A Cumplicidade Entre o Ladrão e Bruxelas

Retrato de um Homem de Jan Gossart

Eu há muito que desistira de pensar nos bancos e nos seus patrões; até ao dia em que um familiar meu recebeu a lista actualizada das despesas bancárias (ver aqui). Bem sei que, o PS e BE andam às voltas, numa tentiva de remediar o problema; mas a Associação de Bancos endureceu a sua cerviz e, deu mostras de poder, desafiando o parlamento ao aumentar ainda mais as taxas.

Embora o cartel dos banqueiros se tenha, ostensivamente, colocado na posição de gatuno sem fronteiras; eu continuo sendo a favor do empreendorismo, do capitalismo e consequentemente da maximização do lucro; mas, diga-se em abono da verdade que esta rede de usurários é singular na gestão de negócios sem arriscar coisa alguma e, é perita na compra de mentes e corações (a prova disso é que os políticos, e os juízes, foram convencidos da imprescíndibilidade daqueles, visto o poder legislativo e judicial achar que é legal ser tudo pago pelo depositante - inclusivé, a água que os ditos banqueiros gastam no seu autoclismo).

Como é que tu, povo, de quinze em quinze dias, vais para a rua gritar sobre ideologias patéticas e, negligencias o facto de estares a ser roubado com a conivência dos políticos?
Como é que tu, povo, incitas lutas vãs, esquecendo-te que além do IRS, pagas ainda impostos indirectos como o IVA sobre a comida, o vestuário, e livros escolares; o IVA sobre o teu contador da água, luz e gás; o IVA sobre IVA no total da conta da água, luz e gás; pagas ainda a taxa da rádio; as taxas bancárias e as taxas dos carregamentos de telemóveis, acrescidas de IVA de 23% e imposto de selo?
Como é que tu, povo, repetes nas manifs as porras que te são enfiadas na mona e, esqueces que com essas merdas, estás a legitimizar essa gente medíocre que está sentada em Bruxelas e nos respectivos parlamentos nacionais?
Como podes tu, povo, permitir que Bruxelas se esteja nas tintas para com o sofrimento dos seus eleitores e, possa legislar sobre a sobrevivência de quem lhe paga?

Sabias que a Gracinha está desempregada há dois anos e Bruxelas está a interditá-la de fazer as suas compotas caseiras e ir vendê-las para a feira ou para o bazar?
Sabias que o Gracindo herdou dois hectares de vinha e Bruxelas está a querer meter o bedelho no fabrico do seu vinhito?
Sabias que o Jacinto não pode fabricar o pão com a medida de sal com que sempre usou?
Sabias que o Jaime não pode fazer a matança do porco com os seus amigos e familiares, confeccionando depois o presunto e chouriços biológicos e vender a seu bel prazer?
Sabias que a Jacinta de 55 anos quer fazer doçaria e vender na praça da sua localidade, mas Bruxelas diz-lhe “fica na dependência do teu marido abusador”?  
Sabias que o ex-emigrante Joe Cabral, pequeno produtor de leite, nos Açores tem uma quota, só porque Bruxelas acha que devemos beber leite espanhol e lixar a família Cabral?

Pois é, não é...cabeçudo? Andas aí nas várias Plataformas com as tuas energias mal direccionadas, fingindo que queres ser levado a sério, sabendo tu que o elo mais fraco é obrigado a criar chagas no rabo de tanto estar sentado, sem ocupação, a mendigar subsídios; e, se por acaso, se atrever a querer fazer pela vida tem a ASAE à perna, só lhe restando duas soluções: roubar ou fazer uma peregrinação a pé até Bruxelas, com o intuito de dar um tiro nos miolos por falta de dignidade.

Digo-te que os banqueiros e Bruxelas estão mancomunados, porque trabalham para o mesmo sádico. Por isso sugiro que, como povo soberano, comecemos a mostrar quem detém realmente o poder:

  1. Criar grupos dentro de cada comunidade, registá-los e nas próximas eleições (legislativas e/ou europeias) mandar os partidos e os seus comparsas às malvas.
  2.  Dentro de cada comunidade estudar, com as respectivas Câmaras Municipais, como criar instituições financeiras com a participação de todos. As Juntas de Freguesia seriam os vários balcões; criar-se-iam cartões para trocas dentro do mesmo concelho e áreas limítrofes; e quem quisesse fazer um investimento maior (sem perda de capital mas com pagamento de despesas: digamos 0,025%) seria aconselhado a adquirir bonds de governos, de Instituições credíveis e a investir no pequeno e médio negócio. Quanto a levantamentos, bastaria um e-mail de véspera e, no dia seguinte o dinheirito estaria à disposição. Quanto a funcionários não seriam precisos muitos devido à era da alta tecnologia. Quanto à maquinaria tenho a certeza que os já obsoletos bancos as poriam em saldos
Pois bem, gritador-mor, estou a pensar em juntar-me ao Éric Cantona para recolhermos fundos e fazermos a primeira experiência piloto na Aldeia da Picha, porque francamente o banqueiro é um ladrão!   

NB: Max, peço imensa desculpa pelo uso da palavra M na sua inteireza, mas estou francamente derreada com todo este assunto. Não volta a acontecer!

Comentários

  1. Olá Lenny,

    Primeiro: parabéns por este post fabuloso. Está óptimo; digno de uma verdadeira plataforma em prol do povo Português.
    Segundo: estás desculpada pelo emprego de uma asneira aqui no Blog...naughty, naughty lol.

    Quanto a Bruxelas: é um problema sério; pois a UE está a prejudicar os cidadãos europeus com tanta regulamentação - é só para vermos que o espírito socialista/comunista prevalece ainda, mesmo sob governos de direita. Isto tem de mudar.

    Adorei, adorei, adorei! E faço um brinde às Jacintas de Portugal: o despotismo europeu não durará para sempre.

    Beijocas

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    1. Hey, Max!

      Esses papa-pintos de Bruxelas, regulamentam sobre coisas que possam interferir com o negócio de grandes empresas, è por isso que não tocam nos Bancos, porque são os seus maiores financiadores.
      Lembras-te quando Bruxelas começou a subsidiar, aos agricultores europeus, a plantação e fabrico de acuçar de beterraba (não adoça nada, parece farinha adocicada), só para lixar os produtores de Açucar em África?
      Tudo o que se faz em Bruxelas é em prol do linchamento moral do povo. Todos os que queiram fazer por si e pelos seus são lixados, simplesmente, porque não desejam depender dessa corja de incompetentes mal-intencionados; e pelos vistos sancionados pelos governos dos respectivos países que mais funcionam como sucursais de Bruxelas.
      Obrigada, pelo teu comentário, ma belle.

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  2. Ah, fadista! Subscrevo a tudo o que foi dito, Lenny: ganda mulher!!!

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    1. Olá, Anónimo!

      Obrigada, por ter passado por aqui.
      Um abraço

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  3. Mas o que é isto? Vocês decidiram todas atacar a UE esta semana? Ahahahahah...Lenny, epá já leio os blogues da Max há muito tempo e nunca, mas nunca que aquela mulher me usou de linguagem pouco própria mas...ADOREI!!!! É isso mesmo, diz-lhes como é!
    O abuso tem de acabar, coitada da Jacinta, da Gracinda, coitado do Jaime e do Cabral: mas olha, têm sempre a opção de recorrer ao micro-crédito, montar o seu negocio e depois se não puderem pagar a prestação levam com a Intrum Justitia em cima até pagarem aos donos da mesma (BCP?)!!!

    Agora vou jantar à Aldeia da Picha...Adeus!

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    1. Olá, Ana!

      Ahahahah...Alors, bon appétit!
      Não, não queremos o micro-crédito.!! Queremos pedir €100 emprestados a alguém da família, e começar, nas nossas cozinhas, o que pode vir a ser uma Reliance Industries. Sabias que, o pai do sr. Mukesh Ambani criou esta companhia bilionária, a partir de $100? Agora imagina se, ele tivesse tido uma espécie de Bruxela sabichona, a proíbi-lo de manufacturar os seus textéis, lá do cantinho da sua casa?

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