Os Eruditos do Parlamento

Assembleia da República Portuguesa

Na madrugada de Terça para Quarta-feira, assisti a uma gravação de uma audição na Comissão de Assuntos Constitucionais (direitos, liberdades e garantias), cujo tema era a redução da pendência processual.
Estas Comissões Parlamentares deveriam ser o elo de confiança entre os deputados e os eleitores, porque em princípio são o lugar onde se busca e se repõe a legalidade dos interesses dos cidadãos, quando aquela está ameaçada.

No total, incluindo esta última, já assisti atentamente a quatro audições de comissões parlamentares:
  •  A primeira foi quando a liberdade de expressão estava, supostamente, a ser posta em causa através dos vários truques utilizados pelo ex-primeiro ministro José Sócrates, contra jornais que se atrevessem a insinuar algo contra ele.
  • A segunda foi quando o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, foi convidado a  prestar esclarecimentos sobre a situação económica do país.
  • A terceira foi quando, supostamente, a polícia procedeu à recolha de dados, sobre manifestações, na RTP sem mandato judicial.
Pois bem, meus caros leitores, decidi desistir deste meu interesse parlamentar, porque é demasiadamente prolixo-ambagioso - Estou a senti-los, neste exacto momento, a interrogarem-se sobre o significado deste vocábulo composto...eis que finalmente descobristes o meu dilema: palavras..!
Prometo não aborrecê-los, alongando-me com considerações, francamente, desnecessárias; mas tenho vindo a reparar que nestas audições os deputados repetem as perguntas feitas anteriormente por uns e por outros; repisam as questões e por vezes dão a impressão de estarem a lançar armadilhas, aos depoentes, com o único intuito de os apanharem em falso. Fazem perguntas compostas reflectivas; cansando-me porque passo o tempo quase todo a dizer “Ó moco, essa pergunta já obteve resposta! Ó santa ignorância, tira um curso de estenografia e, olha para as tuas notas...vais ver que estás em modo repetição! Ó homem, por Deus, se não sabes o que perguntar, cala-te e ouve!”...em suma, os deputados que fazem perguntas simples e directas, ou são os primeiros ou são os últimos e, quando chega a vez destes, hélas... já levantei o meu traseiro do sofá de tanto desapontamento.

Senhores deputados, o vosso trabalho tem de ter um significado, tem de captar o interesse do público; por isso, utilizem linguagem compreensível e acessível, senão não serei só eu a desertar de tanta canseira. Sim, para além das vossas questões serem inconsequentes, os sons que emitis com a boca são repulso-ignóbeis (baril, inventei esta palavra). E agora, por vos ter mandado à fava, fico sem saber se tendes aftas ou, simplesmente, um estilo de comunicação irritante...

Comentários

  1. Olá Lenny,

    Só assisti a uma (que corresponde à tua primeira) - interessante como o ex-PM Sócrates mantinha os jornalistas em estado de sítio...sou contra qualquer tentativa de supressão da liberdade de expressão; mas confesso ter gostado de ver os jornalistas a sofrer um bocadinho (já que eles se acham poderosíssimos).

    Mas sim, de um modo geral, a maioria dos políticos portuguese é ambagiosa.
    Tal como Fernando Pessoa, estou à espera do retorno de El-Rei (ou de La-Reina, para mim é igual) para refrescar a política nacional portuguesa.

    Beijocas

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    1. Olá, Max!

      Ò yah, o ex-PM Sócrates desmistificou o auto-intitulado 5º poder; fê-lo dançar twist.
      Estou contigo e com Fernando Pesssoa, espero que venha alguém brilhante que se proponha a fazer política de um modo elegante e inovador. Eu estava convencida de que, o sangue novo dos diversos partidos, nos fosse presentear com debates clamorosos e memoráveis...

      Bjcas

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  2. Epá, nem me dou ao trabalho de ver tais audições; e suspeito que não esteja sozinha nisto, por isso Lenny...acho que os politicos continuarão a falar de forma prolixa, complicada, repetitiva e cansativa porque eles sabem que ninguém os está a ver. A não ser tu e o teu traseiro...claro! ahahaha ;-)
    Shabat Shalom, minha queridaaaaa!

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    1. Hey, hey, hey,

      Shabat Shalom, para ti também, darling!
      Alguns políticos chegam ao cúmulo de profir palavras que, nada têm a ver, com o tópico; é simplesmente lamentável.

      Bjcas

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  3. Respostas
    1. Olá Anónimo,

      Pois, devo ter.
      Obrigada, pelo seu comentário, tão revelador.
      Um Abraço

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  4. É o tal "embromation". Como falar muito sem se comprometer com nada. Existe até um aplicativo chamado "Gerador de lero-lero". Já viu?
    Bom fim de semana!!

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    1. Olá, Luma!

      Ahahahah...é isso mesmo! Irei ler o "Gerador de lero-lero".
      Minha cara, tenha uma boa semana!!

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