Mais Uma Carta Aberta a Paulo Portas

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Lisboa, 5 de Julho de 2013


Exmo. Ministro de estado Paulo Portas,

Chegou ao meu conhecimento que, na passada terça-feira dia 2 de Julho de 2013, V. Exa. havia pedido, ao sr. Primeiro Ministro Passos Coelho, a permissão para cessar funções.
Como deve calcular, fiquei apreensiva porque quando o ex-presidente socialista demitiu um governo com maioria parlamentar (para que o seu partido conduzisse os negócios desta grande nação portuguesa), eu ouvi-o dizer que, embora não fosse obrigação sua, o governo demissionário continuaria em funções até às eleições, para evitar uma crise desnecessária.

Eu não o conheço, mas questionei-me: não seria este momento mais gravoso que então? Teria V. Exa. tido um lapso de memória acerca da real situação do nosso portugal? Estaria V. Exa. a dizer-nos que quando afirma honrar portugal, é só retórica de debates televisivos? Estaria V. Exa. a dizer-nos que pertence, secretamente, à plataforma “fora com a tróika”?

Eles não o conhecem, e no entanto foram feitos julgamentos de juízo acerca da sua pessoa (por parte de jornalistas, comentadores, analistas e forumenses). O bom nome da sua família foi pronunciado vezes sem conta por gente dúbia; foram ditas coisas descabidas acerca do seu carácter; e outros impropérios que são próprios de gente menor; porquê? Porque preferiu vocalizar, no máximo volume, o seu pensar.

Nós não o conhecemos, contudo quando foi empossado como ministro do estado, aceitámo-lo como nosso líder no departamento que lhe foi atribuído.
Um líder é suposto ter conselheiros: estarão os seus de férias? Ou será que V. Exa é daqueles que acha que sabe tudo; logo, não precisa de pessoa alguma? Com todo o devido respeito, fora eu seu conselheiro dir-lhe-ia para reflectir no livro de Provérbios [mais precisamente, no capítulo 24:6], lembrar-lhe-ia que um líder não abusa da paciência dos seus eleitores; que um líder resolve os problemas, não os provoca nem os agrava; dir-lhe-ia que o mundo está a mudar, pois, as pessoas não estão dispostas a seguir um líder impulsivo; acentuaria também que quando se está numa coligação, um líder sabe que tudo é negociável e mesmo quando tem que ser duro, pisa nos ovos com cuidado: e isto é sinal de grandeza mental e fiabilidade.

Vossa Excelência não se conhece, e debate-se com o problema da autoridade; senão vejamos: numa passagem do seu comunicado à imprensa afirmou que “respeita a escolha do Primeiro Ministro mas não a aceita...”, respeitosamente e, mantendo a devida distância, “Mas estará sob a influência de estupefacientes ou quê?”...Então não sabe que quando se respeita algo, acata-se (embora mais tarde possa ter a prerrogativa de dizer “Meu caro, eu avisei” ou “Carissímo, eu bem lhe disse!”)?

Pela sua indiscrição - i.e. medir o pulso do povo português fora de propósito - se um dia cogitou ser primeiro ministro, esqueça...porque V. Exa, certamente, não  conhece o povo de Portugal!    

Sem outro assunto,
Subscrevo-me,
Lenny Hannah

Comentários

  1. Epá...onde estão os comentários? Estive aqui na semana passada e vi um ou dois...
    Anyway, gosto de ver que tudo voltou ao normal por aqui :-)

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  2. Juro que não compreendi o comportamento de Paulo Portas...parecia um puto mimado! Desestabilizou o país só para ser promovido? Não terá o meu voto nas próximas eleições...desde já vos digo!

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  3. Que Deus abençoe este nosso irmão que claramente está confuso e perde-se na sede pelo poder!

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  4. Num Belo sarilho nos meteu este senhor! Caramba, e pensar que votei nele!

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