O Largo do Rato

Sobremesa Natureza Morta de Goerg Flegel


Portugal, meu nicho e meu porto seguro!
Não vou mais falar do que se passou antes do poder nas urnas ter concedido a este governo legitimidade.
Não vou mais repetir que Portugal e o seu povo estão a viver numa fossa; porque estaria, exactamente, a dançar ao compasso duma oposição falhada, sem a noção do que é lutar pelo colectivo intelectual, emocional e espiritual de um povo. ..eu, sim, recuso-me a cair nessa armadilha.

Oiço gente a dizer que este primeiro ministro tem a coragem de um Mário Soares, Cavaco Silva e até, vejam só, de um Salazar...yah, o mesmo foi dito do ex-primeiro ministro Sócrates e, como acima havia prometido, mais não digo.

Como tudo nesta vida, as coisas são depois de o serem; logo, das duas uma: ou essa tal coragem que agora é cantarolada é conversa para o boi (Passos Coelho) ficar envaidecido e dormir na forma; ou então, senhores jornalistas, e senhores comentadores, o vosso ideal de coragem resume-se a aparecer na TV e cuspir silogismos para o ar; porque sinceramente, o que tem acontecido até agora é toda a gente a empurrar o poder legislativo para as mãos do Tribunal Constitucional; são os economistas a estarem todos felizes porque se está a pedir dinheiro emprestado nos mercados internacionais a juros baratos (para se amortizarem juros altíssimos sobre dívidas contraídas anteriormente); é Passos Coelho a fazer aparições nos congressos do seu Partido enunciando factos sem uma única pitada de idealismo (necessário para arrastar consigo o Povo Português); é a oposição a estar disposta a destruir este país em nome do estado-social; e são os sindicatos, que deveriam ser os defensores dos seus associados ou não, a estarem à deriva ao convocarem greves sucessivas, para alcançar nada. Por favor, juntem estas porras todas e digam-me: onde reside a coragem?

A minha intuição diz-me que o PM Passos Coelho está a esforçar-se para gerir este país e quiçá tirá-lo da mediocridade; e como ele muito bem afirmou, em resposta ao partido socialista, tem o mandato popular para governar, mas precisa  urgentemente de valorizar a chamada do eleitor e interiorizar de uma vez por todas essa legitimidade, transformando-a num espírito combativo para e, pelo Povo Lusitano.

Senhor Primeiro Ministro, faça todas as reformas recomendadas no estudo, por si encomendado ao FMI (Fundo Monetário Internacional), mas não toque nem na polícia nem nos militares. A Polícia porque tem a sua vida em risco durante as 24 horas do dia, mesmo quando não está em serviço; os Militares porque sempre que são chamados (Timor, Bósnia, Líbano e Afeganistão) deixam as sua famílias e lá vão eles representar e morrer por Portugal. Estes dois grupos merecem todos os benefícios e bónus que estejam estabelecidos e, numa sociedade cívil, cidadãos destes – estou-me nas tintas para os pró-cortes na defesa – devem ser protegidos por todos.  
Não concordo, porém, com os despedimentos na função pública - aí, o governo terá de pôr a criatividade a mil (mera opinião de um eleitor não estatal, mas que nasceu e cresceu no seio do funcionalismo público).

A coragem só deve ser cantada e contabilizada quando um acontecimento novo muda, em grande escala, a situação anterior e quando proporcionalmente beneficia uma enorme camada populacional.
Em cumprindo a meta de efectuar cortes no valor de 4 mil milhões de euros na despesa pública, o povo conceder-lhe-á o cognome de “O Corajoso”; porque não só terá na sua mão a fortitude testicular do senhor Seguro (visto este ter assegurado aos portugueses que não o ajudará nem por nada) como também Vossa excelência provará que a armadilha preparada contra o Partido Socialista – um partido que expõe a sua corrupção ao recusar-se a tomar assento numa comissão para levar a cabo a reforma do estado, porque está a dizer ao eleitor/contribuinte “paga-me e, cala-te!”  – funcionou na perfeição porque os ratos do Largo do Rato cairam mesmo na ratoeira.

Comentários

  1. Olá Lenny,

    Sun Tzu já disse tudo acerca da estratégia de envaidecer o inimigo. Espero que o PM Passos Coelho leia os livros que deve ler (o ex-PM Sócrates lia e por isso conseguiu levar os Portugueses no bico mesmo quando era óbvio que iria levar este país para o abismo).

    A oposição Portuguesa é uma vergonha - e não quero nem falar do PS, que está apostado em arrastar o país ainda mais pela lama. Ouvi dizer que até teve o descaramento de pedir a maioria absoluta, nesta altura do campeonato...lol...

    Eu concordo com os despedimentos na função pública porque o estado jamais deve ser a fonte primária de emprego num país. Essa função cabe ao sector privado.

    "A coragem só deve ser cantada e contabilizada quando um acontecimento novo muda, em grande escala, a situação anterior e quando proporcionalmente beneficia uma enorme camada populacional."

    Concordo.

    "Partido Socialista – um partido que expõe a sua corrupção ao recusar-se a tomar assento numa comissão para levar a cabo a reforma do estado, porque está a dizer ao eleitor/contribuinte “paga-me e, cala-te!”.."

    You knows it!

    Adorei, adorei, adorei!

    Beijocas

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    1. Hey, Max!
      Sim, concordo, que o sector privado deva ser o maior empregador; mas discordo que se mande 100.000 pessoas para o desemprego e condenem os seus filhos a uma crise que é perfeitamente evitável; o governo que despeça os gestores de parapúblicas que foram nomeados por razões políticas; o governo que acabe com as mil e uma fundações do estado; e trate de fazer fusões dos serviços convidando aqueles que estão próximo da idade da reforma, a irem para casa com uma compensação.
      O governo que se deixe de facilitismos e comece a pôr a mioleira a trabalhar; coragem: pede-se!
      Bjcas

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  2. Lenny, ahahahah a última frase do artigo diz tudo! E sim, os camaradas do Largo do Rato são umas ratazanas desavergonhadas! Mais não digo mas aplaudo as tuas palavras de pé *clap clap clap clap*!

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    1. Olá, minha linda!
      São uns amores; não é?
      Adoro quando o PS revela uma total incapacidade para a autocrítica, um dos pilares do Socialismo, seja o clássico ou o dito ciêntifico.
      Bjcas

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