República Central Africana: A Investida Islamista



No dia 24 de Março de 2013, a República Central Africana (RCA) testemunhou mais um golpe de estado. O presidente François Bozizé (que primeiro chegou ao poder através de um golpe) foi deposto por Michel Djotodia, o líder do Séléka (uma coligação de grupos rebeldes).
A RCA é um país bastante atractivo para muitos actores políticos devido à sua riqueza natural: minerais, urânio, petróleo, ouro, diamantes, madeira e terra arável. A sua composição religiosa é a seguinte: 50% cristã, 35% animista e 15% muçulmana.

Neste artigo introdutivo, acerca da RCA, iremos abordar o grupo rebelde - agora no poder - e a sua provável intenção.
O Séléka é principalmente composto pela Frente Democrática do Povo Central Africano (FDPC), pela Convenção dos Patriotas para a Justiça e Paz (CPJP), pela Convenção Patriótica para a Salvação do País (CPSK) e pela União das Forças Democráticas para a Reunificação (UFDR, apoiado pelo Sudão). Ir-nos-emos concentrar neste último porque este foi o grupo que deu início à Guerra Civil da RCA, em 2004; o que eventualmente conduziu à presente crise; e por causa das forças por detrás do dito.

Um especialista em assuntos Africanos partilhou connosco uma carta que parece ter sido autorada pela UFDR - da qual partilharemos um excerto para fins reflectivos:

"A UFDR da República Central Africana cumprimenta-os em nome de Deus e de todos os muçulmanos da RCA e de toda a região central africana.

Eu gostaria de passar a informação, que se segue em baixo, aos muçulmanos da RCA e do Chad para o seu bem-estar e segurança, particularmente aqueles que se encontram no nosso país, a RCA. Transmito-vos esta informação em nome da UFDR, já que estamos unidos e unos com os nossos irmãos do Sudão, que estão a atravessar as mesmas dificuldades do que nós. Esta irmandade, entre nós, é uma aliança de sangue; como prova disso, vocês podem testemunhar a unidade e solidariedade entre os nossos irmãos no DARFUR, como eles trabalham em conjunto para se livrarem da pobreza.

Queremos encontrarmo-nos para lutar pela democracia para os negros muçulmanos; e é por essa razão que fazemos este apelo aos muçulmanos da África Central. O nosso movimento nasceu em 2004, em Bangui, a capital da RCA, para benefício dos muçulmanos e daqueles que estão dispostos a derramar o seu sangue pela sua liberdade; e para que se cumpra a promessa feita pelos franceses, em 1966, quando disseram que os muçulmanos e os cristãos deveriam viver separadamente. Chegou o momento de fazer cumprir esta promessa, e a hora dos muçulmanos terem o seu próprio país. Desde 1966 até ao presente, a população muçulmana da RCA e do Chad nunca atingiu os 35%. (...)

(...) Os franceses pediram-nos para fazer a paz com os governantes de Bangui, porque estávamos com demasiada pressa. Por isso devemos fazer a paz, e eles virão com uma estratégia para nos ajudar. Tudo o que aqui relatei é o resultado do acordo de Libreville entre o presidente e os líderes rebeldes, ao qual aderimos por respeito ao falecido presidente OMAR BONGO do Gabão e ao presidente do BURUNDI. Este acordo foi lavrado com base nos seguintes seis pontos:

1. Cessar fogo.
2. Os festivais de Tabaski e Ramadão serão anunciados como feriados oficiais.
3. Todo o muçulmano da RCA deverá ter uma certidão de nascimento, bilhete de identidade nacional e um passaporte como qualquer outro cidadão do país.
4. Todos os muçulmaos serão livres para servir, incondicionalmente, nas forças de defesa e segurança e na função pública; e também o seu modo de vestir será oficialmente reconhecido.
5. As liberdades fundamentais, culturais e religiosas dos muçulmanos será reconhecida.
6. A UFDR será reconhecida como um partido político para a defesa dos interesses muçulmanos nos campos político e diplomático.

(...)"

A intenção de Michel Djotodia é, por isso, claríssima: transformar um país maioritariamente cristão numa nação muçulmana. Esta conclusão tem como suporte os relatórios que descrevem a forma como os cristão estão a ser alvo de ataques perpetrados por islamistas armados que vão às aldeias cristãs com o único propósito de cometer atrocidades contra seguidores de Cristo - "Segundo o relato de testemunhas, os militantes atiraram corpos para um rio, incluindo o corpo de um bébé de cinco meses" (Catholic Group Aid to Church in Need).

No seu artigo, "Why Central African Republic Matters", Scott Morgan explana as forças por detrás do Séléka: o Sudão (cujos ex-Janjaweed árabes estão nas fileiras dos militantes e, logo, potenciais aliados do presidente Bashir, do Sudão); o Irão (que alegadamente forneceu o Séléka com armas via Eritreia; a qual o Irão muitas das vezes usa como local de trânsito); e o Exército da Resistência do Senhor (que, uma vez que já não opera no Uganda, se vê vazio de uma agenda política concreta, e parece agora vender os seus serviços mercenários a quem pagar mais - neste caso, a grupos com uma agenda Islâmica). Scott Morgan também sugere que a crise na RCA é uma operação proxy iraniana; contudo, devido a certos detalhes (que abordaremos num outro post) +Etnias: O Bisturi da Sociedade também apontaria o dedo a outros actores Islâmicos.

A situação na RCA é extremamente calamitosa e coloca em perigo os interesses internacionais em África - por isso, porque é que a nossa atenção está a ser persistentemente canalizada para o Egipto?

Comentários

  1. Meu Deus, ajuda-nos a combater os mouros! Já o fizemos uma vez, e fá-lo-emos de novo! Que a Cruz de Cristo prevaleça e consigamos salvar os nossos irmãos africanos! Amén.

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    1. Olá Maria Joaquina :D!

      Está como os alemães, huh? O ministro dos negócios estrangeiros alemão é que apelou a uma nova guerra das cruzadas...
      Mas há que fazer algo contra este flagelo, isso é verdade.

      Minha querida, muito obrigada pelo seu comentário :D.

      Um abraço

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