Operação Serval no Mali: um Assunto Europeu

Oásis no Deserto de Antal Ligeti
França é a entidade que lidera a intervenção militar no Mali. 
Outras entidades internacionais também estão presentes no país para oferecer apoio logístico, intel e para treinar as forças africanas (e.g. Inglaterra, Alemanha, Itália, Canadá e até os EUA).

No ano passado, França e outros países europeus (como a Alemanha e a Espanha, por exemplo) propuseram-se a ajudar o ECOWAS a intervir militarmente no Mali desde que o Conselho de Segurança da ONU (UNSC) os apoiasse. A ONU primeiro rejeitou o pedido do ECOWAS mas depois, em Dezembro, aprovou uma intervenção militar Africana com a ajuda Francesa e dos aliados (depois dos Islamistas terem tido tempo suficiente para capturar mais de 50% do território Maliano e, praticamente, construir um estado dentro do Estado do Mali). 
No dia 10 de Janeiro, do ano corrente, os Islamistas (uma coligação entre a Al-Qaeda do Magrebe Islâmico, o MUJAO e Ansar Dine) - a caminho de Bamako - tomaram Konna; o que espoletou uma intervenção Francesa de urgência - o UNSC aprovou unanimamente esta Euro-missão no dia 14 de Janeiro de 2013. 

Esta intervenção militar é refrescante: pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a Europa (com a França ao leme) é protagonista na guerra contra o mal - neste caso, leia-se "proteger os seus interesses". Que interesses são esses, perguntam vocês?
O Mali está rodeado de países - Algéria, Mauritânia, Niger, Burquina Fasso, Costa do Marfim, Guiné Konacre e Senegal - que são extremamente ricos (em petróleo, gás, ouro, diamantes, carvão, bauxite, urânio, fosfatos, fertilizantes inorgânicos, sal etc etc) e sustêm o euro-conforto. A France Telecom está presente em todos os países mencionados (incluíndo o Mali) e, o dedo francês está por toda a economia destes países. E é por isso que a França é o líder neste conflito. 
Se esta campanha militar se prolongar poderemos até vir a ver a Austrália juntar-se à banda já que possui imensos interesses (nas indústrias mineira e petroleira), em muitos dos mencionados países africanos.  

Olhando para os vastos recursos naturais destas nações africanas é extremamente compreensível que os Islamistas se quisessem apoderar da região. Se o conseguissem e os proponentes da [versão mais severa da] Lei Shari'ah viessem a controlar tais recursos, a quem iriam eles vendê-los - afim de financiarem a sua caminhada em direcção ao estabelecimento do Califado? Ao Irão, à Arábia Saudita; à China e talvez à Rússia (dizemos "talvez" porque com a Rússia nada do que parece ser é)...

Os Islamistas acusaram a França, e as forças aliadas, de travar uma Cruzada. Esta acusação absurda tem sido feita pelos radicais Islâmicos há décadas e, têm-na repetido tantas vezes (não só durante o seu processo de recruta como também na media) que até o Ocidente começa a reconhecer a necessidade de repetir a História (o ministro dos negócios estrangeiros da Alemanha, Guido Westerwelle, partilhou a sua preocupação com "relatórios recentes acerca da causa dos Cristãos e a sua crescente perseguição em algumas partes do mundo").
Os Islamistas orgulham-se de estar infiltrados em todos os níveis da sociedade Ocidental mas, na verdade, foram enganados pela Europa, pelos EUA e pelo próprio UNSC: a media disseminou que a França, e companheiros, só iriam destacar militares para o Mali em Setembro de 2013, depois das forças Africanas terem recebido treino. É Janeiro e os jogos já começaram. 

Os Tuaregues seculares, que chegaram a acordo com o governo Maliano em Dezembro passado, ofereceram-se para se juntar à campanha militar liderada por França afim de lutarem contra a coligação Islamista: boa decisão; até porque estarão a proteger a acordada autonomia no norte do país. 

Libertem o Mali!

Comentários

  1. Hey, Max!
    Sim, libertem o Mali, porque é inconcebível que no século XXI uma mulher seja violada para obrigá-la a submeter-se a um sistema dúbio; que uma mulher não tenha o direito de ser mãe solteira; que uma mulher cristã seja forçada a casar-se com um indivíduo de outra crença; que uma mulher seja apedrejada porque, simplesmente, cometeu adultério.
    Sim, libertem o Mali dos loucos que, em nome de Deus, aterrorizam o próximo, porque desconhecem o conceito da palavra amor, e só conseguem uma pulsão sexual através do terror.
    Não me esquecerei, porém, da hipócrisia europeia, quando permitiu que os rwandenses se aniquilassem.
    Bom trabalho, Max.
    Bjcas

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    Respostas
    1. Olá Lenny :D!

      Ah, fadista!! Muito bem dito.
      É verdadeiramente uma vergonha o tipo de imposição religiosa que os jihadistas fazem a pessoas que nem sequer partilham da sua crença ou, mesmo, filosofia de vida.

      Ah sim...ninguém deve esquecer a hipocrisia Europeia (e não só) em relação ao Ruanda.

      Lenny, querida; muito obrigada pelo teu super comentário. Amei :D.

      Beijocas

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