A Arte de Viver: Economia do Lar

Cozinhando em frente ao Fogão - Pieter Aertsen

Esta semana vamos falar de economia do lar.

Em Portugal, todos sabemos que nos supermercados, discount shops e mini-mercados, os produtos (além de próximos da data de validade, murchos, pisados e mal expostos) estão pela hora da morte.
Os produtores de fruta e hortaliças, assim como os pescadores, dizem não compreender como podem as empresas de distribuição alimentar cobrar uns preços tão exorbitantes, se os seus produtos são adquiridos na produção a um preço razoável.
As grandes superfícies, mais as suas subsidiárias, argumentarão que as despesas de transporte e de manutenção são consideráveis; por sua vez, os produtores e pescadores rebateriam que além das despesas inerentes à produção, dependem ainda do tempo, das seguradoras e das empresas de distribuição que não pagam a pronto.

Então, para evitar o seu envolvimento numa discussão quasi-promíscua, até aparecer uma empresa de distribuição alimentar com vontade de verdadeiramente servir o cliente – lucrando ao mesmo tempo – os consumidores devem organizar-se para comer fresco e a um preço acessível. Como? Eu sei que nem todos os vizinhos são carne de pescoço, logo podem começar por aí: juntem-se, façam uma vaquinha e ao fim-de-semana ide comprar azeite, hortaliça e fruta aos pequenos produtores. Uma ou duas vezes por semana, ide à lota e comprem peixe e dividam entre vós; identifiquem alguém no bairro que saiba confeccionar pão com fermento mãe – terão menos alergias – e comissionai o vosso pão caseiro que durará alguns dias sem bolor.

Qual a serventia desta trabalheira?
Primeiro, a famílias ingerem alimentos frescos.
Segundo, haverá menos stress na hora de cozinhar.
Terceiro, os jantares serão mais calmos e,
Quarto, uma família bem alimentada, e relaxada, dá mais atenção aos seus rebentos, que sabendo-se escudados, falarão das suas aflições que podem ser imediatamente tratadas e aplacadas.
Mas quem consegue falar com miúdos que sabem, somente, interagir com os video-game e até parecem estar sempre com duas consolas na mão?
Pois é, se arrependimento matasse, não é...? Mas mesmo com essas 1001 coisas que eles fazem, os adultos devem ser capazes de impôr limites e voltar ao básico: numa família, a anarquia não é tolerável.

A quantidade de chumbos nos exames nacionais (mais de metade a português e 20% a matemática) é primeiro imputável aos pais, porque estes acham charmoso quando os seus filhos são mal educados para com quem lhes está, supostamente, a passar ensinamentos; e depois, é dos inúteis dos ditos professores que são incapazes de convencer o Ministério da Educação que o sistema é furado, que não preenche os requisitos necessários para captar igualmente o interesse dos educandos.
Os professores tornam-se redundantes porque ainda não perceberam que a sua profissão não é mais acerca deles, mas sim acerca de contribuir - de um modo positivo - para o futuro dos jovens. Os professores tornam-se inaptos porque se esqueceram do seu papel de mestre: estar à disposição, ser cordial e sobretudo não ser amigo, dos seus pupilos. Os professores perderam toda a credibilidade porque não transmitem conhecimento, despejam a matéria e depois agem como se fossem as estrelas sabichonas do pedacinho Escola.

Bonito, mas que tem tudo isso a ver com o título?
Tem tudo, porque ingerir alimentos frescos proporciona uma vida familiar livre de stress; se os seus filhos tiverem o entendimento da regra básica: ao mais velho trata-se sempre com o devido respeito.
Se como mãe apreender que as suas crianças merecem toda a sua atenção, e não castração; se como mulher souber proteger a sua casa de um marido abusador; se (mesmo com os irritantes  jogos electrónicos, uma teimosia ocasional ou, mesmo, um dia menos bom no emprego) conseguir eliminar o agravamento desnecessário, a crise será atravessada com mais serenidade e poupará em géneros, grau de falhanço escolar e em numerário.

A esta arte de saber viver decidi intitulá-la como Economia do Lar.

Comentários

  1. Olá Lenny,

    É verdade, os produtos "frescos" em Portugal - nos supermercados - não são tão frescos assim. É uma miséria. O melhor a fazer é ir às praças, mercados ou até aos pequenos produtores de beira de estrada (na sua maioria, caboverdianos - têm óptimos produtos).

    Bom conselho: as pessoas devem juntar-se e adquirir produtos onde fica mais em conta. Está na hora de se recusarem a serem mal-servidos por cadeias de supermercado gananciosas (que também exploram o trabalhador).

    Bem, será que todas as mães sabem cozinhar, Lenny? Para o plano funcionar elas, e/ou mesmo os pais, têm de saber cozinhar.

    Parabéns pela proposta: tem pernas para andar ;)

    Beijocas

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    1. Olá, Max!

      Ó pá, não precisam de fazer "haut cuisine"; ok? Além do mais, há cursos de reciclagem para reaprender a cozinhar.

      Boa semana detrabalho!

      Bjcas

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  2. Neste país, tem sido assim. É altura de também isso mudar. Então cabe na cabeça de alguém, que além dos produtos normalmente não serem frescos, sejam vendidos por, 4, 5 e até 10 vezes mais que os preços pagos ao produtor?
    Vamos todos esperar que apareça alguém (grupo) que pague rapidamente ao produtor, e venda a preços e frescura condizentes.

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    1. Olá, Anónimo!

      Eu também, estou a espera, que alguém queira mesmo servir aos portugueses.

      Um abraço!

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  3. Lenny, concordo com a menina. A culpa do insucesso escolar primeiro é dos pais e depois é dos professores. Os pais acham que têm de ser amigos dos filhinhos e os professores idém idém aspas aspas; ora, isto é contranatura. As crianças gostam de disciplina e de ter uma figura de autoridade concreta...sem isso, a anarquia instala-se, claro.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Olá, Carlos!

      Não percebo porque foi banido o costume dos alunos se levantarem sempre que, o professor entrava ou saía da sala de aula; era uma demonstração de respeito.
      Enfim... A esquerda tem destas coisas

      Um abraço

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  4. Eu tive aulas de economia do lar no colégio. A Lenny também teve? Foi uma verdadeira benção ter tais aulas, pois governo a minha casa de tal modo que poderia dar umas aulinhas ao governo, se este mas requisitasse!
    Ai, Lenny, todo este tempo a falarmos e nem sabia que a menina era uma colega e uma irmã na fé! Estou muito feliz, obrigada. Tenham todos um bom fim-de-semana com a graça Divina!

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    1. Olá, Maria Joaquina!

      Tive sim senhora; para mim, essas aulas foram uma grande moleta.

      O governo não quer conselhos de graça, preferem pagar aos seus comparsas, por data baboseiras impraticáveis.

      Um abraço, minha cara!

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  5. Os professores de hoje em dia são uma porcaria pegada. Bem, agora que penso nisso...já não é de hoje. No meu tempo, assisti em pessoa à discriminação que os professores exercem em relação aos alunos que vivem em bairros mais desfavorecidos. Em vez de se concentrarem nos alunos e no seu futuro; concentram-se muitas vezes no bairro em qual moram e logo ali decretam que aquele miúdo não merece uma oportunidade na vida: ora, isto é escandaloso! E depois como já aqui disseram, outros querem ser amigos dos alunos etc etc...impera a anarquia!

    Quanto aos legumes: os portugueses precisam de aprender a fazer boicotes como deve de ser; manifs com propósito! Produtos murchos e podres (como eu já apanhei) são inaceitáveis e, o povo deveria boicotar os supermercados até que apareça um que saiba tratar os clientes com respeito! Mas onde anda a esquerda? Nowhere to be found...

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    1. Olá, Ana!

      Essa gente dificilmente se poderá apelidar de professor; são uns frustrados com complexo de nazi.

      A esquerda nunca está presente, quando é preciso: if you know what i mean!

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