José Sócrates diz: Espelho meu, Espelho meu...


...Haverá alguém mais chico-esperto do que eu?

Quando ouvi dizer que José Sócrates, o ex-primeiro ministro da República, iria deixar o seu auto-imposto exílio, em Paris, e regressar a Portugal; pensei em fazer uma ode ao filho pródigo.
Entretanto, quando cheguei do meu mini descanso, fui visionar a gravação da entrevista que ele amavelmente concedeu à RTP: mon bon Dieu, quel con..!

A crise internacional tem várias narrativas – palavra favorita do ex-PM – uns dizem que foi a imoralidade que reina no mundo da alta finança; outros sustentam que foram os gringos (mais uma vez, a querer fazer do mundo o seu wild wild west) pois envolveram os maiores bancos do mundo no negócio fraudulento das hipotecas imobiliárias e, como se não bastasse (sem autorização prévia, de modo a incrementarem ainda mais a parada) serviram-se de depósitos e poupanças de pequenos e médios aforradores, dos fundos de pensões de toda a gente, e investiram no negócio das “apostas” de alto risco sobre o comando de "jogadores vorazes" sequiosos de grandeza pacóvia (tendo levado o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, a atribuir a culpa do descalabro financeiro mundial a uns rapazes branquelos que tinham a mania que sabiam de tudo).

Ora, em boa hora veio esta crise pois dismistificou quatro coisitas:

1- Os banqueiros estão na maior porque receberam dinheiro dos governos para recomeçar. Para isso, tudo o que lhes bastou foi lembrar aos políticos que os bancos foram agências de informação para a polícia, e que enquanto realizavam esse trabalho de delação, deixaram de gerir 2/3 do dinheiro que circula pelo mundo. Logo, a lei da sobrevivência obrigou-os a puxarem pela criatividade e como em tudo “hey...shit happens!”.

2- Os povos pragmáticos (Alemanha, Benelux, países nórdicos, Polónia, Suiça, Aústria etc...) elegem sempre governantes amantes dos jogos de poder e suas nuances; e por isso não conheceram a face da crise.

3- Os povos que perderam o conceito de trabalho árduo (Portugal, Itália, Espanha, França, Irlanda, Grécia, Inglaterra e Chipre), entregando-se à busca da criação de estados sociais estáticos e por consequência submetendo-se à pedinchice, elegem sempre governantes conflituados, patéticos e de baixo calibre, cujo mantra é: a culpa é dos problemas estruturais do país. Estes povos estão no oitavo círculo do inferno de Dante, como é bom de ver.

4- Os cérebros económicos mundiais são cobardes pois deveriam dizer (ideologias à parte) qual a técnica que deveria ser utilizada para resolver de uma vez por todas o tão proclamado problema estrutural; mas o que os economistas nos mostram é a sua face corrupta porque comem da mesma gamela e dormem na mesma cama que os políticos incompetentes, vis e sem visão estratégica para os seus países.

Ó Sócrates, eu acredito que tu acreditas quando proclamas que só fizeste o bem para este país, asseguras-nos teres lutado contra o déficit energético (engraçado, a electricidade está mais cara); lutaste contra o déficit no investimento porque trouxeste a Embraer (à mistura vieram também alguns criminosos de Vera-cruz como aquele grupo que introduziu, sem precedente, em portugal a morte por contrato; como aqueles que fizeram reféns num assalto a um banco em Lisboa; como aquele que possuía um arsenal de respeito na Amadora; enfim...); trouxeste a Pescanova (interessantemente, estão em apuros com a lei por supostamente terem cometido fraude); investiste no déficit educativo (bem, na verdade continuamos sem saber fazer contas e continuamos sem saber falar portugês).

Pelo acima exposto, caro José Sócrates por favor não aceites que te queiram imputar responsabilidades de coisa alguma: arreia no PR, nos seus assessores e no conselho de estado; difama o CDS, PSD e culpa este governo por todos os males de Portugal (desde a deposição do Marcelo Caetano); ralha com o PS por ter tido a audácia de não vir em tua defesa; e pelos teus dois mandatos, insto-te a que chames estúpido ao povo português! Por quem és homem, tens o direito de fazê-lo...

Porém a minha narrativa é a seguinte: monsieur le tricheur, Portugal n’est pas ton bordel; t’a compris..?  
         

Comentários

  1. Olá Lenny,

    Quando ouvi dizer que José Sócrates iria voltar ao país, pensei "Bem, veio redimir-se". Mas depois de ter visto a entrevista que ele deu na RTP (?), fiquei totalmente convencida de que Portugal em 2009 reelegeu um político irresponsável e imoral.

    Agora já compreendo como Portugal chegou ao estado que chegou. Ouis, il est un grand tricheur.

    Bisous, ma belle!

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    1. Olá, cherie!

      Viste a arrogância do homenzinho quando disse "que fique bem claro que, não fui eu que pedi a RTP...", como se houvesse algum mal em procurar e pedir trabalho.
      Se esta oferta partiu do círculo do governo, ainda que de borla, alguém quer os portugueses concentrados na barulheira produzido nas televisões por estes critiqueiros; topas?

      Bon weekend, mon chou!

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  2. Ahahaha ele está de volta! Epá, nunca vi um político em tanto estado de negação...até o Guterres teve a hombridade de se responsabilizar pela sua má governação: o Sócrates é um cobarde político!!
    Ele que volte para Paris e fique lá para sempre! Pera lá: ele já acabou o curso em França? Ainda não passaram 3 anitos....

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    1. Hey,hey,hey..!

      A propósito de curso: eu só chamo dr. aos médicos, aos professores catedráticos e aos magistrados; ao resto todo trato, respeitosamente, pelo primeiro nome ou pelo nome de família; neste aspecto sou anglo-saxónica e, quem não gosta que me processe.
      Quanto ao sr. Sócrates: que lata...!

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  3. A vaidade e a arrogância foram o que levaram o Sócrates ao abismo. Se ele não se tivesse perdido no mar do egocentrismo, ele poderia ter feito um óptimo trabalho porque até tem visão. Fiquei triste de o ver desperdiçar o seu talento e, mais triste fiquei o vê-lo não ter a coragem de admitir os seus erros e assumir a devida responsabilidade pelo mau-estar do país.
    E agora temos de vê-lo no canal do estado? Quem o convidou não tem vergonha na cara! Olhe Lenny, continue o bom trabalho e espero que mais portugueses a leiam...Portugal precisa de uma lufada de ar fresco porque como vê o material que por cá temos não é grande coisa.

    Um abraço

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