Análise: o Discurso de Mahmoud Abbas na ONU

Mahmoud Abbas durante o seu discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA)

Na passada quinta-feira, dia 27 de Setembro, o Sr Mahmoud Abbas, depois de ter chegado 58 minutos atrasado, fez um discurso bastante inconsistente perante a Assembleia Geral da ONU.

O líder da Autoridade Palestiniana fez questão de apelar aos seus apoiantes Árabes - através da constante repetição das palavras "ocupação; potência ocupadora e colonos"; aos seus apoiantes Africanos - através do uso de palavras como "colonização, colonização racial e apartheid"; e aos seus apoiantes Esquerdistas Ocidentais - ao injectar expressões como "limpeza étnica" e "forças ocupadoras Israelitas".
Agora, analisemos com mais atenção algumas das palavras incoerentes do Sr Abbas:

"a Potência ocupadora (...continua) a impedir que a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) implemente projectos vitais de infraestrutura e providencie serviços aos seus cidadãos, (...) Também está a obstruir o estabelecimento de projectos agrícolas, industriais, de turismo e de construção pelo sector privado em vastas área do Território Palestiniano Ocupado."

Análise: primeiro, o Relatório de Levy afirma que, de acordo com a Lei Internacional, Israel não é uma potência ocupadora e, por isso, não existe nenhum "Território Palestiniano" ocupado. Segundo, o que impede que a ANP desenvolva projectos de infraestruturas é a falta de vontade política e a corrupção (e.g. o Sr Abbas ainda não explicou como é que os seus filhos se tornaram milionários através dos donativos internacionais). O Hamas, em Gaza, conseguiu desenvolver 150 projectos financiados com fundos internacionais, que incluem 14 projectos agrícolas (que ergueram 400 estufas e 1.600 talhões; construiu 100 câmaras frigoríficas e salas de empacotamento; restaurou terra agrícola e poços) e 11 projectos de infraestrutura (dois de electricidade; a restauração de 21 estradas de acesso agrícola; o desenvolvimento de uma praia para banhistas; a reparação de quatro estradas) com a cooperação do Estado de Israel. Dou por terminado o meu caso.

"Falo em nome de um povo zangado, um povo que sente que, enquanto luta pelos seus direitos à liberdade, adopta uma cultura de paz (..)"

Análise: O povo Palestiniano está zangado com a corrupção e inépcia da ANP.
O povo Palestiniano até pode, no fundo, querer adoptar uma cultura de paz; contudo, os seus líderes políticos não o permitirão porque a TV da ANP faz uma lavagem cerebral às crianças Palestinianas para as levar a acreditar que os Cristãos e os Judeus são "réstias dos cruzados e de Khaibar" e "inferiores e mais pequenos, mais cobardes e desprezíveis"; que eles são "os inimigos do destino" e, como tal, as crianças devem perguntar-se "Onde está a minha arma? Encontrei-a...uma pedra. Apanhei-a e atirei-a contra os inimigos do destino". Os líderes religiosos Palestinianos pregam que "A mesquita de Al-Aqsa [a metonímia para Jerusalém] não pode ficar sob o controle de porcos e macacos".

"Nós (...) a Organização da Libertação da Palestina (OLP), o único representante legítimo do povo Palestiniano, que não aceitará ser dividido em dois; e não permitiremos ser divididos em dois" e "dizemos perante a comunidade internacional: ainda há uma oportunidade - talvez a última - para salvar a solução de dois Estados e para salvar a Paz (...) um processo de paz moribundo."

Análise: uma clara ameaça. O Sr Abbas confessou, perante todo o mundo, que a Fatah e o Hamas estão a trabalhar juntos para alcançar o estabelecimento de um Estado Palestiniano Independente, naquele que consideram ser a Palestina histórica (i.e. Gaza, Judeia & Samaria e a Terra de Israel) e, não descansarão até que obtenham o que querem. Continuarão a empatar o processo de paz até atingirem o seu objectivo; daí o "um processo de paz moribundo".

"Não há uma nação para nós que não seja a Palestina; e não há terra para nós  senão a Palestina. Não aceitaremos uma nação alternativa, nem uma terra alternativa. A Palestina é a nossa pátria e permanecerá sendo a nossa pátria" e "(..) o bravo povo Palestiniano não permitirá ser vítima de um novo Nakba. Não permitiremos isso, ficaremos na nossa terra". 

Análise: a reafirmação das palavras anteriores. A confirmação de que a ANP não quer a paz porque a verdadeira ambição dos políticos Palestinianos é a Solução de Um Estado Palestiniano; apesar de proferirem palavras bonitinhas acerca da paz e empenho numa solução de dois estados "utópica".

"Nós reafirmamos que estamos empenhados na não-violência e rejeitamos o terrorismo, sob todas as formas; em especial, o Terrorismo de Estado."

Análise: A Jihad Islâmica (um grupo terrorista) é um braço da Fatah. A Brigada dos Mártires da Al-Aqsa, a ala militar da Fatah, anunciou [de acordo com a Union of Islamic World Students (em Maio passado)] que todos os seus ramos militares (i.e. grupos terroristas sob os seus auspícios, em Gaza e Judeia & Samaria) se iriam unir em breve e, seriam geridos "sob um único concelho militar" (alegadamente financiado pelo Hezbollah). Abu Mohammad, o porta-voz da Brigada, disse que todos os líderes "estão determinados a garantir o seu sucesso, à medida que a Brigada Al-Aqsa forma a espinha dorsal do Movimento da Fatah" baseados na ideologia de "libertar a Palestina através da resistência armada". A ANP está a preparar-se para uma guerra contra Israel (considerado, por eles, um Estado Terrorista).

O Sr. Abbas está convencido de que pode simplesmente atirar-nos areia aos olhos...

Comentários

  1. Olá,Max!
    Pensa só no dinheiro, que a Europa se comprometeu a enviar, para a Autoridade Palestiniana, enquanto os Europeus estão desempregados e numa crise global (USA, Europa e japão em simultâneo) só comparável a de 1932...
    Se eu mandasse diria: Sem processo de paz compreensivo e sério esqueçam a galinha dos ovos de ouro.
    Quanto às suas ameaças: good luck, porque o mundo está fatigado, com esta história!
    Bjcas

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    1. Olá Lenny :D!

      Sim, €200 milhões...no mês passado.
      Concordo contigo: o mundo está cansado.

      Lenny, muito obrigada pelo teu comentário :D.

      Beijinhos

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