Crise no Egipto: Golpe ou Pronunciamento?

Bandeira Egípcia
Na semana passada, os egípcios depuseram o presidente Morsi com a ajuda dos militares. 
A media ocidental apressou-se a tomar partido dos Islamistas, ao qualificar o evento como sendo um golpe militar. 

Convido-vos a dar uma vista de olhos à definição de algumas formas de golpe de estado:

Golpe Militar: geralmente, uma engenharia política violenta que afecta quem está ao leme do governo, sem alterações radicais na forma de governo e do sistema político. 

Comentário: isto não foi o que aconteceu no Egipto. Os militares não usurparam o poder através de meios violentos nem sem aviso; au contraire, os militares egípcios deram um prazo, ao presidente Morsi (que parecia servir somente o seu eleitorado Islamista), para atender às exigências populares - se se recusasse a fazê-lo, então eles iriam impôr um plano para o futuro da nação. 
Posto isto, esta definição não se aplica ao sucedido no Egipto, no dia 3 de Julho.

Golpe de Estadoquando as forças militares, paramilitares ou a oposição política corre (de repente e furtivamente) com o governo civil corrente e toma para si o poder. 

Comentário: istotambém  não foi o que aconteceu no Egipto; ainda que se possa argumentar que; uma vez que o Movimento Tamarod liderou os protestos (que eventualmente, conduziram à queda do presidente Morsi); foi a oposição política que depôs o governo civil para tomar o poder. Só que não foi o movimento jovem quem se encarregou do destino político do país e este não foi tomado nem de forma repentina nem furtiva; mas sim, de uma certa maneira, o sistema judiciário (na pessoa do presidente do Tribunal Constitucional egípcio) após o presidente Morsi ter sido avisado - em parte, porque a oposição conhece as suas limitações. E é por isto que se torna muito complexo designar os eventos egípcios como sendo um golpe militar - ainda que membros da Irmandade Muçulmana apliquem a expressão por uma questão de conveniência.

Pronunciamento: uma espécie de de golpe de estado em que os militares depõem um governo civil para, a seguir, colocarem no poder um outro governo civil, após terem expressado publicamente a sua oposição àquele e as suas intenções. . 

Comentário: esta qualificação já se aproxima mais ao que aconteceu no Egipto; onde os militares (se puseram ao lado do povo, dando um prazo de 48 horas ao presidente Morsi para responder às exigências da maioria e) serviram como um meio de execução da vontade popular, sem desejar tomar o poder para si (pelo menos, directamente). Como parte do plano, exposto pelo general al-Sisi, Adly Mansour (um juiz do tribunal constitucional) foi empossado como presidente interino - com o apoio dos liberais, seculares, líderes religiosos coptas e muçulmanos - até serem marcadas as novas eleições. 

O Verão Egípcio (como alguns o chamam), e o consequente pronunciamento, ensinaram-nos importantes lições: 
1. Hoje em dia, os políticos eleitos democraticamente, deveriam evitar pensar que o facto de serem eleitos lhes concede o direito de se fingirem surdos perante o descontentamento e exigências do eleitorado. Ser eleito não lhes dá carta branca para o neo-despotismo. O povo coloca-os no poder, o povo pode removê-los de lá; se assim o desejar. 
2. Os políticos ocidentais (em particular aqueles que se apressaram a expressar a sua preocupação de que a democracia, no Egipto, houvera sido tomada de assalto) parecem ter esquecido o verdadeiro significado de Democracia: poder do povo; pelo povo e para o povo. 
3. Um político é simplesmente um resultado e instrumento democráticos. Um servo da democracia. 
4. A media social mudou o modo como a política é feita; mudou a composição da democracia. Os políticos deveriam reconhecer esse facto e adaptar-se o mais rapidamente possível. 

O presidente Morsi falhou redondamente: esqueceu-se que era o presidente de todos os egípcios e não de só 30% deles. 

E por falar no verão: é chegado o momento de fazer uma pausa. Estarei de volta dentro de algumas semanas. Até lá, senhoras e senhores, desfrutem das pequenas delícias semanais que deixei para vocês. 
Um abraço!

Comentários

  1. Max, folgo em saber que a menina voltou ao sistema de comentários antigo! Tenha um bom descanso: decerto merece-o!

    Um grande abraço

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  2. Também acho que não houve golpe, justamente por causa do aviso dos militares, mas... Como tudo tem um mas... Se o governo transitório não garantir a permanência do Islã político na legalidade institucional, fatalmente, existirá autoritarismo que banirá do país grande número daqueles que comemoraram por ocasião da demissão de Mohamed Mursi.
    Boa semana!!
    Beijus,

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  3. Também estou de acordo de que não tenha havido um golpe mas sim um pronunciamento. Mas tal como a Luma, também acho que o novo governo tem de garantir que a Fraternidade Muçulmana participa do processo político, senão...olhe, será uma repetição da história (i.e. Nasser, al-Sadat etc).

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  4. A profecia contra o egipto está-se a cumprir, graças ao nosso bom Deus! Vai haver muita confusão, muita violência, destruição mas no fim, e este é que conta, o Egipto virar-se-á para os nossos irmãos! Boas férias, Max!

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