Eu Amo Portugal!

O Sacrifício de Isaac (detalhe) de Caravaggio

Contudo, neste momento apetece-me chorar pelo povo português porque este não se está a levar a sério.

Durante o meu exame de consciência diário, dei comigo a questionar-me sobre o que poderia Deus querer para o nosso Portugal: submissão total à tróika por termos sido tão descuidados na maneira como esbanjámos tudo sem pensar no amanhã; arrependimento por não termos tido sabedoria suficiente na escolha dos líderes; ou venda ao desbarato dos nossos activos aos chineses e angolanos para podermos amealhar uns soldos, pagar aos credores e ficarmos moralmente arrombados, porque nunca sairemos da cepa torta?
Quem me conhece sabe que tive uma educação primorosa (num colégio interno salesiano) e fui ensinada a amar, temer, servir e chegar-me a Deus; por isso, quando me encontro perdida lembro-me dos ensinamentos que me foram transmitidos pelas freiras.

Nesta crise houve quem ficasse bilionário mas, aparentemente, não há dinheiro no mercado. Os países, para o conseguirem, são obrigados a pagar juros impensáveis. Então como é que se faz que os especuladores estejam sempre dez passos à frente dos que governam as nações? Quem é que está gozando, tremendamente, enquanto observa o mundo em total descalabro? Quem é que está, caro concidadão, a empurrá-lo para as ruas, para que faça figura de marioneta idiota? Quem é que não quer que as pessoas tenham paz para parar e pensar como ajudar as suas famílias a reagruparem e, ultrapassarem esta crise com menor grau de constrangimento?
Não sabe? Pois nem eu, mas quando me encontro numa encruzilhada falo com Deus, aquele que me convida a apresentar-lhe as minhas razões; sim, aquele que me convida a questioná-lo (Isaías 43, 25-26). Pois bem no fim da conversa, sinto-me maravilhosamente justificada e sei que devo parar, acalmar-me, pensar e agir.

Sei que estamos mal. O governo parece insensível. A oposição está a lixar tudo porque está sem ideias. A comida está cara porque não há dinheiro; as pensões estão a emagrecer; a electricidade e o gás estão pela hora da morte; a gasolina está...( aqui, vão-se lixar! Usem transportes públicos, porque a rede Portuguesa é invejável); as rendas e hipotecas Uff......! E assim vai a vida neste nosso burgo.
Diga-me, o que é que pretende fazer caro concidadão? Ajudar Portugal protestando com propósito (i.e. votando nas próximas eleições) ou ajudar a destruir Portugal participando em manifs contraproducentes? Sim, porque talvez não saiba que a sua gritaria nas ruas ajuda a subir os juros dos empréstimos que todos tanto precisamos...

Comentários

  1. O teu amor pelo país é comovente!
    Boa pergunta: quem é que está a beneficiar desta crise toda? Também não sei; mas sei quem é que quer mobilizar as pessoas para manifs vãs: grupinhos mal intencionados que buscam o seu lugarzinho ao sol (isto é, o salário garantido do parlamento).
    Ao menos gostei de ver um líder do sindicato (da UGT) dizer que não iria participar da greve geral porque o país só tinha a perder com a dita; já para não dizer os trabalhadores. Foi refrescante ouvir os argumentos apresentados.
    Estou descontente com este governo: não é nada criativo. Está aqui está a cobrar aos "ricos" de Portugal 75% de IRS a la Hollande - e vê bem o estado em que a França se encontra neste momento...
    Bom fim-de-semana!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Ana!
      Eu, também, gostei de ver, o sr. Proença(UGT) agir como um líder sindical do século XXI. Ele recusou-se
      a ser uma ovelha à reboque do PCP, e de seus lacaios da Inter-sindical. O sr.Proença lutou pelos interesses dos trabalhadores filiados no seu sindicato e isto é louvável...
      Quanto ao IRS; 54.5% escalão máximo? É imoral! Principalmente, quando nenhum político português, será abrangido, por tal escalão, porque parece-me que seja um assalto aos gestores e aos criadores de riqueza neste país. Qualquer dia veremos a letra escarlate no peito dos que têm fortuna, como se de um criminoso se tratasse. Só sei dizer que, daqui a três anos manifestar-me-ei, no dia da eleiçao, votando no Paulo Portas para Primeiro Ministro.
      Obrigada pelo teu comentário e até próxima Sexta-Feira, querida!

      Eliminar
    2. Ana e Lenny,

      Concordo em absoluto. Foi bonito ver um líder de sindicato recusar-se a ser uma "Maria vai com as outras". O sr Proença está de parabéns.
      Quanto ao escalão máximo de 54,5%: é um roubo.

      Beijocas

      Eliminar
    3. Hey, girl!
      Eu acho que esse número foi lançado, cá para fora, como prospecção; não achas?
      O sr. Proença, embora seja socialista, não está ali como uma extensão do PS, para si, os trabalhadores e seus interesses, estão para lá das politiquices.
      Trabalhadores a UGT é que está a dar...

      Eliminar
  2. Não sei porque é que há esta ideia de que toda a gente tem de pagar pela crise. Os políticos é que nos puseram neste situação, não nós! mas vê-se logo que a autora deste artigo (e de outros que já li aqui) é uma previligiada da treta que não sabe o que é passar fome nem contar tostões mas põe-se para aqui a cuspir postas de pescada!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva, Anónimo!
      Se os políticos, nos fizeram chegar, a este ponto, foi porque o povo português tal permitiu; logo temos de pagar pela crise.
      Diz que tem lido artigos anteriores, eu só lhe posso agradecer pelo seu tempo.
      Quanto aos epítitos que me atribui, enfim como soe dizer-se: compreenda a sua leitura porque, obviamente, o sr. Anónimo sofre de sindrome de déficite de atenção; sinto muito!
      Obrigada pela sua contribuição!

      Eliminar
  3. Mas bah, Lenny, há momentos na vida de quem é patriota que dá vontade de chorar... Acredito que as soluções para a grande maioria dos problemas que afetam as massas populacionais, passam pela via política, pois não comportam resoluções econômicas. Acontece que em qualquer lugar do globo, as melhores cabeças, os indivíduas melhor preparados, os iluminados são todos absorvidos pelas grandes corporações, restando para militar na política os menos preparados, os menos brilhantes, os medíocres. Dai todas vez que os interesses do grande capital internacional são confrontados com os das nações, esses últimos acabam vencidos.
    Abração.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Diler!
      Compreendo quando diz que os problemas passam pela via política. Mas, como convencer os mais excelentes a sujeitarem-se ao escurtínio popular e liderar as Nações, tudo move-se à base do dinheiro?
      Não será melhor, tomar resoluções económicas mais ajustadas e integrantes, para que o lado financeiro se consolide, aí talvez, as nações possam competir, em pé de igualdade com as grandes corporações?
      Muito obrigada pela sua visita!
      Abração







      Eliminar
  4. Deus não tem nada com isso! A crise é dos homens e esses fazem de Deus, muro de lamentações. Um artigo muito com parecer de Paul Krugman.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Luma, não creio que a Lenny tenha dito que Deus tenha algo a ver com a crise. O que a autora fez, de uma forma muito pessoal, foi exortar os Portugueses a pensar antes de agir com base em emoções. Neste caso, falou em dirigir-se a Deus, mas poderia muito bem ter convidado os seus concidadãos a meditar, a reflectir, a recorrer à razão - o que, no fundo, é a mesma coisa. Sabemos bem, que protestar no timing errado prejudica o país em termos económicos - olhemos para a Espanha (o que é que aconteceu no dia a seguir daquela manif violenta? A bolsa veio por aí abaixo e perderam-se milhares de milhões de Euros; já para não falar na subida dos juros); olhemos para a Grécia. Não queremos o mesmo para Portugal, e o líder da UGT finalmente compreendeu isso.

      Quanto ao artigo referente ao manifesto de Paul Krugman: ele tem alguma razão (no que toca à falta de vontade política), mas não deve retirar a responsabilidade do Povo face a esta crise - porque não só este viveu mesmo acima das suas possibilidades (principalmente na Europa, em que o sistema difere do Americano) como também elegeu os políticos que Krugman acusa de não terem implementado as medidas necessárias para resolver a crise - sim, porque esta não começou com os governos de direita que agora governam os países. Em último caso, a responsabilidade é sempre do Povo (pela própria definição da palavra "Democracia" - com o poder vem a responsabilidade).

      Quanto à jornalista que afirma que Krugman não é um socialista perigoso, somente porque defende a austeridade (ainda que alguma); ela deveria ter explicado que aos olhos Europeus ele de facto não é um socialista (a nossa noção de socialista) mas na América ele é tido como um liberal (i.e. um esquerdista, um pouco radical) [liberal na Europa é o "Libertarian" da América]. Para além disso, quem disse que ser socialista implica ser contra a austeridade; ou que ser de direita implica necessariamente ser a favor da mesma? Isto é uma falácia.

      Beijos

      Eliminar
    2. Olá, Luma!
      Claro que a crise é provocada pelos homens, e a estes compete resolvê-la. A fórmula que está a ser aplicada é o recurso aos empréstimos. A experiência diz-nos que os investidores ficam retraídos perante tumultos logo têm por hábito calcular os juros segundo a estabilidade do devedor.
      Por isso: sim é preciso parar, pensar e depois agir. Eu como sou desconfiada falo com Deus. Quanto a fazerem Dele o muro das lamentações, não se incomode com isso, porque esse é o trabalho de Deus: ouvir!
      Obrigada, pela sua contribuição!
      Um abraço

      Eliminar
  5. Olá Lenny,

    Também amo Portugal, mas o país vai de mal a pior: os políticos ainda estão a aplicar métodos de há 20 anos atrás - inaceitável.
    Compreendo e concordo com a tua exortação: sim, devemos parar para pensar e, não agir com base em emoções descontroladas. As pessoas têm pouca noção de como as coisas acontecem e é por isso que penso que o sistema educativo deva incluir, para todos, as disciplinas de princípios de ciências políticas e economia. Sem informação, sem entendimento de como o sistema funciona, ninguém pode tomar decisões informadas e coerentes; tornando-se assim vítimas de alguns que, como a Ana disse, buscam o seu lugarzinho ao sol.

    Daqui a três anos vamos a votos e devemos fazer ouvir-se a nossa voz, mas pelo amor de Deus não elejamos os socialistas (a não ser que tenhamos gostado desta lama na qual o ex-PM Sócrates [com a herança de governos anteriores] nos enfiou).

    Beijocas e Viva Portugal!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Hey, girl!
      Em Portugal no 10º ano do liceu estudava-se Introdução a Política e na Escola Comercial dava-se Economia no 3º Ano (corresponde hoje ao 9º Ano), esta última já não existe e no Liceu deixou-se de dar IP. Será que o sistema educativo regrediu?
      O Diler é de opinião que os medíocres é que estão a comandar politicamente as nações, e tem toda a razão, porque as mentes dos políticos são estáticas, visto não terem a capacidade de entender que, quando tomam decisões políticas, devem ter em conta o seguinte: uma família, hoje, além das pessoas que a compõem, são também a TV cabo; a conta dos telemóveis; a mensalidade dos colégios; a mensalidade da hipoteca; a mensalidade do plasma; o leasing de dois carros; a conta ordenado; o cartão de crédito; o computador; o social-media etc.; etc...
      Nas próximas eleições, se este governo não tomar rumo, votarei CDS como protesto.
      Nunca votaria pelo PS, Bloco de Esquerda e PCP porque, não lutaram pelo Povo, enquanto um homem só (ex-PM Sócrates do partido socialista) destruia Portugal.
      Obrigada, pelo teu comentário!
      Bjcas e Viva Portugal!

      Eliminar

Enviar um comentário

O Etnias aprecia toda a sorte de comentários, já que aqui se defende a liberdade de expressão; contudo, reservamo-nos o direito de apagar Comentos de Trolls; comentários difamatórios e ofensivos (e.g. racistas e anti-Semitas) mais aqueles que contenham asneiras em excesso. Este blog não considera que a vulgaridade esteja protegida pelo direito à liberdade de expressão. Um abraço