Violência Doméstica: Eles também Dormem!

Rue Transnonain, 15 de Abril de 1834 - Honoré Daumier


Mais uma vez a programação televisiva era de matar qualquer santo...

Peguei no comando e toca de fazer zapping...chegada à CNN parei porque estavam a falar da nova forma de escravatura: mulheres que desejavam somente ganhar alguns cobres, trabalhando como criadas em países estranhos; quando chegadas ao destino, logo descobriam que foram vendidas.
Condoída com a situação, peço a todas as santinhas que conheço (Maria mãe de Jesus, Rita de Cássia, Madalena, Teresinha do menino Jesus, Madre Mazzarello) que as iluminem, a troco de eu começar a doar para organizações que ajudem estas jovens e mulheres. Porém, o meu coração entrou em conflito com a minha mente que entretanto começara a gritar “Tédio! Tédio! Tédio...porque enquanto existirem governos, políticos, polícia, juízes e até a indiferença familiar; os benfeitores estarão a lutar contra um monstro global com milhares de tentáculos e, a nossa boa vontade nada resolverá!”
Mudo novamente de canal e, eis-me decidida a assistir até ao fim a uma fita espanhola stressante que retratava o abuso e a violência doméstica.
Impressionada com a passividade da mulher, dei comigo a interagir com o televisor: dei conselhos à mulher e condenei o homenzinho a penas severas.

É costume dizer-se “Pelos meus filhos eu mato, se fôr preciso”! Se é assim tão linear, porquê ficar sob o jugo de um terrorista?
Por favor, tomem nota das estatísticas da APAV (cliquem aqui), todos os anos vai aumentando o número de participações de casos de violência (não sei se por as vítimas estarem a falar mais ou, se por o macho português ser presumivelmente primário), seja como for as contas estão erradas porque se a média de crianças, em cada habitação, for de duas crias; se cada mulher tiver mãe, pai e irmãos; pensem bem quantas pessoas ao certo vivem, constantemente  angustiadas, por terem acolhido no seio da sua família esse terrorista?
 Claro que a vergonha, a culpa, a solidão, a estupefacção e o medo da destituição são uma segunda pele dessas mulheres; então como fazer para pôr fim a este moirar inútil? Como poderemos ser pessoas honestamente evoluídas se cada um de nós se permitir saber que alguém está a ser gratuitamente destituído da sua condição humana, nada fazer e com o nosso silêncio compactuar com o agressor?

Quando acabei de ver o filme e de ler as estatísticas da APAV, pensei em oferecer-me como voluntária num centro de acolhimento só para dizer o seguinte:

“Minha irmã, esse filho da mãe também dorme...”

Comentários

  1. Ahahahahahah...o que é que estás a sugerir, Lenny? Ai meu Deus! Mas yah, as mulheres têm de fazer algo porque o estado nem sempre está lá por elas.
    Só de pensar que para o gajo (desculpa lá o palavreado) ser encarcerado as mulheres têm de ter provas da violência (ou seja, deixarem-se ficar azuis, ir ao hospital para serem fotografadas e depois construir um caso contra o gajo) - e no entanto também temos a violência psicológica...e como fazer prova dessa?

    É um assunto delicado mas que tem de ser debatido!
    Shabbat Shalom, querida! E a luta continua!

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    1. Olá, Ana!

      Estou a sugerir que a lei deva ser mais restrictiva i.e. quem agredir fisicamente o cônjuge deve ser preso imediatamente sem apelo e se houver crianças a pena deveria ser agravada.

      Boa semana, minha linda! A luta continua!

      Bjcas

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  2. Olá Lenny,

    Primeiro, adoro a imagem lol.
    Segundo, sim...eles também dormem (só esta frase já diz tudo).
    É preciso tomar medidas sérias quanto à violência doméstica porque, como bem disseste, as vítimas não são somente as mulheres (e mesmo homens), são os filhos e o resto da família. Já li histórias fantásticas de famílias em Portugal que se juntaram para resolver o assunto, uma vez que a lei nada fez por certas mulheres (as providências cautelares nada resolvem nestes casos e os criminosos voltam para perseguir, senão matar, as suas vítimas).

    Há que contribuir para a APAV.

    Parabéns, Lenny!

    Beijocas e bom fim-de-semana

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    1. Olá, Max!

      Acho que as mulheres portuguesas devem fazer como as indianas: criar um grupo de defesa para proteger as vítimas de abuso e violência doméstica.

      Há que contribuir para a APAV, sim senhora!

      Bjcas e boa semana de trabalho

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  3. É lamentável que os cobardes batam nas mulheres, ( suas ou não ) . É claro que também dormem, mas deveria ser para sempre. Vca

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    1. Olá, Anónimo!

      A maioria dos homens em portugal não se coíbem de proferir vulgaridades na presença de mulheres e crianças (conhecidas ou não); ora isto é uma forma de abuso, e todos sabemos quão facil é saltar do abuso verbal ou psicológico para a agressão fisíca.

      Obrigada pelo seu comentário.

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