Maxiavelli: Eu Capitulo, Último Post



Eu capitulo: a Política é um jogo sujo
Há anos que oiço as pessoas dizerem que a política é suja e, sempre respondi que a política não era suja, a maioria dos políticos é que era. Mas hoje rendo-me: a política é suja - quero dizer, a arte da governação per se não o é; mas as actividades nas quais os políticos (e governos) se envolvem são.

A maioria dos políticos é amoral; e porque assim o é, o mundo está no belo estado em que se encontra. Por exemplo, após as duas grandes guerras mundiais o Ocidente resolveu que ainda não se havia fartado de conflitos (independentemente das razões por detrás das suas decisões) e, assim, decidiu brincar com a terra, história, tradições e identidade das pessoas. Resultado, os Curdos perderam a sua terra; os Judeus perderam quase 80% da sua território histórico; os Indianos perderam o Paquistão e o Bangladesh...e o mundo não ficou melhor por isso, pelo contrário.
Bem, claro está que as nações envolvidas no xadrês político nunca admitiram os seus erros e como o mundo confiava neles para os guiarem, eles simplesmente continuaram a jogar com a vida das pessoas em África, na América-Latina, na Ásia...
Já vos vejo, caros leitores, a pensarem "Nós bem que te dissemos, Maxiavelli!"...sim, sim, sim...disseram-me. Mas eu sou uma politicoólica.

Já permitimos que políticos brincassem por demasiado tempo. Basta.
A política já chafurdou na lama oleosa por demasiado tempo. Precisa de um banho.
Os pais passam metade do seu tempo a ensinar às suas crianças que elas devem sempre preferir a verdade; que se precisarem de manipular devem fazê-lo com honra; que a Luz é sempre melhor que as Trevas (ainda que às vezes possamos ter de caminhar no Vale da Sombra). Contudo, os seus esforços são em vão quando os políticos os desautorizam ao ensinar as crianças, através do seu comportamento, que mentir é a única maneira de vencer; que a honra é demodée e que as Trevas são o caminho certo.

Eu capitulo: o Irão não está pronto para mudar
A ofensiva de charme iraniana não me impressionou. A retórica moderada do Presidente Rouhani não me inspirou confiança. O acordo assinado entre o Irão e o Ocidente é somente uma forma de entreter os EUA, a França, a Britânia e a Alemanha enquanto o programa nuclear prossegue (sob uma forma diversa). Não obstante, acreditei que pudéssemos trabalhar com o Irão dado o seu pragmatismo frio (uma característica com a qual me identifico); mas, depois de ter observado o regime revolucionário persa, rendo-me porque estava errada: o Irão não é nem frio nem pragmático - vá, Supremo Líder, chame-me de "cão raivoso, sujo, sem princípios" se assim o desejar; mas saiba que as suas palavras constituem prova do seu medo político...

O Irão não está preparado para mudar - e não falo do facto do Ayatollah Khamenei ter sentido ser sábio instruir os seus negociadores para dizerem ao Ocidente que o Irão não pretende desviar-se "um milímetro" que seja no que toca aos seus direitos nucleares (à medida que escrevo estas palavras sorrio perante a previsibilidade e confissão pública iranianas). O Irão não está preparado para mudar porque ao mesmo tempo que stressa a existência de uma divisão entre os Sunitas e Xiitas, trabalha com Sunitas para desestabilizar a segurança mundial. A Guarda Revolucionária do Irão é conhecida, em alguns círculos, por financiar elementos Sunitas (incluíndo membros de vários Grupos Terroristas Palestinianos) para atacarem alvos Ocidentais e Israelitas à volta do mundo.
Por isso, rendo-me: não podemos trabalhar com o Irão. E como não o podemos fazer, não deveríamos permitir que tivessem armas nucleares; sob pena de fornecerem o Hezbollah, o Hamas, o Movimento Islâmico da Nigéria (e a Al-Qaeda se os iranianos decidirem expandir as suas estratégias de política externas) com material nuclear para levarem a cabo ataques terroristas contra os mesmos que estão a dar, ao Irão, preeminência numa bandeja de prata.
Proficiência na arte da desinformação é diplomaticamente desejável. Proficiência na arte da dissimulação é digno de um burlão.

E com esta capitulação, Maxiavelli despede-se. Este post é o último da série: muito obrigada a todos os que seguiram atentamente os meus pensamentos maquiavélicos.

Antes de vos deixar, gostaria de desejar חנוכה שמח (Feliz Hanuká) ao Povo Judaico à volta do globo; e um Feliz Thanksgiving ao Povo Americano.

Comentários


  1. Olá, Max!

    Os políticos sofrem do complexo de deus; quando querem sentar o rabo nos parlamentos, eles gritam pela democracia e enchem a boca para pronunciar a palavra povo; quando chega a hora de tomar decisões que possam vir a afectar milhões de pessoas, fecham-se em copas e toca a lixar meio mundo.

    Quanto ao Irão, é como se diz por aí: enquanto o pau vai e vem folgam as costas ou será...no lamaçal da política, quem tem jogo de cintura come pelas beiradas.

    Pois bem, os Persas vão receber sete biliões e irão concerteza investir no programa nuclear da Coreia do Norte e depois adquirirão as armas aos coreanos.

    Olha pá, espero, sinceramente, ver-te com um novo segmento, o mais rápido possível

    Bjcas

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    1. Olá Lenny :D!

      Infelizmente descreveste bem a maioria dos políticos - fui obrigada a reconhecê-lo.
      LOL bem dito, fadista!

      Concordo em absoluto contigo: a Coreia do Norte faz parte do plano iraniano com a conivência chinesa.

      Vamos ver o que o futuro nos traz...we never know :D.

      Lenny, muito obrigada pelo teu super comentário. Amei :D.

      Beijocas

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  2. O título engana bem...apanhei cá um susto! hahaha ;-)

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    1. Olá Ana :D!

      Engana, não engana? Sabes bem que nunca te faria isso ;)...

      Beijinhos

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  3. Credo! Pensei mesmo que fosse deixar de escrever, Max! Mas ainda bem que compreendi mal porque gosto imenso do seu trabalho, do seu e do da Lenny!
    A política sempre foi e sempre será um jogo sujo mas precisamos deles, não é? Só espero que melhores gerações de políticos venham na nossa direcção...olhe, precisávamos de um Obama!

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    1. Olá Carla :D!

      Não, não vou deixar de escrever - ainda há muito para dizer lol. Fico feliz por gostar do nosso trabalho; e certamente a Lenny concordará comigo.

      Pois é; mas para isso é preciso que Portugal dê oportunidade aos seus negros e mulatos...

      Carla, muito obrigada pelo seu comentário e apoio :D.

      Um abraço

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