de al-Assad e do hezbollah) e em Gaza (através do Hamas e da Jihad Islâmica).
A Arábia Saudita tem estado a travar batalhas nos Iraque (através do Estado Islâmico do Iraque e do Levante [ISIS]), na Síria (através do Al-Nusra e do ISIS) e na "Palestina" (através de vários grupos terroristas locais).
Estes países têm estado a lutar um contra o outro à custa da população das nações sobre as quais exercem a sua influência; logo, quando Mohammed diz que o ISIS está a ser protegido por um governo, ele deveria olhar na direcção da Arábia Saudita, ainda que os Jihadistas (por ora) estejam a prestar um serviço a al-Assad - daí as posições ocupadas pelo ISIS não serem atingidas pelas suas forças.

Estamos em Dezembro: permanece a incerteza de que a democracia vá ser o próximo sistema político na Síria, ou que os interesses do povo sírio irão alguma vez ser protegidos; especialmente quando grupos Jihadistas parecem almejar substituir al-Assad. Se aos Islamo-Fascistas lhes fôr permitido possuir o Levante, eles poderão pensar que só o céu será o limite.

Por falta de alternativas desejáveis (e porque a oposição apoiada pelo ocidente parece ser o elo mais fraco no conflito), parece ser mais conveniente, por ora, manter o Status Quo...

Comentários

  1. Nem sei o que pensar disto tudo. Por um lado, tenho pena dos milhões de deslocados e refugiados sírios; mas por outro não posso deixar de pensar que seria bem pior se se permitisse que os tais jihadistas tomassem o país de assalto! Já convencidos que têm um território estão eles, agora imaginem se eles agarrassem o país inteiro! Lamento imenso mas temos de cuidar do resto do mundo. Já basta o que está a acontecer na republica centroafricana...muçulmanos a matarem cristãos e nós impávidos por demasiado tempo!

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    1. Olá Carla :D!

      Concordo consigo. Seria bem pior se se permitisse que os jihadistas chegassem ao poder.
      Tem razão...

      Carla, muito obrigada pelo seu super comentário :D.

      Um abraço

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  2. Mas estas é que são as opções para a síria? Ó desgraçados! Temos de rezar, Max, pois a situação por lá está preta!

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    1. Olá Maria Joaquina :D!

      Parecem ser estas as poucas opções - e a coisa não está com melhor cara hoje, não.
      Rezaremos, sim.

      Maria, muito obrigada pelo seu comentário :D.

      Um grande abraço

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