Os Mujahideen Indianos & a Ameaça do Wahhabismo


É tido e sabido que o Paquistão molda a sua estragégia militar e de segurança nacional de acordo com o seu estado de humor em relação à Índia. Na minha incessante busca de compreender o comportamento obsessivo do Paquistão em relação à Índia, recebi informação que me apresentou a um grupo terrorista - Mujahideen Indianos (MI, que operam dentro do território indiano) - e a alguns factos interessantes.

"O objectivo confesso dos MI é 'libertar a Índia' da influência da cultura materialista ocidental e convertê-la numa sociedade Islâmica." - Rohit Singh in Understanding the Indian Mujahideen)

[NB: o objectivo de purgar a nação da influência ocidental é o mesmo da Al-Qaeda (e afiliados); da Rede Haqqani; do Jemaah Islamiyah; do Boko Haram; do Hamas etc]

O grupo Mujahideen Indianos é um ramo do SIMI (fundado no dia 15 de Abril de 1977 por Mohammed Ahmedullah Siddiqi) e, a sua criação serviu para indianizar a Jihad contra a Índia - através dos MI, o Paquistão pode desestabilizar o seu vizinho, por dentro, sempre que o ISI e os militares quiserem.
Para que pudessem implementar os seus planos, era imperativo treinar os membros dos MI no Paquistão, onde 200 dos seus elementos foram treinados na arte de montar armas e explosivos; e, indoutrinados de forma a acreditarem que são vítimas dos Hindús e do Estado Indiano. Após terem saído do Paquistão, eles receberam "ordens dos seus mestres para disseminar tendências jihadistas na Índia, através de militantes domésticos; financiados, apoiados e calibrados pelo outro lado da fronteira" (idem).

Os MI levaram a cabo vários ataques terroristas na Índia (ver a lista aqui) e estiveram envolvidos no ataque terrorista de Mumbai em 2008 - tendo prestado assistência ao LeT (Lashkar-e-Tayyiba). Ao estudar o seu envolvimento no mencionado ataque, não pude deixar de reparar a semelhança entre o modus operandi dos MI e a AQ (por exemplo): membros da célula visitam as proximidades do alvo pretendido, para inspeccionar a área antes da (geralmente celebratória) data de ataque; preparar intel, armas, munições e casas/apartamentos de segurança.

Os Mujahideen Indianos seguem o Wahhabismo (i.e. fundamentalismo Islâmico; sinónimo de Salafismo). Todos os membros do grupo MI, segundo relatórios, receberam educação em madrassas (i.e. as Escolas Deobandi Wahhabistas) financiadas pela Arábia Saudita - um reino conhecido por espalhar os Wahhabismo, não só na Índia como também, pelo mundo inteiro.
Apesar do elemento qualificativo "Indianos" no título do grupo, os Mujahideen Indianos não são leais à Índia mas, sim, ao Islão porque foram ensinados que:
1. A primeira lealdade de um muçulmano é para com a sua religião e só depois para com o seu país.
2. Os muçulmanos só devem reconhecer as fronteiras religiosas da Ummah e não a fronteiras nacionais.
3. Um muçulmano tem o direito sagrado, e a obrigação, de ir para qualquer país para travar uma jihad afim de proteger os muçulmanos desses país.

Se olharmos bem para a coisa, verificaremos que os MI não são diferentes da AQ, da AQPA, da AQMI, do Al-Nusra, dos Taliban, dos LeT, dos JeM, do Hamas e de outros grupos Jihadistas Radicais. Todas estas subsidiárias partilham o mesmo objectivo (o Estabelecimento do Califado Global) sob os mesmos patrocinadores e facilitadores; que, curiosamente, são os mesmos que o ocidente tem vindo a apaparicar há décadas, apesar dos muitos relatórios produzidos acerca deles (ver exemplo).

Estamos habituados a olhar para o Irão como um Estado-Patrocinador de terrorismo; contudo, está mais que na hora de o globo olhar para a Árabia Saudita da mesma forma (a única diferença é que o primeiro não constitui um dilema político tão grande quanto o segundo).
E quando pensamos nestes dois países, temos de pensar na Índia que compra petróleo aos dois (ainda que tenha diminuído significativamente as trocas comerciais com o Irão devido às sanções impostas pelo ocidente), o que a coloca bem no centro de um dilema: como dizer a esse país, de cujo petróleo se depende, que ele é culpado de transtornar a sua casa e de pôr os seus cidadãos em perigo? Por outro lado, como explicar aos seu povo que afim de desenvolver o país as suas cabeças têm de ser postas no cepo?
A Índia precisa de apressar a sua independência energética, também como parte integrante da sua estratégia de segurança nacional.

Portanto, qual seria a via política mais segura de modo a mitigar o problema? A Índia, e outros na sua situação, teriam que começar a enviar as mensagens apropriadas aos seus inimigos (mais directos) e perturbadores - como demonstração de força e poder; sob pena de serem vistos como impotentes.

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